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Evangelho Eterno ou Produto Supérfluo?

(O Que Aconteceu Com a Assembleia de Deus na Bahia - Parte XVIII)

Formar novos discípulos. Isso foi o que nosso Senhor Jesus Cristo determinou aos seus discípulos. "Levem o meu evangelho e formem discípulos" (implícito aqui: discípulos para Ele), ou seja, seu desejo era que, após ficarmos parecidos com Ele, fizéssemos que outros, pela pregação da sua Palavra, ficassem parecidos com Ele também. A imagem e semelhança com Cristo só acontece quando absorvemos seus ensinos.

A responsabilidade dos pregadores, professores e pastores, portanto, é ensinar a Palavra de Deus. É fazer com que aqueles que os ouvem entendam o plano de Deus e se afastem do que desagrada o Senhor. É apontar o caminho, Cristo, e ao longo da jornada, dizer aos viajantes: “vamos em frente, o caminho está certo, o Senhor está conosco e o tempo de chegar está cada vez mais perto.” É chamar, animar, carregar, reanimar e sustentar a vida espiritual dos que se propõem a ir à casa de Deus (céu), lar de Jesus.

De repente, o ideal mudou. Pensamos no céu, mas nos empenhamos na conquista das benesses da terra; Falamos da volta de Cristo, porém, intimamente (ainda que nem tão intimamente assim), desejamos que Ele demore um pouco mais; Reconhecemos que Deus é o Senhor, todavia, invertemos o papel e damo-lhes ordens. Como pode ser isso? É simples. Já observastes as pregações e os ensinos que, diariamente, são ministrados em nossas igrejas?

Pregar é apresentar, preliminarmente, o evangelho de Cristo. Esta apresentação preliminar requer o cuidado de não estar divorciado das doutrinas bíblicas e da essência do evangelho. Deve ser cristocêntrica e o pregador deve evitar “colar” em si a honra da Palavra e o poder de Deus. Deve levar as pessoas a uma reflexão sobre as ações que desagradam a Deus e a oportunidade que lhes é oferecida para restabelecerem a comunhão com o Senhor pela aceitação da morte vicária de Cristo na cruz do calvário. Deve alertá-las sobre a volta de Cristo para cumprir sua promessa de levar aqueles que O recebem para um lar eterno.

Sem querer generalizar, não é isso que estamos vendo e ouvindo. As preleções atuais invertem valores. “É pensar nas coisas que são da “terra,” e as coisas do céu serão acrescentadas por Deus.” Estão usando a mesma técnica que se usava em tempos remotos por outros clérigos cristãos, quando misturavam o santo com o profano a fim de tornar a pregação mais “moderna,” e desta forma, “facilitar” a absorção do evangelho pelas pessoas. A idéia era trazer as pessoas para Cristo, sem que isso interferisse na sua vida secular.

Em razão disso, estamos assistindo as ofertas do evangelho de supermercado: casas, carros, empresas, rosas, lenços, pedras e óleos, dentre outros. Invés de apresentarem a salvação em Cristo anunciam unicamente curas, libertações, soluções financeiras, enfim, vitórias materiais e físicas. Este é um evangelho estranho. Um evangelho que iguala as riquezas de Deus e as riquezas humanas, confundindo religião com sistema financeiro.

É por esta razão que os templos ficam superlotados das mesmas pessoas que repetem os mesmos “mantras” e recebem as mesmas curas do culto anterior. Tudo se repete como numa hipnose. Pouco importa o resultado ou propósito, apenas repete-se as ações e as palavras. Esquecem que milagre nasce no mundo espiritual, mas se manifesta no mundo físico. Inicia-se no mundo do “crer” e termina no mundo do “ver”. Fé sem obras é morta! (Tg. 2:17).

Deus tenha misericórdia de mim... ou de nós!

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