quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A MANDINGA EVANGÉLICA

Numa feira para levantamento de fundos para missões, uma “cristã” pertencente a igreja neo-pentecostal, ofereceu à minha esposa um galho de arruda. Disse que era para ser colocado embaixo do meu travesseiro. Desta forma, eu seria mantido ao lado dela.

Ao iniciar um culto, certo jovem procurou um oficial da igreja e pediu que “ungisse suas mãos”, pois, iria fazer uma apresentação com um grupo de coreografia, impondo, por sua vez, as mãos sobre as pessoas.

Na oração final de um culto, uma pessoa procura o oficial e pede que faça oração pelo seu “curriculum vitae”, pois, estava em busca de emprego.

Numa reunião, conhecida como circulo de oração, inúmeros documentos foram colocados sobre a mesa, a fim de que, as pessoas ali representadas, fossem atingidas pela oração da dirigente.

Campanha das sete semanas de oração. Consiste na freqüência obrigatória de sete reuniões de oração seqüenciais, para que o pedido do orador seja alcançado.

Campanha dos doze dias de clamor. Consiste na participação de doze reuniões, onde, cada dia corresponde a um mês do ano de vitória. Exemplo: 1º dia = janeiro; 2º dia = fevereiro; 3º dia = março, etc.

Mandinga = feitiçaria = encanto = É a transferência de um “poder” para uma coisa a fim de atingir outra. É uma espécie de “unção por representação”. São novas ou velhas pontes (objetos colocados diante do altar) que possibilitam a intervenção divina na vida de terceiros, ou a representação de trilhas, circunstâncias ou adversidades que precisam ser melhoradas, normalizadas ou vencidas na vida do fiel.

Em todas elas há um forte apelo pela “materialização da fé”, ou seja, o crer pura e simplesmente como convicção íntima do ser, deve ser alavancado com qualquer coisa que o vincule ao ambiente material. Uma planta, uma pedra, um pedaço de madeira, um documento, um dia, um mês, enfim, qualquer coisa que seja do planto material. A fé íntima e sincera não nos é mais suficiente. Precisamos tocar e ver para sermos crentes.

Há alguma coisa de estranho no círculo evangélico. Parece que estamos sendo corrompidos pela estratégia marketeira de oferecer alguma coisa a mais para nossos “clientes”. Daí, a forte necessidade de inovar (por que não espiritualmente?), a fim de que as pessoas sejam atendidas em suas necessidades materiais e místicas, e assim, conquistadas e arrebanhadas para a “igreja”. Abre-se as portas para uma caminhada pelo oculto, pelo nebuloso, pelas trevas.

Os protagonistas dessas não tão novas “inovações” alardeiam que Deus está aprovando estas atividades, pois, as reuniões estão abarrotadas de freqüentadores (com certeza isto gera mais recursos financeiros – Mt.23:14). Será? Estádio de futebol enche de torcedor; em Meca, milhões dos que crêem em Alah se aglomeram; boates vivem cheias de curtidores; carnaval é a festa das multidões.

Pela porta larga e no caminho espaçoso há mais gente que pela porta estreita e no caminho apertado.

Amados, nós que fomos chamados para, libertos, libertar aos outros de seus medos e pavores, estamos nos transformando em instrumentos disseminadores de fobias, frustrações e outros transtornos mentais. Ora, as pessoas que irão fundamentar sua fé no amuleto, não tratarão o amuleto como um deus? O esforço que a pessoa faz para estar naquele dia, local e hora para ser abençoada não exercerá pressão psicológica que lhe fará mais mal do que bem? O que as pessoas irão sentir se perderem um dia da campanha? E se tiverem participado ativamente de todos os dias e não colher o resultado satisfatório nos meses correspondentes? A culpa, mais uma vez, será do participante que errou na forma que fez ou creu?

Is. 47:12 – “Deixa-te estar com os teus encantamentos, e com a multidão das tuas feitiçarias, em que trabalhaste desde a tua mocidade, a ver se podes tirar proveito, ou se porventura te podes fortalecer”.

O cuidado que nos é exigido hoje, é atentarmos para a Palavra de Deus com o rigor bereano, a fim de não nos tornarmos manipuláveis pelos homens, afinal, eles são especialistas em atar fardos pesados e difíceis de suportar, colocando-os sobre os ombros dos incautos; eles, porém, nem com o dedo movem qualquer um deles (Mt. 23:4).

O convite do Senhor Jesus nos é suficiente: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt. 11:28).

Vivamos felizes, satisfeitos com o alívio que o Senhor nos dá, administrando sabiamente as circunstâncias da vida que nos envolvem, sem adotar qualquer falso caminho que nos seja oferecido para alcançar a bênção de Deus.

Somos abençoados por sua graça, por seu amor e por sua vontade. Isto nos basta.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

SE ESTÁ RUIM E SEM OPÇÃO, VOTE NULO, VOTE EM BRANCO.

Em toda eleição, a mesma história. Vamos mudar, vamos avançar, vamos melhorar a vida de nossa gente. No entanto, vejam nossas ruas esburacadas e esquecidas, vejam nossos jovens mergulhados nas drogas e na prostituição, vejam os pais desempregados que sofrem vendo suas famílias em estado de fome e desamparo, vejam as filas do SUS, vejam as habitações em morros e palafitas, vejam as grades de nossas casas e o medo estampado na população que evita sair a noite, vejam a seca do nordeste (ainda continua como “nunca antes neste país”), vejam o sofrimento da compulsão por compra, compra, compra ou do joga, joga, joga.

Um novo ano chegou e com ele um desafio: MUDAR. “Se a gente não muda, nada muda”. Precisamos mudar o foco. Precisamos eleger melhor nossos representantes. É incrível como nos deixamos levar por promessas que sabemos não se cumprirão. É incrível que em tempo de eleição de palhaço, o picadeiro é a nossa vida e o custo do ingresso é o suor do nosso rosto, e ainda sorrimos de nós mesmos, os verdadeiros palhaços.

A hora de mudar é agora.

Aquelas promessas antigas que nunca se realizam; aquele posicionamento moral forçado; aquela frase de efeito onde não se diz o que se ouve; aquela propaganda mentirosa que, repetida insistentemente, se torna verdade; aquela sensação de coisa errada quando afirmamos que nossa vida melhorou apenas porque “o cara” disse que melhorou; todo aquele discurso que político gosta de fazer antes de assumir o mandato e esquece quando assume. Está na hora de aprendermos. Quando eles discursarem, a gente finge que acredita. Quando as urnas chegarem, a gente dá o troco. Se não houver uma melhor opção, vota nulo ou em branco.

A população precisa abrir os olhos, a fim de buscar, enxergar e viver essa suposta melhoria. Vê nossos filhos estudando em colégios públicos de qualidade, perceber e desfrutar de um atendimento médico eficiente e ágil, sentir segurança e liberdade no ir a vir de nossas casas, tranqüilidade na escolha do alimento que colocamos a mesa, isto porque, o poder público, composto pelos políticos e servidores que devem zelar pelo interesse público, vigia a forma como são produzidos, conduzidos e disponibilizados para nós. Além disto, precisamos entender que a verdadeira melhoria só será real, quando nossos salários nos servirem para muito mais que apenas pagarem nossas contas mensais.

Hoje não creio apropriado aquela idéia de votar no “menos ruim”.  Basta! Se forem ruins, não devem receber nosso voto. Sinalizemos, através dos votos branco e nulo, nossa insatisfação quanto às opções que nos são oferecidas e a forma como conduzem nossa pátria. Se as condições das ruas onde trafegamos são ruins, se as condições do atendimento médico são ruins, se a qualidade do ensino é péssima, se a insegurança é geral, nada de votar nos mesmos. Se eles não sabem fazer a distribuição das condições de vida em pé de igualdade para ricos e pobres, vamos fazer a distribuição dos cargos públicos eletivos para gente nova, que não participe de grupos políticos tradicionais, que não precisem pagar o acesso aos palácios e aos contratos.

Se a gente mudar, tudo muda.

Começo em 2011, porque desejo que em 2012, nas próximas eleições, efetivemos esse processo de mudança, antes que seja tarde demais.