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Ah! Os Bons Obreiros. Eles Existem. E Como Sofrem.

(O Que Aconteceu Com a Assembleía de Deus na Bahia - Parte XVII)

Citei, anteriormente, a existência de bons pastores que tiveram sua chamada confirmada pelo Senhor e pela igreja, sendo aprovada pelo testemunho de vida compromissada com a ética, com a doutrina bíblica, com a sinceridade e vocação ministerial. Com o passar dos anos, esta estrutura injusta e inadequada fomentou o surgimento de clérigos problemáticos. Negligenciaram na escolha a voz de Deus e do bom senso. Descuidaram da plantação. Misturaram a água, plantaram semente diferente, acobertaram-na impossibilitando a boa cobertura do SOL DA JUSTIÇA e negociaram seus frutos. Com todo respeito e pedido de perdão aos atuais, porém, a safra de obreiros, hoje, não é boa. Os maus prevalecem, e os bons se submetem e covardemente calam.

Este silêncio, adotado pelos bons obreiros, faz com que, todos, indistintamente, sejam jogados na vala comum da inaptidão. Os bons imaginam que com seu silêncio estão colaborando com o desenvolvimento da igreja sem alterações e/ou contratempos. Imaginam que, aceitando todas as injustiças e ações irregulares, estão colaborando para não exposição das mazelas e, com isso, evitando lutas e escândalos que abalariam a fé dos neófitos.

Pelo contrário, colaboram, pela omissão, com a falência da organização, sufocamento e aniquilação do organismo, além de receberem sobre si o pesado estigma de incompetentes, carnais, politiqueiros, gananciosos, e outros adjetivos pejorativos que, sinceramente, não merecem.

A Assembléia atual não é nem sombra do que foi anos atrás. Sei das diferenças entre hoje e ontem. Ela cresceu como fruto do trabalho árduo de homens humildes e pobres que não mediam esforços quando o objetivo era ganhar almas para Jesus. Assumiam uma igreja ou trabalho ministerial para cumprir sua missão espiritual e deixar um legado de resignação, amor altruísta e determinação para as gerações futuras. Ao invés de se preocuparem exclusivamente com a receita financeira da congregação, preocupavam-se prioritariamente com “ganhar almas para Jesus”, “curar enfermos”, “libertar oprimidos”, “levar os novos cristãos a receberem o batismo com Espírito Santo” e “confirmá-los na caminhada para o céu”.

A Assembléia de Deus em Salvador se perdeu na desorganização. Perdeu o foco, inverteu valores, fez aliança inconveniente (jugo desigual) e trouxe para nosso meio meninos, “espertalhões e espertalhonas”.

O que temos hoje? Um emaranhado de gente confusa, iludida, desorientada, fragilizada, girando em torno de si mesmos como insetos aturdidos por inseticida. Gente sem profundidade, sem base de sustentação. Vidas construídas em areia movediça. Todavia, não nos iludamos achando que são os únicos culpados. Culpados também são os formadores de opinião que ocupam os púlpitos para oferecerem “casca bíblica”: “tem fogo aí?” “receeeebaaaaaaa!” “agora, agora, agooooorrraaaa”, “jogue as mãos para cima e dê um glória!” (só falta mandar dá uma abaixadinha...) tudo oferecido com o ímpeto das “gargantas santas”. Isso cansa e não edifica ninguém.

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