sexta-feira, 1 de julho de 2011

O Projeto Original do Reino de Deus

Lição nº 1 – CPAD - 3º Tri - 2011
Texto Áureo: Mt 6.33.
Leitura Bíblica em Classe: Mc. 4.1-3, 10-12; Lc. 17.20,21


Inicia-se um novo trimestre com uma série de lições voltadas para a essência da Igreja. Vislumbramos o objetivo de depurar a missão traçada por Deus para a comunidade de seguidores de Cristo, levando em consideração seus deveres e direitos originais estabelecidos e estendidos à todos que integram o Reino de Deus.

Nossa esperança é que voltemos à prática dos princípios cristãos que são normas diretivas para toda e qualquer Igreja que queira se chamar “de Cristo” ou cristã. Para que esta série de lições alcance seus objetivos mais nobres, é preciso aceitar os argumentos exclusivamente bíblicos, rejeitando toda “eisegese” abrigada em tradições e política secular que nos afastam de Deus e dos princípios norteadores do Seu Reino.

Na Bíblia encontramos todos os argumentos sobre o Reino de Deus necessários ao entendimento adequado de suas características, evitando as dúvidas que assolavam os discípulos que andavam, literalmente, com Cristo (At. 1:6,7) e, certamente, assolam ainda hoje muitos dos novos seguidores de Jesus.

Compreendendo o Reino

Destaque-se que a definição sobre o Reino de Deus vai se diferenciar da definição que trata do reino humano, haja vista as características superiores do Soberano que exerce o poder no Reino de Deus. Essas diferenças se baseiam no caráter e na essência do Monarca do Reino de Deus que é superior, em todos os sentidos, dos monarcas terrenos.

Inicialmente, o surgimento de Cristo despertou para os judeus a restauração do reino de Davi entre as nações da terra. Observa-se que muitos seguiam a Jesus porque desejavam serem libertos da dominação política romana e o restabelecimento da nação israelita. Viam no poder e na sabedoria demonstrada por Cristo um sinal de Deus para retomada do seu poder político, isto porque, a coragem demonstrada por Jesus o tornou, aos olhos dos judeus, a pessoa ideal para reivindicar a independência judaica e liderá-los na retomada de Israel como nação. Estavam tão perto de Cristo e tão distantes do Reino de Deus.

Ao longo do seu contato com as pessoas, Jesus sempre os alertava de que seu Reino não era daqui (Jo. 8:23; 14:1-3; 18:36), no entanto, muitos estavam tão cegos pelo poder temporal e humano que não conseguiam ou não queriam enxergar as verdades sobre o Reino de Deus pregadas por Cristo.

Conceito:

REINO: É o conjunto de pessoas (súditos) estabelecidas em determinado lugar, regidas ou governadas por uma única pessoa (rei), constituído soberano, tendo o poder de impor sua vontade no âmbito de seu domínio.

No que diz respeito ao Reino de Deus, é o exercício do controle divino sobre toda sua criação, inclusive pessoas, tanto no presente como no futuro (Mt. 5.3; 12.28; Lc. 17.21; Rm 14.17). Às vezes também quer dizer o período do governo de Cristo aqui na terra (Ap. 20:4), evento futuro conhecido como “Milênio”, e a vida com Deus no céu (Mt. 25:34; 2 Tm 4.18).

Aspectos do Reino

v  Os valores do Reino de Deus não se comparam aos valores dos reinos humanos.

Mt. 6:19-21 -  Jesus conclama que ajuntemos tesouros nos céus. Deixa claro que sinceridade, respeito, humildade, retidão, perdão, compaixão, solidariedade, etc., são as coisas que no Reino de Deus possuem valor (Mt. 5). Erramos quando ligamos o reino de Deus a benesses terrenas que podemos conquistar como resultado do esforço comum. Erramos quando concluímos que as benesses terrenas é a confirmação de que pertencemos ao Reino de Deus (Rm. 14:17).

v  Aos súditos do Reino de Deus não se impõe a vontade do Soberano.

Mt. 16:25; Mc. 8:35; Lc. 9:24; Mt. 16:24 – Em inúmeros textos bíblicos, principalmente aqueles que registram as palavras de Cristo, repetidamente eles anunciam: “quem quiser”. Os súditos do reino de Deus se elegem quando decidem aceitar a Cristo. Portanto as diretrizes do Soberano são aceitas não como imposição de uma simples vontade de alguém (que pode ser fruto de caprichos e vaidades), mas, da aceitação de que as orientações do Soberano representam o que é melhor para a vida do próprio súdito. No Reino de Deus, quem se esforça para seguir, voluntariamente, os princípios cristãos estabelecidos por Jesus, são sempre os maiores beneficiados do Reino.

v  O domínio no Reino de Deus é estabelecido pelo amor.

Mt. 12:33; 22:38,39 - O amor é a ferramenta que une a todos, e disciplina as relações neste reino. Todo vínculo, toda ordem e toda obediência é implementada a partir da lógica do amor a Deus, ao próximo e a si mesmo.

v  O Reino de Deus entre nós diz respeito a ambiente e alcance.

Sl. 23; 91:1,2 – Pertencer a este reino é estar ao alcance de Deus, independentemente da nossa localização. Seja no abismo ou no céu, o olhar, o acompanhar de Deus está sobre nós tomando todas as providências para que nossa trajetória seja segura, tranqüila e eficaz.

O Reino de Deus e a Igreja Local

A igreja local deve ser a representação do reino de Deus entre nós. Quando ela não atende a esta configuração, se torna apenas uma associação de crentes. Observemos Jesus entre nós. Quanto trabalho extra apenas pelo fato de que a “religião” estabelecida, se dizendo representantes de Deus, não O reconhece como filho de Deus. A igreja local dominada por políticas religiosas que foram adotadas apenas para manutenção de si mesmas, perdeu completamente a direção e a inspiração divina para fazer valer o Reino de Deus entre nós.

Nos dias atuais, é preciso entender que a igreja ou denominação que não se conduz pautada nos princípios sagrados, invés de trabalhar em favor do Reino, são mais um entrave ao estabelecimento e propagação do reino de Deus entre os homens, municiando os inimigos da obra de Deus, enfraquecendo os de boa-fé que os procuram em busca das Palavras do Reino e se candidatando aos rigores do julgamento de Deus no Juízo do grande Trono Branco (Ap. 20:12).

Conclusão

No projeto original de Deus consta a determinação de amarmos uns aos outros, e esse amor se manifestará no apoio ao outro em suas necessidades, no respeito ao outro em sua individualidade, na preocupação com a salvação do outro, na segurança do outro em sua caminhada ao céu e, finalmente, na esperança de que ao final da lida, verdadeiramente e literalmente, estaremos para sempre com o Senhor (1 Jo. 3:2).

O Reino de Deus se estabelece entre nós de forma voluntária, abrigando todos que se chegam à Cristo com intuito de dedicar-lhe a vida e devoção. Neste Reino não há hierarquias a serem compartilhadas ou disputadas, não há busca por posição, não há preocupação ou medo, pelo contrário, alegria pelo simples fato de pertencer a ele.

Nós somos os súditos, mas, apesar de súditos fomos elevados a condição de herdeiros de Deus (Rm. 8:17; Tg. 2:5). Cristo é o Rei, e apesar de Rei, não se envergonha de nos chamar “seus irmãos” (Hb. 2:10,11). Este é o ambiente e clima no Reino de Deus.

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