terça-feira, 25 de outubro de 2016

Somos o Que Somos. Nos Tolerem, "Tolerantes".

Como fruto do trabalho missionário, o Brasil vem se tornando um país de cristãos-evangélicos. Com todo respeito aos nossos irmãos católicos, já vai de longe o abandono dos brasileiros a religião majoritária, isto porque se tornaram apenas cristãos nominais, sem vínculos ou compromisso sério.

Em 2014 estimativas apontavam para cerca de 25,25% de evangélicos na população brasileira. Paralelo a este crescimento numérico, cresceu também a conscientização política dos cristãos em nossa pátria. Se antes "crentes" não se envolviam com política, apenas oravam, agora os cristãos, além de orarem, tem se posicionado no cenário político brasileiro. Como resultado, em cada legislatura cresce o número de representantes do segmento nas várias câmaras legislativas. Logo, aparecem aqui e ali alguns "especialistas" chamando a atenção para esse fenômeno e "alertando" sobre o perigo do Brasil se tornar um país fundamentalista cristão.

Não vamos entrar no mérito dessa questão, haja vista que, apesar do risco de um, dentre os vários líderes cristãos existentes, se desgarrar do evangelho genuíno e entrar pelo "evangelho meramente político", quem conhece o evangelho de Cristo sabe que a conversão genuína é aquela que o indivíduo voluntariamente aceita, e não aquela que lhe é imposta por leis, como uma obrigação.

Portanto, não há qualquer interesse no exercício do poder político "pelo poder político" na comunidade cristã no Brasil. No entanto, isto não lhe retira o direito de contribuir com ações políticas que melhorem a vida da população brasileira. Isto se faz através das ações sociais que a comunidade desenvolve no tecido social e, também, através de mandatos políticos.

A bancada de deputados cristãos, chamada de forma pejorativa por parte da imprensa brasileira de "bancada da Bíblia", chama a atenção pelo seu aumento a cada legislatura e pela defesa intransigente dos virtudes morais e da família tradicional.

Agora, alçando um novo voo, surge em várias cidades e estados brasileiros candidaturas de evangélicos para cargos políticos majoritários como prefeitos, governadores e presidentes de câmaras. Lógico, aqueles setores da mídia tão envolvidos (e sustentados) pelas ações ligadas a ideologia de gênero, libertinagem, esquerdismos, socialismo comunista, etc., se lançam na empreitada de barrar a qualquer custo o avanço dos evangélicos no país.

Um exemplo disto é a campanha difamatória perpetrada contra o Senador Marcelo Crivella no Rio de Janeiro. Sem querer exercer a defesa intransigente e cega, de uma hora para outra o Senador se tornou alvo de inúmeras denúncias e acusações que, observando mais a fundo, trazem nada com nada. E percebam que invés do evangélico, a mídia quer "impor" um radical de esquerda que realizou ações de apoio àquela gente violenta que inviabilizou os justos protestos de outrora e que apoia aborto, união de par como um casamento, liberação de drogas e inchaço da máquina estatal. Mas, porque isto? Muito simples.

Apesar de falarem em intolerância, eles, os secularistas, não toleram os evangélicos, apesar de se dizerem defensores de uma sociedade livre de preconceito, são, eles mesmos, preconceituosos em relação aos evangélicos, apesar de se identificarem como vanguardistas, progressistas e democratas, são a exata imagem do fascismos, das trevas e do autoritarismo.

Mas, fica a dica para os cristãos. Eles não gostam do que representamos, porque o que representamos se opõe ao que eles gostam e defendem. Hedonismo, libertinagem, promiscuidade, prostituição, adultério, homossexualismo, rebeldia, drogas, capitalismo selvagem, avareza, ganância, corrupção, e por aí vai.

Apesar de nossos problemas internos e de nossas "ovelhas negras", como defensores do evangelho, somos um movimento de contra-cultura atual. Não é um movimento novo. É o movimento de sempre dos cristãos. Tendo a Bíblia como nossa regra de fé e prática, toda sociedade que adota um comportamento pecaminoso e, portanto, rebelde para com Deus, sofrerá nosso protesto (por isso, "protestantes").

Vale pedir aos de má-fé não confundir "protesto pelos pecados" com imposição de leis religiosas à população. Mas uma vez. O evangelho só tem valor se adotado voluntariamente, sem qualquer tipo de imposição, manipulação ou obrigação.

Aos cristãos, lembramos: "Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia" (João 15:18,19).

Sigamos pois... Sendo o que somos, conforme a Palavra de Deus, e fazendo o que o Senhor nos orientou fazer, como posto na Bíblia Sagrada.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Ressaca Cristã Após Eleição Municipal

Eleição encerrada, pelo menos por essas bandas (Salvador/BA), é preciso algumas considerações sobre o comportamento da comunidade cristã em seus vários segmentos durante o período da campanha eleitoral.

De antemão, saliento que sou favorável a indicação por nossa comunidade de pessoas para concorrerem a cargos eletivos. É um direito, como cidadãos que pagam seus impostos, e um dever dos cristãos, como servos de Deus, contribuir para melhoraria do ambiente moral, social e espiritual em nossa sociedade.

A primeira constatação, que não é nova, é o fato da desunião em nossa comunidade. Várias denominações e, dentro das referidas denominações, vários candidatos que se lançam de forma indiscriminada. Cada uma com suas intenções, e cada um defendendo seus próprios interesses. Na maioria dos casos, os interesses pessoais (dos líderes que indicam e dos indicados) se sobrepõem ao interesse da coletividade.

Percebe-se a quantidade de homens separados para o santo ministério que se lançam como candidatos à um mandato político. São ministros do evangelho que, a despeito de sua chamada espiritual, decidem deixar em segundo plano sua missão evangélica. Respeito a decisão de cada um sobre sua própria vida. Porém, entendo que a missão que nos foi concedida pelo Senhor é de maior importância que uma atividade política. Lembremos que ao pastorado é separado aqueles homens que se dedicarão ao ministério em "tempo integral". Dito isso, a eleição para um mandato político implica numa renúncia ao seu mandato espiritual.

Há ainda o problema das denominações não observarem a necessidade de separar as coisas espirituais das seculares, principalmente no ambiente espiritual que chamamos de templo e, consequentemente, seus cultos. Entenda-se espiritual como aquilo que se refere às coisas eternas, enquanto que secular é tudo que diz respeito às coisas terrenas. Nossa ação espiritual tem reflexo sobre a vida das pessoas para a eternidade, enquanto que nossa ação política tem implicações meramente terrenas.

O que se viu durante esta campanha foi uma mistura indevida e profana das coisas de Deus com coisas do mundo. Eventos evangélicos organizados apenas para colocar em evidência o candidato ou candidata, utilização de templos para guarda de equipamentos e materiais de campanha, esvaziamento de atividade importante como Escola Bíblica Dominical apenas para que alguns irmãos, "inocentes úteis," possam atuar como cabos eleitorais em atividade ilegal como "boca de urna".

Infelizmente, nossa luta por uma comunidade mais consciente está longe de ser alcançado, isto porque o sentimento dos eleitores, votando com a "pulga atrás da orelha" sobre os nobres interesses dos candidatos, refletem no povo cristão com a mesma "pulga" na orelha dos eleitores cristãos, sobre a sinceridade de quem indica e de quem é indicado em fazer o que se deve fazer com base nos interesses mais nobres de nossa atividade espiritual. A desconfiança é geral.

Como melhorar isso? Educação cristã massiva e rígido controle sobre aqueles que lideram a comunidade cristã e sobre aqueles que acessam nossos púlpitos. Já seria, pelo menos, um bom começo.