segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Não é Fácil

A maior batalha que travo todos os dias não é contra o diabo, o mundo ou um outro semelhante, é contra mim mesmo.
Desde que as verdades de Cristo me foram apresentadas, acreditei nelas e fui crescendo na compreensão dos valores ali embutidos. Desde então, vivo sendo tentado a desistir por causa das injustiças, da minha carne e da apostasia.
Como antídoto, passei a considerar como "esterco" tudo que me fosse oferecido no "lugar" dos altos valores de Deus, e considerar como preciosa a graça e o amor inefável dEle por mim e pelos outros.
Não é fácil, é dolorido, aparentemente (lembram de Elias?) solitário, mas, gratificante pela liberdade que experimento por conhecer a "Verdade que liberta".

Antes, convencido, agora, convertido; antes, um menino, agora, um homem; antes, um servo, agora, um filho; antes, um empregado, agora, um herdeiro; antes, um cego, agora, alguém que viu a "luz" e, fixando os olhos n'Ele, se arrasta tentando seguí-lo para onde Ele for.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Homens e Animais


Os defensores da libertação animal preferem que sejam os homens no lugar dos bichos nos laboratórios?
(Por João Pereira Coutinho - http://www1.folha.uol.com.br - 22.10.2013)
 
É uma marca de progresso: a discussão sobre os "direitos dos animais" chegou ao Brasil. Com estrondo: leio nesta Folha que centenas de cachorros foram resgatados de um instituto de pesquisa médica no Estado de São Paulo. A violência veio a seguir, com carros vandalizados ou completamente destruídos.
 
Nada de novo na frente ocidental. Na Inglaterra, por exemplo, tenho amigos que trabalham com ratinhos de laboratório em suas pesquisas científicas. Nenhum deles comenta o fato em ambientes, digamos, sociais. Como bares, cinemas, restaurantes. Nunca se sabe: pode haver um fanático da "libertação animal" por perto e as coisas descarrilam facilmente.
 
Como já descarrilaram no passado: histórias de insultos, ameaças de morte, agressões físicas e até profanação de sepulturas de familiares de cientistas fazem parte do cardápio. Na experimentação médica, o silêncio, e não o cachorro, é o melhor amigo do homem. Como se chegou até aqui?
 
O filósofo Roger Scruton escreveu um livro a respeito ("Animal Rights and Wrongs", editora Continuum, 224 págs.) que ajuda a explicar o fenômeno.
 
E o fenômeno explica-se com o declínio da religião nas sociedades ocidentais: quando os homens acreditavam que eram os seres superiores da criação, ninguém pensava nos "direitos" ou nas "sensibilidades" dos bichos. Nós, e apenas nós, tínhamos sido criados à imagem e semelhança do Pai. Não havia como confundir um ser humano com um batráquio.
 
A "morte de Deus" alterou a discussão: se não existe um Pai com seus filhos prediletos, então todos somos habitantes do mesmo espaço --e todos somos, como diria o extravagante Peter Singer, criaturas dotadas de "senciência", ou seja, capazes de experimentar a dor e o prazer. Donde, evitar a dor é um imperativo tão legítimo para humanos como para animais.
 
Claro que, nas teorias de "libertação animal", nem todos os animais desfrutam da mesma sorte empática: acredito que mesmo Peter Singer, nas tardes de insuportável calor australiano, também seja capaz de matar uma mosca ou duas. Mas o leitor entende a ideia: se conseguirmos imaginar um animal a falar e a cantar num filme Disney, por que não conceder-lhe estatuto moral pleno?
 
Porque isso é uma aberração filosófica, explica ainda Roger Scruton sobre o argumento Disney: existem traços básicos da nossa comum humanidade que estão ausentes do restante mundo animal. São esses traços que fazem com que "nós", e apenas "nós", sejamos seres morais no sentido pleno da palavra.
 
"Nós", e apenas "nós", somos capazes de julgar, meditar, revisitar o passado, planear o futuro --desde logo porque somos seres temporais por excelência, conscientes da nossa história e do nosso fim.
 
"Nós", e apenas "nós", somos dotados de imaginação e, sobretudo, de "imaginação moral": somos capazes de rir, corar, sentir remorsos ou alimentar indignações (e premeditadas vinganças).
 
E, talvez mais importante, "nós", e apenas "nós", somos capazes de reivindicar e defender "direitos", o que implica que "nós", e apenas "nós", somos capazes de entender o que significam certos "deveres". Como, desde logo, o "dever" de não infligir dano desnecessário sobre animais (moscas excluídas).
 
Será a pesquisa científica um "dano desnecessário sobre animais"?
 
Não creio, sobretudo quando contemplo as alternativas. O americano Carl Cohen, outro filósofo sobre estas matérias que também recomendo aos interessados (com o seu "The Animal Rights Debate"), é primoroso ao colocar o problema no seu duplo e potencial impasse: os defensores da libertação animal preferem que sejam os homens a tomar o lugar dos bichos nos laboratórios?
 
Ou preferem antes que não existam mais cobaias nos laboratórios e que os avanços científicos possam parar de vez neste ano da graça de 2013?
 
Boas perguntas. Esperemos pelas respostas. Mas, até lá, talvez não fosse inútil convidar os militantes da "libertação animal" a recusarem daqui para a frente todos os tratamentos médicos que têm no seu historial o uso de animais em laboratório. Em nome da coerência.
 
Se isso significar, no limite, a morte de alguns dos militantes, tanto melhor: unidos na vida, unidos na morte.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Minhas Reflexões Sobre Temas Bíblicos Não Servem Para a Igreja...

Minhas reflexões sobre a Bíblia, no que diz respeito ao cristianismo, dogmas, usos e costumes, lei e graça, finanças, família, ministério pastoral feminino, não servem...

ü  Para a igreja que não se contenta com o valor histórico e moral do AT, confundindo com um banco de regras que devem ser preservados a despeito do novo pacto firmado por Deus em Cristo;

ü  Para a igreja que coloca o cristianismo acima e independente do Seu Cristo;

ü  Para a igreja que dá maior valor as tradições em detrimento das doutrinas cristãs;

ü  Para a igreja que invés de ênfase nos princípios da decência e da prevenção ao constrangimento, enfatizam regras como vestuário, corte de cabelo e penduricalhos. Aquela educa, esta, oprime;

ü  Para a igreja que reinventa a lei para escravizar na graça;

ü  Para a igreja que "cobra" colaboração financeira ameaçando com o "migrador", o "devorador", o "cortador", o "destruidor", a "locusta", o "pulgão" e outros bichos mais;

ü  Para a igreja que abre mão da família, a fim de justificar atitudes de obreiros infiéis para com suas respectivas esposas/famílias que desejam gozar do padrão matrimonial mundano;

ü  Para a igreja que confunde "pastora de ovelhas" e "magistrada civil" com sacerdócio espiritual, a fim de se adequar a "nova ordem imposta pela pós-modernidade" que obriga liderança feminina, com base na sociologia secular, independentemente do que Deus estabeleceu em Sua Palavra.

Minhas reflexões não servem para igrejas que aprisionam Cristo no tempo e no templo, encarcerando os seguidores de boa-fé nos gostos, achômetros e pensamentos pessoais de seus líderes ou influentes da vez.

Minhas reflexões só servem para uma busca honesta pela verdade, sem os torcicolos das aplicações fraudadas por nossa humanidade perdida.

Muitas vezes erro, mas, tento não ler o que não está escrito, nem entender o que o texto não diz, apenas preservo a regra básica da hermenêutica, "a Bíblia fala por si". Se não está escrito e nem é disto que o texto trata, ignoro e sigo em frente buscando a verdade que me liberta.

Ah! Em tempo. Não fui eu que inspirei ou escrevi os livros da Bíblia, nem inventei a hermenêutica.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Consideração da Presidente Dilma Rousseff Sobre o Dia das Crianças

Afastem as crianças em idade escolar da sala...
 
Este texto se destina aos adultos resistentes, pois, os profundos mistérios revelados exigem do leitor enorme esforço para compreensão.
 
Com a palavra a "filósofa", D. Dilma Rousseff - sobre o Dia das Crianças:
 
“Eu, primeiro, queria dirigir um cumprimento aqui aos nossos prefeitos e às nossas prefeitas, e dizer que muito me honra a presença deles aqui hoje. E, em especial, uma vez que eu estou aqui nesta cidade tão querida que é Porto Alegre, cumprimentar o nosso prefeito Fortunati e a querida, a primeira-dama Regina Becker. Principalmente porque, se hoje é o Dia das Crianças, ontem eu disse que criança… o dia da criança é dia da mãe, do pai e das professoras, mas também é o dia dos animais. Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante.”
 
(Transcrito do site do Planalto por Reinaldo Azevedo).
 
O Ministério da Saúde adverte: "Favor não tentar falar desse jeito. Pode causar sérios danos aos neurônios e, consequentemente, a saúde mental".
 
"É uma vergonha!"

 Valei-me meu Deus!

sábado, 12 de outubro de 2013

A Palavra e o "Espírito" da Palavra

ADORO minha família - Não significa que minha relação com ela é do mesmo tipo do meu relacionamento com Deus. Posso idolatrar alguém dizendo simplesmente que gosto dela (p.ex.: a relação fã/ídolos);
 
Eu sou INCOMPETENTE para programar um computador - Não significa que eu seja INCOMPETENTE para dirigir um carro, escrever um livro ou jogar futebol. A minha INCOMPETÊNCIA como programador de computadores não me torna desqualificado para outras atividades;
 
Eu tenho ORGULHO da minha mãe - Não se trata do mesmo orgulho que se considera superior aos outros ou impede o homem de reconhecer Deus e, humildemente, se aproximar d'Ele;
 
Sou IGNORANTE com relação a física quântica - Não significa que eu seja bruto ou um completo alienado;
 
Pois é...
 
"Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica" (2 Co. 3:6).

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Amar a Deus Acima de Todas as Coisas é, Também, Não Compará-Lo Com Todas as Coisas.

Quem vem primeiro? "primeiro, Deus, depois, nossa família, depois, nosso trabalho..." e assim, prosseguimos em nossa avaliação de Deus. Esquecemos que quando avaliamos, julgamos. A pergunta é: "podemos julgar Deus?" Quais os "justos" critérios mentes imperfeitas, finitas e limitadas se utilizam para avaliar uma Mente perfeita, ilimitada e eterna?
 
Não consigo entender porque colocamos Deus dentro de nossa escala de valores e nos achamos com condições de analisarmos e sentenciarmos Deus. Mesmo que o resultado de nossa avaliação seja a colocação de Deus acima da família, do trabalho, da igreja e até de nós mesmos, não esconde nossa arrogância em, inconscientemente, avaliarmos Deus comparando-o com pessoas e instituições limitadas e imperfeitas.
 
Deus é "hours concurs" (termo utilizado para algo excepcional que vai ser apresentado numa exposição, num concurso, sem estar competindo com os demais, sendo, apesar da subjetividade, considerado de qualidade superior). No caso de Deus, "de qualidade incomparável".
 
Deus é o Ser necessário que não necessita de nada. Deus é o topo, o máximo, o incomparável, o imensurável, o infinito, o ilimitado. Não há razão, portanto, para O reduzirmos e encaixá-lo dentro do conjunto das coisas que podemos avaliar.
 
Vivemos, nos movemos e existimos n'Ele (At.17:28), nossas famílias são construídas e sustentadas por Ele (Sl. 127), a igreja Lhe pertence e nela é manifestada Sua vida (Mt. 16:18 e 1 Co. 12:27), por esta razão, não me atrevo a incluir Deus no campo das minhas avaliações.
 
Deus permeia minha família, meu trabalho, minha igreja, enfim, minha vida e tudo que se relaciona com ela. "Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém" (Rm. 11:36).
 
Primeiro minha família, depois eu, meu trabalho, minha igreja e as outras coisas. Deus? Olhe para tudo isso? O que você vê? Há traços d'Ele impregnado em tudo?
 
O fato de não poder compará-Lo com tudo que existe não extingue a necessidade das nossas atitudes serem capazes de demonstrá-Lo em tudo. Sendo assim, nossas atitudes em relação a tudo é que demonstrará se Deus realmente está em e acima de tudo.
 
Pense nisso!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Minha Mãe, Meu Orgulho.

Há dias que desejo escrever sobre minha mãe. Passando o que passamos nestes últimos anos, tento dimensionar o que ela, especificamente, passou... e sofreu... e viveu.

Não escolhemos nascer, nem onde nascemos, apenas, nascemos. A partir daí, nossa opção é encarar a vida como ela é e fazer escolhas de menor importância, apenas na esperança de alcançar o propósito final de todos: “a felicidade”.
 
Minha mãe foi uma jovem, como outra qualquer, que desejava viver os sonhos juvenis de felicidade em sua realidade de vida adulta. Aos dezenove anos, recebe a visita de um jovem, Cazildo, que a deseja conhecer e casar.

Cazildo era do tipo “sem lenço, sem documento, nada no bolso, nem nas mãos”, mas, tinha coragem, boa conversa, não era preguiçoso, nem cafajeste. Sabia se comunicar e, naquele tempo, as mulheres simplesmente encaravam o candidato que conseguisse a autorização dos pais. Isto Cazildo conquistou e, assim, Valdete seguiu aquele itinerante para uma vida de alegrias, tristezas, desafios e sacrifícios (não, necessariamente, nesta ordem). Sem casa, sem móveis, sem nada... Apenas a coragem para, juntos, vencer os desafios que, nos dias atuais, são intransponíveis para a maioria dos casais.
 
Foram quatorze filhos, poucos recursos e, consequentemente, muito sofrimento. Como o velho trabalhava viajando por cidades, obrigando-o a ficar fora de casa por dias, minha mãe encarava, sozinha, a casa e a grande família. Racionamentos, fome, dificuldades mil que a levaram a encarar jornada dupla, tripla. Trabalho interno e externo, ajudando o marido na busca por recursos que possibitassem diminuição do sofrimento e ajudasse a família a seguir em frente. Neste particular, a fé em Deus foi preponderante para o sucesso.
 
O início de uma vida de sacrifícios, talvez, tenha sido menos difícil para D. Valda, porque não tinha a noção exata do que a esperava. No entanto, terminar relacionamentos sólidos, que passaram pela prova das dificuldades e dos sofrimentos e alcançaram o ápice do vínculo eterno de amor recíproco, é extremamente doloroso.

No caminhar desta família, alguns foram ficando pelo caminho. Cinco filhos e, recentemente, seu marido. E D. Valda...
 
D. Valda foi corajosa quando acompanhou Cazildo;
 
D. Valda foi destemida quando encarou o sacrifício de criar seus filhos e cuidar de seu esposo;
 
D. Valda foi ousada quando encarou as ruas para ajudar nosso pai na busca pelo pão-nosso-de-cada dia;
 
D. Valda foi altruísta quando, renunciando algo melhor que a vida poderia lhe dá, encarou se sacrificar em favor de outros (eu, meus irmãos e irmãs, e seu esposo);
 
D. Valda foi fiel quando jamais fugiu dos compromissos que assumiu, mesmo a custa de tanta dificuldade e sofrimento.
 
Vi minha mãe sofrendo na morte da garotinha Gersonita, vi minha mãe sofrendo na morte do jovem Elias e, por fim, vi minha mãe sofrendo na morte de nosso pai. Dos outros membros da família que deixaram nosso convívio não recordo. No entanto, dos três que acompanhei, nenhum dos dois se compara a despedida do meu pai.
 
O sofrimento para uma mulher que aprendeu a respeitar, a perdoar e amar um homem durante sessenta anos, e é obrigada a presenciar sua despedida da vida, chega a ser cruel, um martírio.
 
Durante esta trajetória, comentava com meus irmãos que o exemplo de nossa mãe era muito forte. Minha mãe foi uma guerreira, brava guerreira. Em momento de agonia, ela me dizia: “minha vontade é gritar!”, mas, ela controlava, se resignava, porque sabia que a referência agora era ela.
 
Sua família, suas crias, olhavam para ela e, de “boca caída”, festejavam a mulher terna, forte e de fé que Deus nos deu. Não a escolhemos. Foi Deus que, por sua graça, nos deu esta mulher como esposa, mãe, avó e bisavó. Por D. Valda afirmo: “Deus só nos dá coisa boa!”
 
A força que a família encontrou para estar com nosso pai em seus últimos dias, veio de nossa mãe. Mesmo debilitada por um AVC, ela não se eximiu de amar Cazildo até seu último momento.
 
Se pudesse, e ela quisesse, levaria minha mãe para morar comigo, mas, são tantas coisas envolvidas, tanta desconfiança, tanta insegurança, que é melhor deixar pra lá...
 
Agora nosso desafio é cuidar dela, é minimizar a perda irreparável e, no esforço máximo, lhe dá o máximo de conforto e alegria que a vida ainda pode lhe dar. Somos parte importante disso.
 
Um beijo mãe. Obrigado por ser quem és, e como és. Se minha vida interrompesse aqui, já teria valido a pena ter existido ao teu lado.
 
D. Valda tenho imenso orgulho de você!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Uma Família na Qual Vale a Pena Pertencer

Bom seria que vivessemos felizes, desfrutando de todo conforto, alegria e sossego que o dinheiro pode nos dá. Para mais de 90% dos brasileiros isso é sonho, utopia até. O dinheiro recebido por 30 dias de árduo trabalho, chega ao fim do mês, sobrando mês e faltando dinheiro. Mas, há um lado bom nas dificuldades, no sofrimento que somos obrigados a encarar. É através das adversidades que mostramos nossa cara, nosso caráter, nosso valor.

Minha família é grande (Maior que esse  texto). E como é bom pertencer a uma família grande. Sem me prender a detalhes, éramos quatorze (minha mãe, meu pai, eu, meu irmão, o outro meu irmão, o irmão do meu irmão, o outro irmão, o irmão desse irmão, a irmã, a irmã dessa irmã, minha irmã, e outra irmã, e a irmã da minha irmã...) e hoje somos em TRINTA E DOIS!!! Mãe, filhos, filhas, cunhados, cunhadas, netos, netas e bisneta. É gente!

Comunicação ruidosa, fácil e difícil, gerando compreensão e incompreensão, promovendo união e desunião, companherismo e entrevero. Tanta gente diferente que um mesmo olhar pode significar aprovação ou desaprovação, carinho ou agressão, daí, uma família grande como esta manter-se unida em torno de algo comum, é extremamente difícil.

Todavia, quando nos concentramos num bem comum, num alvo amorosamente escolhido e compartilhado, conseguimos superar as diferenças e agirmos com um só coração e um só espírito (não seria esta uma prova de que brigamos por pouco? por coisas sem real valor?).

O ambiente não era dos melhores, mas, era o que tínhamos para lidar. Meu pai vivendo seus últimos dias, tendo em seu entorno esta grande família. Unida, empenhada, contida, suportando e se suportando, todos envolvidos no objetivo comum de dar ao nosso velho as melhores condições para finalizar sua jornada terrena.

Ví minha família real, não aquela subjugada pelas sensibilidades exacerbadas, pelas guerras infames, pelo ódio infernal, pela desconfiança vulgar, pela inveja mesquinha ou pela indiferença incompreensível. Vi uma família solidária, de pouca força, é bem verdade, mas, altruísta, cabeça erguida como quem sabe o que fazer, e bem fazer.

Permitam-me tratar pelos nomes de infância ou apelidos carinhosos (isso facilita bastante!)

SeuDéo foi determinado. Incompreendido, muitas vezes, pela aparente insensibilidade. Mas, ele precisou ser duro consigo mesmo para conduzir nossa família nesse momento difícil. E conseguiu ser o "mais velho - primogênito" de sua prole que, acredito, meu pai sonhava;

Vado foi um aliado conquistado, não menos sofrido. Foi acompanhando tudo de longe, de meia distância, de perto... Foi percebendo aos poucos o momento crucial e não se absteve. Do seu jeito, carregou, comprou, limpou, encarou as dificuldades e as dores lado a lado. Companheiro;

Zildinho, o pastor novinho, que respirava com dificuldade procurando abrigo para a dor do coração. Ver o velho, seu nome, sua essência, se despedindo da vida ao som de um violão. E ele canta... Com seu velho pai, ele se despede numa canção;

Tito, o pastor vizinho, presença constante física e familiar. Entrava, olhava, acariciava, tentando reanimar nosso velho num toque, numa conversa carinhosa, numa oração. Saía, sofrendo a dor da despedida iminente;

Detinha, contida, envolvida, chefe do hospital, da enfermaria, do pronto atendimento que está à disposição do paciente onde e quando ele chamar. Assume a guarda e a responsabilidade pelo bem-estar do velho e da velha, não se descuidando nem da higiene hospitalar. Gritar, não podia. Tinha que segurar e apenas se dedicar a arte de servir;

Lucinha é um turbilhão de emoções (para o bem ou para o mau), pronto para explodir a qualquer toque, ou insinuação. É a válvula de escape das nossas emoções que se consolida nela. Sofreu desesperadamente. Mas, Lucinha foi mais. Ela é a cozinheira hábil, dedicada, nutricionista encarregada da alimentação do paciente, do corpo ambulatorial e dos demais servidores. Parou de comer? Não foi por falta de alimento. Lucinha está lá. Tem um prato em suas mãos pronto para servir.

Eli é o mordomo fiel, o fiel escudeiro. Motorista, ajudante, servo dedicado ao trabalho ininterrupto que não se exime do dever... e da compaixão. Foi os braços e as pernas dos nossos velhinhos durante as idas e vindas ao médico, a fisioterapia. Dedicação exemplar, carinho singular;

Girl foi a expressão da dor e do sofrimento. Trazia no rosto a carga da surra que a vida nos dava. Meu pai viu e sentiu o sofrimento da família na face da caçula. Amor, carinho, sensibilidade, sofrimento e dor misturados no ritmo do ocaso.

Mas, não terminou aí...


Patrícia, Neide, Guacira e Marizete fizeram parte daquela equipe que, a priori, ninguém percebe. Apenas os respectivos esposos sabem o apoio importante que deram. Mas, além disso, foram solidárias, atenciosas e amorosas, procurando ajudar como podiam. Saliente-se e, justiça seja feita, Neide e Guacira deram uma mão grande na limpeza. Esmero;

Valdo e Daniel foram os "companheiros do velho nos últimos dias" (parece nome de igreja). No caminho à igreja ou na mesa de jantar, foram a voz que dialogava e os ouvidos que se disponibilizavam para ouvir o que nosso velho tinha a dizer. Sofreram, cada um do seu jeito, e com a dignidade de quem reconhece o valor de um sogro/pai, se mantendo atentos e irmanados no cuidado e no desejo de superação deste tão duro processo.

Vínicius, Samantha, Ingrid, Yasmin, Milena e Talita fizeram parte da equipe médica que, transcendendo a relação avô/neto(as), se sucederam no apoio e nos cuidados ininterruptos que o paciente precisava. Foi exemplo da equipe nota 10. Dia e noite se revezavam no asseio do paciente, no controle da pressão arterial e temperatura, na observância dos horários para medicamentos, no socorro ao paciente para mudar de posição, enfim, uma equipe dedicada, atenciosa e qualificada (Vinícius - biologia; Samantha e Milena - enfermagem; Ingrid - Medicina). Amor sacrificial que com amor altruista se paga;

Netinho, Juliane e Kilane, num abraço, num afago, num copo com água e na tigela de alimento que conduziam da cozinha para sala, pro quarto, no apoio para levantar, na arrumação da almofada, ou somente na voz que repetia: "Vô?", o amparo emocional que fez toda diferença na construção das vitórias diárias necessárias.

Mirela, Tarsila, Renan, Daniel Júnior, Alana, Maria Antonia e Karem, limitados pela idade e, consequentemente, pela dificuldade na real compreensão daquilo que nos envolvia, se alternavam em, apenas com a presença, arrancar um sorriso, um "Deus te abençoe" ou um beijo do seu velho avô. Apenas, e tão somente o futuro, poderá explicar-lhes o drama e convencê-los do valor que, todos, avô/netos/bisneta, perderam;

É, realmente, uma família e tanto! É o resultado do Sl. 128 que impera sobre um bom homem: "...teus filhos, como brotos de oliveira à roda da tua mesa" e "...verás os filhos dos teus filhos" (v.6).

Meu pai pode ter visto o resultado do trabalho de suas mãos e ficado satisfeito.

Não, não me esqueci. MÃE é para um texto a parte (Em seguida, neste blog).

Eu?

Quem lê o meu blog sabe que já a algum tempo sofro (Aqui e Aqui). Desde que recebi a notícia do câncer de próstata, percebi ser um caminho sem volta. A partir de então, muitas noites foram recheadas com lágrimas. Quando tinha forças, ia à casa de meu pai apenas para sentar ao seu lado e abraçá-lo. Outras tantas vezes tentei acompanhar o ritmo dos outros e, quando não conseguia, fugia. Sim, muitas vezes, fugi.

Por vezes tentei levar uma vida como se tudo estivesse bem, normal. Impossível. Sempre me surpreendia com a imagem, a ideia, a sensação, a dor e a constatação que a vida terrena não é interminável e que, para meu velho, era o início do fim. Se tratava do nosso amado pai.

Pai a gente só tem um e apenas uma vez na vida.

Quando noto a dedicação e as obras de cada um, me reduzo apenas a tentativa de ajudar. Tentei ajudar desesperadamente e, inconscientemente, adiar. Mais. Sinto que o pouco que fiz, fiz muito pouco. Mas, agora, me cabe o registro, o reconhecimento do esforço, do empenho e do trabalho de cada um.
SeuDéo, Vado, Zildinho, Tito, Cazil, Lucinha, Eli, Girl, Neide, Guacira, Patrícia, Marizete, Daniel, Valdo, Samantha, Vinícius, Yasmin, Ingrid, Juliane, Kilane, Renan, Maria Antonia, Talita, Tarsila, Netinho, Karem, Milena, Mirela, Daniel Júnior e Alana, se puder ter um pedido atendido por Deus, peço:
"Que Ele abençoe e recompense a cada um, segundo a medida da fé, do coração e das obras oferecidas ao meu pai e minha mãe, como oferta suave ao Senhor".
Vocês foram DEZ! MIL! Vocês são a melhor família que tenho. A Melhor Família do Mundo!
Sinceramente, OBRIGADO.