domingo, 27 de janeiro de 2013

Libere o Poder.


Alguns anos atrás, um presidente dos Estados Unidos disse para um presidente brasileiro: “você é o cara!” O presidente a quem se referiu se animou e, se até aquele momento achava-se ser, passou a acreditar piamente.

Imagino Jesus se encontrando com ele e dizendo: “o maior é aquele que é humilde como um menino (Mt. 18). Nota-se que, a despeito da interpretação do presidente elogiado, quem, na verdade, estava se colocando como maioral era aquele que o elogiava. Segundo Jesus, “a humildade é característica dos grandes homens”.

Parece ser natural no mundo de hoje os homens se acharem maiores e melhores do que os outros. Isso me faz lembrar a oração do fariseu no templo, citado por Jesus no capítulo 18 do evangelho segundo Lucas. Esta forma de encarar a vida e o exercício da liderança em qualquer organização é fatal para sua sobrevivência, haja vista que, se no início começou a obter progresso, com o decorrer do tempo, fica "patinando" na rotina, no marasmo das mesmas soluções para problemas diferentes. Resultado, a organização deixa de caminhar no cumprimento de sua missão e passa a circular em torno de si mesma, perdendo tempo, dinheiro e energia nos meandros da administração eclesiástica.

O exercício do poder é um vírus que nenhum ser humano suporta por muito tempo. Perceba na história humana que a perpetuação no poder gerou homens bárbaros, ditadores, fascistas e sanguinários. Por esta razão, para sua própria preservação, é preciso uma mudança periódica na liderança, alternar o poder, dar oportunidade para que outro homem ou mulher assuma as rédeas e contribua para o amadurecimento da organização e adoção de melhores soluções, sem os vícios adquiridos com o tempo e a repetição.

Isto não tem sido possível em razão do orgulho que espeta o coração e convence a razão do poderoso da vez. O orgulho que cega e escraviza, é o mesmo que mata, principalmente, espiritualmente. Infelizmente, nossas organizações religiosas estão com lideranças humanas cada vez mais fortes, do ponto de vista financeiro e político, e fracas, do ponto de vista do Reino de Deus.

Essas lideranças se tornam completamente despreocupadas com o bem estar da organização e seus integrantes, e passam a se preocupar com a perda do poder que, por sua vez, representará diminuição de sua influência e perda de recursos financeiros pessoais. A partir disto, a manutenção do poder passa a ser o objetivo principal de sua administração, e com isto, as decisões, projetos e ações são diretamente influenciadas por esta meta final.

Os pastores presidentes, principalmente, precisam lembrar-se dos conselhos e exemplos bíblicos, e, serena e equilibradamente, colocar um ponto final na crença do poder vitalício ou eterno onde ele não existe. O exercício da presidência de uma organização precisa de oxigenação, pois, “todos” os homens precisam se reciclar e se permitir ensinar e liderar por outros. Isto é crescimento pessoal e organizacional.

Todos pedem a Deus que libere o seu poder sobre nós. Estamos num tempo em que, para melhoria de nossas organizações religiosas e de nossa vida cristã na sociedade, “precisamos pedir a Deus que peça aos homens que libere o poder sobre nós”.

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