terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Os Novos Publicanos



Publicano era o cobrador de rendimentos públicos entre os romanos. Havia duas espécies de recebedores de tributos: os recebedores gerais, e os seus delegados em cada província, sendo os primeiros responsáveis para com o Imperador pelas rendas do império.

Eram os principais recebedores, homens de grande importância no governo, sendo geralmente membros de famílias ilustres; mas os seus delegados, homens das classes inferiores, eram tidos, pelas suas rapinas e extorsões, como ladrões e gatunos.

Entre os judeus a profissão de publicano era odiosa. Os galileus, principalmente, submetiam-se a esses cobradores com a maior repugnância, indo até ao ponto de considerarem ilegítimo o pagamento do tributo (veja-se Mt. 22:17). E quanto àqueles publicanos da sua própria nação, quase eram considerados como pagãos (Mt. 18:17).

Os publicanos de que fala o NT, eram olhados como traidores e apóstatas, instrumentos do opressor, e classificados como pessoas do mais vil caráter (Mt. 9:11; 11:19; 18:17; 21:31,32), sendo os seus únicos amigos os banidos ou exilados da pátria.

Por causa da péssima fama, aquele que comia e bebia com publicanos era tratado com desprezo pelos seus conterrâneos (Mt. 9:11; Lc. 15:1; 19:2). Até mesmo as próprias esmolas oferecidas por eles não eram aceitas para a caixa dos pobres da sinagoga.

Jesus, porém, conhecedor de gente como ninguém, esclarece quem eram, na essência, os publicanos. Ele utiliza sua figura para ensinar uma lição aos discípulos e revelar traços de sua personalidade e sentimento religioso. Na parábola do publicano e fariseu, é o publicano quem diz: "Ó Deus, sê propício a mim, pecador!" (Lc. 18:13), enquanto que o fariseu (líder religioso) pensava consigo mesmo: “...não sou semelhante aos outros homens”.

Os publicanos eram pessoas que, apesar das extorsões (comportamento que o próprio Jesus utilizou numa referência de reprovação – Mt. 18:17), se permitiam converter aos princípios da fé cristã, gerando homens com sensibilidade para reconhecer seus erros e com disposição para reparar o mau praticado (Lc. 18:13; 19:8).

Eles são reanimados (espiritualmente) com a mensagem propagada por João Batista, enxergando nele, um homem que vivia e amava o que pregava. Ao se depararem com Jesus, então, identifica-O como alguém com autoridade para anunciar o que falava (Mt. 7:29), levando-os a conversão (Mt. 21:32; Mc. 2:15; Lc. 15:1; Lc. 3:12; Lc. 7:29; Lc. 5:29).

Jesus diz que os publicanos [e as prostitutas] estariam mais propensos a entrar no Reino de Deus do que os fariseus (Mt. 21:31, 32), e reforçando seu conhecimento da essência dos mesmos, chama um para ser seu discípulo (Mateus – Mt. 9:9) e faz questão de ir pessoalmente à casa de um chefe deles (Zaqueu – Lc. 19:5) para anunciar-lhe a salvação.

Portanto, os publicanos eram judeus que se afastaram da religião judaica por não verem nos fariseus (líderes religiosos) credibilidade necessária para referendar uma mensagem divina, o que permitiu aos romanos, a esperteza de convencê-los a atuar como seus representantes na cobrança dos impostos para Roma. Como passaram a ser desprezados pelos seus contemporâneos, cobrar impostos acima do devido foi só um passo a mais no afastamento de suas raízes e no atendimento a ânsia de melhorar de vida a qualquer custo (dos outros, claro).

No cristianismo atual, com o aparecimento dos fariseus modernizados, há, também, o ressurgimento dos novos publicanos. Gente frustrada e decepcionada com o evangelho fajuto oferecido por quem deseja apenas se locupletar da lã e do leite das ovelhas, sem o desejo de se sacrificar (se necessário) e dedicar-lhe o tempo devido no cuidado com elas.

Os novos publicanos creem em Jesus e procuram ficar perto daqueles que, em meio ao mar de lama religioso, pregam ética e coerência cristã no deserto dos ouvidos moucos. É, sim. Ainda existem bons pastores que, como João Batista, a despeito dos apertos que passam em sua vida cotidiana, seguem dedicando suas vidas na exposição da mensagem divina com integridade e singeleza de coração.

Consulta:
Dicionário Bíblico - Edit. Did. Paulista

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