domingo, 30 de março de 2014

Dons Espirituais e Ministeriais




O conhecimento das coisas de Deus é fundamental para seu povo, pois, é este conhecimento que nos imuniza contra o engano, a apostasia e o pecado. Determinados temas, caros na teologia, são importantes porque a ignorância sobre os mesmos dá origem a uma vasta gama de distorções e, porque não dizer, heresias, que interferem no relacionamento com Deus, enganando os de boa-fé e dando terreno a aproveitadores que, a despeito do discurso de ministrar a Palavra de Deus, estão mais interessados no que podem usufruir do povo, materialmente falando.
 
Em tempos de tanto misticismo misturado com ignorância, o estudo sobre dons espirituais e ministeriais vem suprir nosso povo de conhecimento divino, a fim de estarmos preparados para lutar contra as astutas ciladas do diabo e contra o engano de falsos profetas e profetizas. Eis o assunto a nos debruçar durante os próximos três meses em nossas Escolas Bíblicas Dominicais.
 
Inicialmente se faz necessário compreendermos o significado de “DOM”. Dom é a capacidade num indivíduo para realização de uma missão ou tarefa. É a habilidade que lhe dá condições de alcançar êxito na execução de uma atividade. Esta capacidade pode ser:
 
Natural – é a habilidade desenvolvida por uma pessoa desde seu nascimento, impregnado em sua natureza e não adquirida. Diz-se, também, que são habilidades inerentes ao campo de atuação humano, como por exemplo, a capacidade de cantar uma música. Ninguém precisa possuir alta técnica vocal para cantar uma canção ou de dotes sobrenaturais para tal. Isto pode se desenvolver a partir da aptidão natural que a pessoa possui. É por esta razão que algumas pessoas cantam afinadas e outras não.
 
Sobrenatural – São habilidades recebidas por uma pessoa para o exercício de uma atividade específica que, invariavelmente, é espiritual, como por exemplo, capacidade de falar numa língua ou dialeto que a pessoa nunca aprendeu.
 
Vale destacar que, a priori, todo dom perfeito, independentemente de natural ou sobrenatural, vem de Deus (Tg. 1:17). Isto implica afirmar que toda habilidade desenvolvida pela humanidade, que expressa perfeição, é uma manifestação da capacidade divina nos homens. Desta forma, quando tratamos de dons, estamos lidando de maneira específica sobre aquelas habilidades que se destacam no universo do comum.
 
No contexto bíbliconeo-testamentário, o termo dons espirituais refere-se a nove dons dados por Deus aos cristãos, por meio do Espírito Santo, para auxílio na propagação do evangelho de Jesus Cristo e edificação da igreja. Os nove dons são listados na Bíblia, na primeira carta do apóstolo Paulo aos cristãos da igreja de Corinto: “1 Co. 12:8-10 - Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas.”
 
No entanto, há, também relacionados neste contexto, os dons ministeriais, mencionados por Paulo em 1 Co. 12:5 e em Efésios 4:11,12 – “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;”
 
São dons espirituais ou sobrenaturais, que são distribuidos pelo Espírito Santo para edificação e organização da igreja do Senhor. Nossas EBD’s, nos próximos três meses, vai lidar com a análise desses dons.
 
Não possuímos espaço, muito menos pretensão, de discorrermos sobre todos os pormenores envolvidos nos tópicos mencionados, isto em decorrência da extensão e profundidade do assunto e minha incapacidade de encerrar tema tão complexo e difícil. Porém, vamos destacar alguns pormenores que podem jogar luz ou suscitar o desejo, nos professores e alunos, de perseguir com mais afinco um melhor conhecimento sobre o mesmo.
 
Os dons aqui tratados são agrupados, inicialmente, em “dons espirituais”, propriamente dito, e “ofícios organizacionais” ou “dons ministeriais”. Veja a distinção que Paulo utiliza em 1 Co. 12:4-6:“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”.
 
Observe:
 
1. Quando se reporta aos “dons espirituais” ele destaca ser de um mesmo “Espírito”, ou seja, a essência que permeia todos eles é um só, e o mesmo;
 
2. Quando se reporta aos “ofícios organizacionais” ele diz que o “Senhor” é o mesmo. Enquanto os dons espirituais são “motivados” pelo Espírito Santo, os ofícios organizacionais são “liderados” pelo Senhor Jesus (A Palavra);
 
3. Ele diz que esses dons e ofícios estão dentro do conjunto de operações que Deus leva a efeito para revelar-se ao mundo através da Igreja e edificar seu povo.
 
I. DONS ESPIRITUAIS
 
Classificação - Os nove dons listados em 1 Coríntios 12:8-10 costumam ser estudados em três grupos distintos:
 
Dons de revelação (É a capacidade de conhecer ou fazer conhecido):
  • Palavra da sabedoria
  • Palavra da ciência/conhecimento
  • Discernimento de espíritos
Dons de poder (É a capacidade de interferir no curso natural):
  • Dons de curar
  • Operação de maravilhas/milagres
Dons inspiracionais ou dons vocais (É a capacidade de falar de forma sobrenatural):
  • Profecia
  • Variedade de línguas
  • Interpretação de línguas
Vale a pena destacar alguns pontos:

a) As manifestações espirituais não podem, e não estão, isentas do devido amparo bíblico, principalmente no que diz respeito a fornecer conhecimento de Deus ou manifestar o seu poder na realização de um milagre ou maravilha. “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gl. 1:8).

b) As manifestações espirituais divinas têm propósitos, e no que diz respeito aos dons espirituais, a Palavra define seus objetivos: deve ser útil para edificar, exortar e consolar o povo de Deus (1 Co. 12:7 e 14:3), e deve contribuir para a unidade do corpo de Cristo (1 Co. 12:13,25).

c) É preciso conhecer a diferença entre ação do Espírito Santo e a reação humana. Muitos cultos atuais são tumultuados, a semelhança do que acontecia em Corinto, em razão de se colocar como ação do Espírito Santo as reações humanas. Grunhidos, rodopios, marchas, “tirar os pés do chão”, são ações meramente humanas que, no decorrer de um culto, apenas causa confusão e retira o brilho da celebração diante de Deus.

d) Merece atenção e cuidado as pseudos “novas unções” tão em moda nos dias atuais. Não há, entre os dons mencionados na Bíblia, um que seja específico para conceder “novas unções”. Quando a Bíblia fala de “ungir” alguém, se refere a ação do ministro de Deus quando em oração por um enfermo (Tg. 5:14; Mc. 6:13), ou quando alguém é separado para o exercício de um reinado ou sacerdócio (1 Sm 16:3; Lv. 8:12).

Os dons espirituais se caracterizam pela ação direta do Espírito Santo na vida do crente, transformando-o apenas e tão somente num instrumento utilizado por Deus para manifestação de seu conhecimento e poder. Por esta razão, estes dons são, exclusivamente, divinos, pois, é a ação do próprio Deus na igreja e no mundo.

II. OFÍCIOS ORGANIZACIONAIS OU DONS MINISTERIAIS

A igreja do Senhor prescinde de uma mínima organização para que sua missão seja plenamente atendida. Ela deve conquistar pessoas para Deus, implantar comunidades para que essas pessoas se reunam e, reunidas, sejam ensinadas no conhecimento do Senhor e apoiadas em sua caminhada eterna. Sendo assim, se faz necessário o mínimo de organização em suas atividades que possibilite o atendimento as variadas demandas que surgem a partir de sua implantação.

É a partir dessas atividades que os ofícios organizacionais são definidos. Efésios 4:11,12 – “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;”

Ofícios Organizacionais são atividades desenvolvidas na obra de Deus para o qual Ele designa pessoas cheias do Espírito Santo com intuito de desenvolver seu reino na terra, cuidando e edificando seu povo.

No que diz respeito aos dons ministeriais, algumas considerações são necessárias.

  • Estes dons nunca foram reduzidos a títulos, como alguns "apóstolos" ostentam nos dias atuais. Era, na verdade, designativo da função que exerciam;
  • Na igreja primitiva os cargos Bispo, Ancião e Presbíteros são iguais. Isto pode ser verificado claramente em At. 20:17,28.Aqui neste texto o apóstolo Paulo chama os anciões de bispos.Em Tt. 1:5-7, ele chama os presbíteros de bispos.
  • A igreja não concede estes dons ou ofícios. Ela apenas reconhece o dom ou chamada que o servo do Senhor possui (Mt.. 9:38).
  • Quando o apóstolo Paulo, em 1 Tm. 3:1, diz que “quem deseja o episcopado excelente obra deseja”, não estar incentivando os cristãos a desejarem, ou cobiçarem, cargos maiores. Se este tivesse sido o alvo de sua orientação, ele estaria em atrito com o que o Mestre Jesus nos ensinou (Mt. 18:4; 20:25-28). O que Paulo está sinalizando é para a “obra” do bispo. A ênfase dele é sobre as tarefas que o bispo desenvolve e não sobre o título designativo da função (ver Lc. 4:18,19). A Palavra de Deus recomenda à todos, especialmente aos que possuem chamadas, que mantenham uma vida de humildade (Ef. 4:2; At. 20:19; Cl. 3:12; Fp. 2:3;1 Pe. 5:5).
Recomendo a leitura de outro post publicado neste espaço: Porteiro, Auxiliar, Diácono...
 
CONCLUSÃO

“Irmãos, quanto aos dons espirituais, não quero que vocês sejam ignorantes” (1 Co. 12:1).

O obscurantismo não é ferramenta de uso de Deus. O Senhor deseja que os seus servos conheçam o funcionamento do Seu reino e tenham plena compreensão dos seus projetos e a forma como é organizada a igreja. O alvo do Senhor é uma igreja em pleno crescimento, não apenas em quantidade, mas, principalmente, em qualidade.

Apesar de ser assunto eminentemente espiritual, os servos de Cristo são instruídos a fim de não ficarem sujeitos a invencionices, ventos de doutrina ou falácias, assegurando o desenvolvimento do povo de Deus com segurança, determinação e abnegação.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Não Basta Ser Crente. Tem Que Ser Diferente.

Que tempo esse, o nosso. Tudo parece igual. A priori essa afirmação não parece ruim. No entanto, se considerarmos o ambiente em que vivemos, notamos que essa igualdade não é virtuosa. Na política salta-nos aos olhos a corrupção e a incompetência, na justiça a lentidão e o privilégio aos poderosos, na religião a apostasia e a avareza disfarçada de prosperidade, na família a indiferença fruto de uma desestruturação avançada, enfim, um período em que é mais fácil viver como iguais na prática do que é mal do que como feixe de luz em meio as trevas.
 
Tempos passados em que a religião, pelo menos, indicava um comportamento que não se misturava com o que era mal. As virtudes morais como respeito, humildade, fidelidade, e o dom maior, amor, era ideal de vida daqueles que decidiam converter-se a Cristo. No mundo de nossos dias está difícil reconhecer a diferença entre cristãos e não-cristãos. Na prática do mal todos são iguais.
 
No entanto, Deus em sua Palavra conclama a todos que, arrependidos, retornem a prática do bem. Deus à todos pede. Aos cristãos, ordena!
 
Cristãos devem manter suas vidas
dentro daquilo que está escrito... na Bíblia.
 
I Co. 4:6 – “E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro”.
 
Deixem que a Bíblia fale por si. Evitem interpretar textos bíblicos, a não ser que o desejo seja de perceber o que realmente o autor disse, para quem disse, e porque disse, sem perder de vista o sentido e o espírito da mensagem de Deus aos homens.
 
Cristãos são pessoas que, voluntariamente, se uniram a Cristo
para serem diferentes de quem chama de certo o errado.
 
Mt. 5:13-16 – “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”.
 
O comportamento se destaca não para vanglória, mas, para mostrar um caminho melhor, uma alternativa para aqueles que, cansados de procurar, desanimam e desistem de seguir. A vida do cristão no mundo deve ter a capacidade melhorar o ambiente e colocar luz sobre o mal para que ele seja evitado.
 
Cristãos não devem pensar,
muito menos viver, pautados pelos valores de uma sociedade secular.
 
Mc. 10:42-45 – “Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas; Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”.
 
Não interessam as justificativas vazias que arrumamos. O desejo de Cristo é que nosso viver seja trilhado no caminho da humildade e do servir. Não, não somos iguais! Somos diferentes como água e óleo, como luz e trevas. Sendo assim, por sua própria natureza, pensamos diferentes e agimos diferentes.
 
Nossas diferenças vão além do simples comer, beber e vestir.
 
Cl. 2:16-22 – “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne”.
 
Não tratamos de tradições, de culturas que mudam a aparência e seus valores de tempos em tempos. Tratamos de essência. Daquela transformação que nos faz pensar diferente, agir diferente, enxergar diferente. Pensar, agir e enxergar como Cristo. Isto é ter a mente de Deus. Esta nova forma de ser é a consumação do milagre do novo nascimento que, operado pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus, permite ao homem baixar a tumba fria o ser carnal, natural e que se deleita no pecado, fazendo ressurgir dali, o novo homem espiritual, celestial e que se deleita em agradar a Deus.
 
Este novo homem verá em todo seu viver os efeitos deste novo nascimento. Transformado interiormente, ele se deleita agora em repartir o pão, a bebida e as vestes para aqueles que sofrem necessidades. Além disto, tem o cuidado de não constranger o outro como sua comida, bebida e vestes. Seus novos valores o impede de ser indecente, desonesto e maligno.
 
O ser diferente é fruto, portanto, de uma conversão.
 
Gl. 2:20 – “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”.
 
Aceitar a Cristo é um ato humano. Seguir os mandamentos de Deus é outro ato humano. E sãos essas atitudes que demonstram se somos convertidos ou não. O fato é que, qualquer pessoa que resolve aceitar a Cristo e seguir os seus mandamentos, se torna uma pessoa DIFERENTE daquela que não aceitou e nem segue Cristo.
 
Concluimos, então, que existem, pelo menos,
quatro traços que marcam a vida de quem é diferente.
 
Jó 1:8 – “E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal”.
 
  • Integridade – Não há compartimentos distintos na vida do Cristão, como se pudéssemos oferecer partes distintas de nós a vários ídolos, e uma dessas partes, oferecermos a Deus. Alma, corpo e espírito consagrados a Deus;
  • Retidão – Há um esforço enorme para que todas as suas atitudes sejam corretas. Por esta razão consulta a Palavra de Deus antes de tomar qualquer decisão, percebendo, a partir daí, o melhor caminho a seguir;
  • Temor a Deus – Levar Deus em consideração. Sua existência, sua legitimidade na exigência da obediência irrestrita, sua santidade e seu direito a adoração;
  • Prudência – A capacidade de prever e evitar o mal. Ele enxerga além do que é aparente e, desta maneira, consegue perceber o espírito que está por trás da imagem. Esse discernimento lhe dá a condição de, detectado o mal, se desviar dele evitando-o. Isso é o que Deus espera de nós.
Seguir no curso da correnteza da maldade é mais fácil que nadar contra. Mas, apenas aqueles que tiveram suas vidas transformadas por Cristo conseguem chegar na nascente onde as águas são limpas.

Vejam Como a Incompetência Petista Está Quebrando a Petrobrás: "Dilma Admite Falha da Petrobrás em Compra de Refinaria nos EUA"

A Astra havia comprado a planta um ano antes da negociação por US$ 42,5 milhões . Vendeu a metade para a Petrobrás pelo valor de US$ 360 milhões. Depois, a Petrobrás foi obrigada a pagar, pela outra metade, mais US$ 860 milhões. Resultado, a Petrobrás pagou R$ 1 bilhão e 200 milhões de DÓLARES (2,4 bilhões de reais), por uma refinaria que valia US$ 42,5 milhões.


A aquisição pela Petrobras de 50% das ações da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, foi autorizada em 2006 pelo Conselho de Administração da companhia com base em um documento "técnica e juridicamente falho", disse nesta quarta-feira a Presidência da República.


Investigações do Tribunal de Contas da União apontaram que o ativo chegou a ter valor de mercado de cerca de US$ 50 milhões em 2005, mas acabou sendo adquirido pela Petrobras com desembolsos que totalizaram US$ 1,2 bilhão ao longo dos últimos anos.


Segundo nota da Presidência da República, o resumo executivo preparado pelo diretor da Área Internacional da época "omitia qualquer referência às cláusulas Marlim e de Put Option que integravam o contrato, que, se conhecidas, seguramente não seriam aprovadas pelo Conselho".


As cláusulas do negócio acabaram obrigando a estatal brasileira a adquirir 100% das ações. Em 2006, a Petrobras comprou 50% da refinaria no Texas por US$ 360 milhões. Em seguida, amargou uma batalha judicial com o parceiro no projeto, a Astra, que possuía os 50% restantes.


A aquisição pela Petrobras das ações remanescentes de Pasadena aconteceu em junho de 2012, após a conclusão de um processo de questionamento na Câmara Internacional de Arbitragem de Nova York e por decisão das Cortes Superiores do Texas, salientou a Presidência da República.


Em 2006, na época da primeira decisão, a presidência do Conselho da Petrobras era exercida pela hoje presidente da República, Dilma Rousseff (PT). O presidente da companhia era Sérgio Gabrielli (PT) e o diretor da Área Internacional era Nestor Cerveró.
 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Camille Paglia, escritora: "Nós Sufocamos os Homens"

“As mulheres pedem aos homens que eles sejam o que não são e, quando eles se tornam o que não são, elas não os querem mais” (Camille Paglia)

Entrevista concedida a Mariana Barros, publicada em edição impressa de VEJA
 
A escritora americana diz que a prevalência dos valores femininos nas casas, nas escolas e nos governos “apagou” a masculinidade do mapa e deixou os homens perdidos
 
As mulheres ganharam. Ou, pelo menos, a maneira feminina de encarar o mundo vem levando a melhor – e isso não é necessariamente bom, diz Camille Paglia. Para ela, a valorização das características associadas às mulheres emparedou os homens e fez com que certas virtudes masculinas caíssem perigosamente em desuso.
 
Em entrevista a VEJA, a autora de Personas Sexuais mostra que, aos 66 anos, continua sendo uma fervorosa dissidente do feminismo ortodoxo dos anos 60. Segundo ela, ao priorizarem o sucesso profissional, as mulheres da sua geração deram “de cara com a parede” – e em breve verão que as felizes de verdade não são as ricas e bem-sucedidas, mas as que, em vez de correr atrás do sucesso, se dedicaram a construir grandes famílias.
 
As mulheres venceram?
 
Nosso mundo político e econômico certamente não é regido pelas mulheres. Os homens ainda são maioria, talvez porque seja mais fácil para eles trabalhar harmoniosamente em equipe.
 
As mulheres, porém, reinam nos domínios emocional e psicológico. Valores femininos como cooperação, sensibilidade e compromisso hoje são promovidos em todas as escolas públicas dos Estados Unidos e do Reino Unido. Fico preocupada com isso. Não é responsabilidade escolar moldar ou influenciar o caráter dos alunos. Então, sim, há uma vitória feminina no sistema de educação, e é por isso que tantos meninos se sentem sufocados ou presos nesse ambiente governado por mulheres.
 
Essa constatação veio da sua experiência de ser mãe de um menino?
 
(Camille adotou Lucien, hoje com 11 anos.) A maternidade apenas confirmou minhas opiniões. Nos meus trabalhos, sempre parti de uma observação social, e não de teorias criadas a priori. Ser mãe me permitiu outras descobertas, entre elas a existência de uma rede de mulheres com enorme poder de organização e capacidade de administrar o próprio tempo.
 
Mas os homens estão mais frágeis?
 
A masculinidade tradicional está numa encruzilhada. O que os homens podem ser? Como eles podem se diferenciar das mulheres? Alguns não veem problema em receber ordens delas. Mas, para outros, é como se a masculinidade tivesse sido apagada, como se eles tivessem perdido sua posição dentro da família. Sentem-se sufocados e precisam estar com outros homens. Aí entram a pornografia, os clubes de strip-tease, os esportes: é quando os homens escapam para o mundo deles. Chutar uma bola no meio do campo é muito revigorante e bom para escapar das mulheres.
 
Em outras palavras, elas fazem com que eles se sintam errados o tempo todo?
 
Sim! Em uma palavra: sim! Houve um tempo em que homens faziam coisas que as mulheres não podiam fazer. Então, ninguém questionava se eles “eram homens” ou não. Eu lembro que, em casa, depois do jantar, os homens ficavam na sala, falavam de carro, assistiam a algum esporte na TV. Enquanto isso, as mulheres conversavam arrumando a cozinha. Hoje, elas querem que o homem seja igual à mulher. Querem falar com ele do mesmo jeito que conversam com as amigas. Isso é com os gays! Os gays conversam por horas, fofocam, falam sobre a vida pessoal… Os héteros não. Eles não querem aprofundar-se nos sentimentos.
 
Há um grande desentendimento no casamento moderno porque mulheres e homens não têm tanto em comum assim. Quando nasce uma criança, então, o homem é marginalizado. Pode escolher entre escapar de casa e ser apenas mais um dos planetas orbitando ao redor do “Sol”.
 
Famílias de classe média são basicamente ambientes femininos. Tudo é bom e gentil, e os homens têm de mudar seu comportamento para se encaixar nelas. As mulheres pedem a eles que sejam o que não são e, quando eles se tornam o que não são, elas não os querem mais. “Ah, meu marido é meu terceiro filho, é meu bebê.” Ouvimos isso o tempo todo.
 
O problema número 1 é que as mulheres não estão receptivas aos homens. Elas precisam ouvi-los. O feminismo é duro demais com eles.
 
Ao longo do tempo, as mulheres incorporaram alguns atributos masculinos. Diz-se frequentemente que agora é hora de eles incorporarem atributos femininos. A senhora não concorda?
 
Não. No que diz respeito aos governos ocidentais, por exemplo, a tendência é agirem no estilo “estado-babá”, cheios de complacência e cuidados, atributos associados ao universo feminino. Só que isso está incapacitando as nações de ficar seriamente em alerta contra as ameaças do terrorismo, por exemplo. As sociedades ocidentais são ingênuas e complacentes ao imaginar que todo mundo é naturalmente benevolente.
 
Várias grandes civilizações entraram em colapso por se apresentar vulneráveis. A compaixão e a sensibilidade femininas são virtudes positivas, mas as maiores conquistas nas áreas de cultura e tecnologia ainda requerem certos traços masculinos, bem como planejar a defesa de uma sociedade sob ameaça de ataque.
 
Essa “lacuna” explicaria o fato de existirem poucas mulheres no poder?
 
O líder de uma nação tem de ter diferentes atributos. Precisa saber compor, comandar, controlar os nervos – precisa combinar qualidades masculinas e femininas. Falta às mulheres uma educação voltada a desenvolver visões de longo prazo, capacidade de decisão, pensamento militar.
 
Essa história de ser carinhosa e ter compaixão já está resolvida – vamos parar de falar disso. O que não é valorizado como deveria é a capacidade de decisão. E, do jeito que as mulheres são educadas, não vejo como essa mudança pode acontecer. Por exemplo: liderar uma nação significa cuidar também de suas questões militares. Isso requer um tipo de personalidade firme e assertiva. Por isso, em vez de estudarem questões de gênero, as mulheres que querem ascender politicamente deveriam estudar história militar e economia.
 
Não é fixando proporções – “as mulheres têm de representar 50% dos legisladores” – que produziremos lideranças. O Brasil não tem a mesma obsessão pela questão militar que os Estados Unidos, por isso vocês têm uma mulher presidente.
 
Como a senhora avalia uma eventual candidatura de Hillary Clinton à Presidência em 2016?
 
Hillary Clinton é completamente incompetente. Em tudo o que fez, não obteve êxito. Seu currículo segue em branco, sem nenhuma grande conquista, exceto ter se casado com Bill Clinton. É incrível como temos poucas candidatas. Sempre achei que a senadora democrata Dianne Feinstein, da Califórnia, deveria ter tentado concorrer à Presidência, e não Hillary Clinton.
 
O que precisamos aprender é como exercer a liderança e nos comunicar com as pessoas sem que nos sintamos diminuídas, da maneira como a Hillary Clinton faz. Ela é estridente, irritante, sempre sorrindo, sorrindo, sorrindo. E é mal-humorada, tola – o oposto do que queremos de um líder. Continuar a impulsioná-la vai atrasar a evolução feminina em décadas.
 
Quais as perspectivas femininas para as próximas décadas?
 
Eu vejo um mundo muito instável à frente, tanto política como economicamente. Acho que essa maneira de encarar as coisas baseada em gêneros está errada. É como se as mulheres tivessem respostas para tudo. E, se não estão felizes, a culpa é dos homens. Temos de olhar para a natureza da vida moderna, para o nosso isolamento psicológico, para essa quebra da família tradicional, transformada em pequenos núcleos. Tudo isso resulta em ansiedade.
 
As mulheres sentem que têm de ser essas pessoas bem-sucedidas, tudo na vida delas tem de estar relacionado com o poder feminino, com “encarar obstáculos”. É um modo de vida muito estressante.
 
E ainda há a questão não resolvida de como conciliar carreira e vida pessoal. Por que isso continua a ser um sofrimento?
 
O feminismo cometeu o engano de tentar reduzir a vida feminina às conquistas profissionais. Uma coisa é exigir que se retirem as barreiras para o avanço social das mulheres e que se ofereçam a elas oportunidades, promoções, salário etc. Outra é supor que essas conquistas suprirão as demandas da vida pessoal – não suprirão.
 
Questões pessoais são de uma natureza diferente das profissionais: têm a ver com sexo, procriação e viver a vida. Essas feministas anglo-americanas dos anos 60 têm uma visão mecânica do que é viver. Há ainda um grande problema com o sistema de carreira moderno.
 
O modo de progredir profissionalmente faz com que seja difícil para elas lidar com os homens em pé de igualdade. A mulher precisa ter uma vida dupla: ser ambiciosa e dominadora no escritório, mas adaptar-se em casa para ser sexualmente desejada e emocionalmente carinhosa.
 
Minha prioridade sempre foi esta: temos de parar de culpar os homens e começar a olhar o sistema e as mudanças ocorridas no trabalho e nos lares no último século.
 
Quais seriam as transformações mais significativas?
 
Uma das que mais merecem atenção é o isolamento feminino. As pessoas amam ter privacidade, ter sua própria casa. O resultado disso é uma quantidade tremenda de trabalho doméstico que recai sobre as mulheres e do qual elas têm de dar conta sem a ajuda de outras mulheres.
 
Não muito tempo atrás, as pessoas viviam em uma espécie de tribo, em que umas olhavam pelas outras. Minha mãe se lembra disso em sua infância na Itália. As mulheres reuniam-se, pegavam suas crianças e iam lavar roupa nas pedras. Havia uma comunidade de mulheres, uma vida social construída a partir dessas atividades.
 
Hoje estamos muito felizes com as nossas máquinas de lavar e secar, mas o que isso significa? Isolamento total! A mulher está isolada, desconectada do mundo feminino. Quando você é parte de um grupo, você sabe quem você é, não precisa ir descobrir.
 
Recentemente, a senhora foi criticada por declarar que as mulheres deveriam pensar melhor no que vestem para não ficar tão vulneráveis. O que quis dizer?
 
Eu apoio totalmente as mulheres que se vestem de maneira sexy. Mas quem faz isso tem de compreender que sinais está enviando. Quando disse isso, estava me referindo às garotas americanas brancas de classe alta, que frequentaram as melhores universidades e terão os melhores empregos. Elas usam roupas sexy, mas seu corpo está morto, sua mente está morta. Elas nem entendem o que estão vestindo.
 
Por que esse diagnóstico se restringe às americanas?
 
Mulheres na Itália, França, Espanha, Brasil e outros países da América do Sul comunicam melhor sua sexualidade, estão mais confortáveis com seu corpo. Afro-ame­ricanas também sabem fazer isso. Mas as mulheres americanas brancas que estão cursando as melhores universidades… oh! Bom, você deve se lembrar de Sex and the City. Elas são espertas e ambiciosas, mas vivem uma situação em que fazem sexo com uma incrível quantidade de homens e de repente é o homem quem escolhe com quem vai ficar e quando é a hora de casar. E, quando resolvem casar, querem as de 20 anos. É muito difícil. Antigamente não se fazia sexo antes de casar. Mas hoje… as mulheres são tediosas.
 
Tediosas?
 
Quando eu vou a Nova York vejo essas mulheres nas ruas: bem cuidadas, lindas, bem-sucedidas, graduadas em Harvard, Yale e… tediosas! Te-di-o-sas. Não têm nenhuma mística erótica. Acho que o número de homens gays vem aumentando porque os homens são mais interessantes do que as mulheres.
 
Onde elas deveriam buscar a felicidade?
 
Bem, achar que as mulheres profissionalmente bem-sucedidas são o ponto máximo da raça humana é ridículo. Vejo tantas delas sem filhos porque acreditaram que podiam ter tudo: ser bem-sucedidas e mães aos 40 anos. Minha geração inteira deu de cara com a parede. Quando chegarmos aos 70, 80 anos, acredito que a felicidade não estará com as ricas e poderosas, mas com as mulheres de classe média que conseguiram produzir grandes famílias.