sábado, 5 de janeiro de 2013

As Três Áreas-alvo do Serviço Cristão.

Tenho acompanhado ao longo desses trinta e um (31) anos fazendo parte da membresia e no oficialato da Assembleia de Deus em Salvador, o árduo trabalho desenvolvido por homens e mulheres sinceros que desejam ver a obra de Deus se desenvolver e frutificar nesta denominação. Sinto-me sensibilizado com a sobrecarga de trabalho que está sobre os ombros dos líderes que, a despeito da descentralização sugerida pela Bíblia (Ex. 18:14-24; Mc. 6:39-44; At.6:2-5), assumem as responsabilidades de inúmeras áreas completamente sozinhos.

Alguns desses líderes trabalham sozinhos porque não encontram mão de obra voluntária, qualificada e vocacionada para tal. Outros, porque não sabem delegar, muito menos, motivar o grupo que dispõe. Há um terceiro grupo que, para vergonha nossa, não conseguem compor uma equipe por causa da avareza, da vaidade, do orgulho e do medo de perder o controle sobre o rebanho de Deus.

Reconhecemos que ao longo de décadas houveram tentativas de descentralização das atividades da igreja. Estas tentativas imperraram na falta de maturidade dos líderes, aliado a falta de visão das ferramentas disponíveis e adequadas para desenvolvimento do trabalho e a indicação de pessoas sem a mínima chamada para o ofício. Como resultado, sobrecarga de trabalho, ineficiência e confusão.

A última tentativa de reorganização na denominação foi a implementação dos departamentos. Hoje contamos com departamentos de Crianças, adolescentes, jovens, senhores, senhoras, família, EBD, evangelismo, novos convertidos, missões, música, eventos, ação social e círculo de oração (Mais um tempinho, criaremos mais algum). A ideia da descentralização é boa, mas, o extremo é prejudicial. É preciso bom senso.

Além do excesso de departamentos, este modelo não está dando certo porque falta uma coordenação-geral eficaz e presente. É nítido que a ausência deste gestor prejudica não só o desenvolvimento dos departamentos, como cria a figura de líderes (desses departamentos) insubmissos e independentes. Quando não, deixa os líderes submissos e dependentes desnorteados. A departamentalização é viável, no entanto, falta “liga”. O resultado comumente colhido são departamentos, como dito popularmente, “batendo cabeça”.

A figura da coordenação-geral concede ao grupo de líderes e seus respectivos departamentos, um norte, um caminho a seguir, um objetivo comum a alcançar. Some-se a isto, cooperação entre eles. No entanto, é essencial compreender que esta coordenação-geral não pode ser exercida por qualquer pessoa. Esta função só será exitosa se exercida pelo próprio pastor da igreja (Já falei em outros textos sobre a “terceirização ministerial”). Para que o rebanho ande bem, necessitam ouvir e sentir a presença do pastor. Isto significa direção e confiança.

Temos, então, por um lado, centenas de irmãos agrupados em departamentos ineficientes, e por outro, líderes sobrecarregados e estafados causando dores nele e em sua família, nos seus auxiliares diretos e, consequentemente, na igreja como um todo.

Nossa sugestão é uma reorganização das atividades da igreja em torno de  apenas três áreas-alvo: Evangelismo, Ensino e Família (Sou adepto da simplificação - “Simplificar para melhorar”). Estas três áreas-alvo se baseia na estrutura do CEM = Conquistar – Ensinar - Manter.


Observe que está implícito a necessidade de interação entre estas áreas, ou seja, elas se comunicam o tempo todo. Quem vai conquistar, precisa saber conquistar e ter a sua base familiar bem cuidada; quem vai ensinar, precisar conhecer o ensino, sem descuidar de sua base familiar e, por fim, quem vai manter, precisa ser mantido (família) e capacitado (ensino). Traduzindo: “menos empresa, mais Igreja”.

Falando rapidamente sobre as três áreas-alvo.

Área-alvo: Evangelismo – Cuida exclusivamente da missão de anunciar o evangelho do Senhor Jesus e suas variantes como, por exemplo, enviar e apoiar missionários, e conscientizar as pessoas sobre o projeto missionário divino. Absorve em sua estrutura os departamentos de missões e música.

Área-alvo: Ensino – Cuida da formação do novo discípulo, da capacitação de obreiros para as tarefas do cotidiano cristão e da exposição das doutrinas fundamentais da Bíblia para os demais. Absorve em sua estrutura, EBD, novos convertidos e círculos de oração.

Área-alvo: Família – Cuida do atendimento as necessidades sociais das pessoas. Seu foco é acompanhar as famílias e suas relações, como por exemplo, preparação de noivos para o casamento, aconselhamento familiar e apresentação de crianças. Absorve em sua estrutura a ação social.

Os departamentos de senhores, senhoras, jovens, adolescentes e crianças, apesar de não absorvidos formalmente pelas áreas-alvo, são plenamente atendidos por suas atividades. Sendo assim, suas respectivas estruturas são remodeladas a fim de permitir uma perfeita aderência na nova formatação organizacional.

Creio ser possível perceber, sem maiores dificuldades, que atividades musicais, programas em cultos especiais e retiros, fazem parte do portifólio de soluções das três áreas-alvo. Se houvesse espaço suficiente discorreríamos mais detalhadamente sobre as atividades destes departamentos e seu fácil alcance por evangelismo, ensino e família.

Tenho consciência das dificuldades que este plano desencadeará. A principal delas: a resistência de alguns em razão da vaidade do cargo que ocupa e, por outros, em razão da cultura enraizada dos grupos independentes que realizam suas atividades autonomamente. Lembremos que toda mudança gera inquietação, insegurança e um certo atrito de ajustamento. No entanto, se quisermos mudar o quadro atual de desânimo, comodismo e descompromisso, será preciso ter a coragem de rompermos com os nefastos paradigmas atuais.

Vale destacar, finalmente, que este plano não é novo. Pelo contrário, é uma proposta de retorno ao formato simples de décadas passadas, que eram executadas habilmente pelos antigos obreiros e, na dependência única e exclusivamente de Deus, alcançava seus maiores e melhores objetivos.

Acredito que, atendendo estas três áreas, diminuiremos a quantidade de grupos independentes, a dependência de uma quantidade excessiva de líderes, otimizamos recursos, aliviamos a carga sobre o pastor e cumpriremos, integralmente, a missão concedida por Cristo à sua igreja.

Eis a nossa sugestão.

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