terça-feira, 21 de junho de 2011

Aviva, ó Senhor, a Tua Obra.

Lição Bíblica nº 13 – CPAD – 2º Tri / 2011
Texto Áureo: Is. 44:3
Leitura Bíblica: At. 19.1-6,11,12,18,19

O pedido de Habacuque, transcrito para tema da lição deste domingo, reflete um pedido urgente pela restauração da confiança em Deus, mesmo diante do iminente risco de serem devastados pelos inimigos babilônicos. Todavia, o desejo exposto nos textos bíblicos elencados para alcance do objetivo proposto, nos remete a uma análise mais ampla deste assunto tão necessário nos dias de hoje.
 
Conceito: Avivamento vem de avivar, que significa, 1 - Dar vivacidade a. 2 - Tornar mais vivo. 3 - Fazer reviver, renovar. 4 - Fig. Animar. 5 - Realçar.

Não é conceder vida a alguém, mas, fazer com que alguém que já tenha vida e por algum motivo a tornou inerte, volte a manifestá-la. Avivamento, portanto, é “dar movimento a vida”.

A Bíblia trata sobre o avivamento nos Antigo e Novo Testamento dando ênfase a intervenção divina, seja no que diz respeito estritamente ao relacionamento com Ele (Esdras; Is. 44; Habacuque), seja no que diz respeito a seu povo como canal de manifestação do seu poder (Atos dos Apóstolos). Com base nisto, o avivamento deve ser levado em consideração sob os seguintes pontos:

1.       O avivamento diz respeito a comunhão entre o homem e seu criador.

Desde que o pecado teve acesso ao coração do homem, fazendo-o se distanciar de Deus, é interesse primordial do Senhor reatar este relacionamento. É por esta razão que os avivamentos verificados no Antigo Testamento, primáriamente, sempre buscam um melhor relacionamento entre o homem e Deus (Js. 24). Obviamente que, em virtude da fraqueza humana, é sempre o Senhor que disponibiliza o poder para que o homem consiga manter um mínimo de fidelidade no relacionamento com Ele.

2.       O avivamento diz respeito a manifestação do poder de Deus para capacitação do homem à seu serviço.

No NT a ênfase dada as intervenções espirituais como curas, ressurreições, alterações na natureza e libertação de oprimidos, era necessário, pois, estes sinais confirmavam para os incrédulos que Jesus Cristo é o Filho de Deus e Salvador do mundo (Lc. 7:22). O objetivo era primeiro, através do próprio Cristo e, por fim, através dos apóstolos, validar a verdade das Sagradas Escrituras, fazendo com que as pessoas pudessem enxergar em Cristo a luz salvadora do homem.

Nestes dois pontos aparecem implicitamente duas situações que requerem atenção especial. Os sinais chamam a atenção do homem para as verdades de Deus, fazendo com que tenha condições de se decidir por Cristo. Decidido por Cristo, os sinais servem para manutenção de uma fé viva e longânime no Senhor.

O avivamento é necessário para salvação de outras pessoas, porque para serem salvos precisam invocar o nome do Senhor, mas, como invocarão se nunca ouviram falar, e como ouvirão se não tiver quem pregue, e como pregarão se não forem enviados (Rm. 10). Jesus recomenda o dever de pedir ao Senhor da seara que envie ceifeiros para sua seara (Mt. 9:38), fazendo isto, o Espírito Santo separa os tais para que assim procedam (At. 13:2). Isto é avivamento.

O avivamento é necessário para que a fé inicial seja mantida e cresça ao longo do relacionamento com o Senhor. Isto se dá pela ministração de uns para com os outros, através dos dons disponibilizados pelo Espírito Santo à igreja (1 Co. 14:12,26; Ef. 4:11-13). Isto é avivamento.

3.       Avivamento Genuíno Só é Possível Pela Palavra de Deus

O que comumente chamamos de avivamento é o barulho intenso e alto de nossos cultos, é o falar indistintamente línguas estranhas sem a preocupação de que haja interpretação e, conseqüentemente, a edificação dos outros, é o movimento promovido por músicas sem nenhuma inspiração, alheio ao ambiente de culto, patrocinadas por ritmos delirantes e letras desprovidas de qualquer amparo bíblico. Na verdade confundimos satisfação da carne com a satisfação do Espírito, por esta razão, uma pessoa pode durante o dia ter se corrompido com brigas, invejas, maledicências, enfim, pecados dos mais variados graus, e no culto à noite, falar noutras línguas, profetizar, pregar, expulsar demônios e curar enfermos (Mt. 7:20-23).

Isto acontece porque impedimos a ação do Espírito Santo em nossa mente e coração, impossibilitando assim a transformação de nossa natureza má e rebelde em santa e obediente a Deus. Quando isto acontece, nos iludimos com uma autojustificação baseada em nosso próprio conceito de justiça (Is. 64:6) e a revelia do caráter de Deus. É comum defendermos nossas idéias completamente desprovidas de base bíblica porque é o que nos acomoda e não nos fustiga a mudança de comportamento. Como perdoar aquele que nos fez mal, quando nossa natureza justifica que nós somos a vítima? Como reconhecer que o outro é melhor do que eu, quando nosso orgulho nos cega e aponta num sentido diferente? Como renunciar um nosso direito líquido e certo, apenas para que o outro se salve? Só através da ação do Espírito Santo, ministrando em nossos corações a bendita Palavra de Deus. Só a aceitação voluntária e genuína da palavra de Deus promove isto.

O verdadeiro avivamento gera este milagre, porque é fruto da Palavra de Deus recebida graciosamente e voluntariamente por quem a ouve, e receber não é apenas ouvir, mas, acima de tudo, praticar seus ensinos (Lc. 6:47; Mt. 7:24,25). É aquele “mover” que antes de mudar o outro muda a nós mesmos. É aquela “unção” que não se reveste de máscara, pelo contrário, nos desnuda e humilha diante da necessidade de nos convertermos diuturnamente ao Senhor.

Como os discípulos no caminho de Emaús, podemos, à proporção que vamos contatando com o verbo de Deus (a Palavra), nos enchermos do poder do Espírito e sentirmos fervor e “renov’AÇÃO”.

4.       Finalmente, Quando Deus aviva sua obra:

Ø  Todos os cristãos envolvidos são impulsionados pelo Espírito Santo (At.2).

            Isto significa que o mover espiritual deverá ser manifestado num comportamento adequado ao padrão bíblico, seja no desenvolvimento das atividades de expansão – “ide e pregai o meu evangelho” (Mc. 16:15) - seja no desenvolvimento da comunhão com os outros cristãos – “Para que eles sejam perfeitos em unidade... (Koinonia – Jo. 17:20-23). Por esta razão, na vida de uma pessoa ou obra avivada nitidamente se percebe a prevalência do fruto do Espírito (Gl.5).

Ø  Há milagres (At.3:1-10).

Milagre é a atuação sobrenatural numa situação em que as forças humanas, científicas ou naturais já não podem modificar uma adversidade. É uma demonstração do poder de Deus (Rm. 1:16), que tem como objetivo principal, a salvação de vidas. Inúmeras vezes o milagre acontece para atender a necessidade de um Seu filho ou Seu povo que resulte em honras e glórias ao Seu santo Nome.

Ainda hoje Deus manifesta seu poder realizando milagres, porém, em virtude dos falsos profetas infiltrados no meio do seu povo, forjando atos miraculosos apenas para conquistar credibilidade e arrecadar mais recursos financeiros, apoiados por sacerdotes que a qualquer custo desejam se manter com uma coroa que já lhe foi retirada, e um povo sem conhecimento e de boa-fé ávido por espetáculos circenses (Jr. 5:30,31), a incredulidade tem encontrado espaço, tornando raro a ocorrência e o testemunho dos extraordinários milagres que, a despeito de raro, ainda acontecem como marca da igreja do Senhor Jesus.

Ø  A obra de Deus sofre perseguição (At. 4:1-4; 7).

Como conseqüência de sua marcante presença e atuação, sendo coluna da verdade no meio de uma sociedade que deliberadamente transgride contra Deus, a igreja enfrentará a oposição daqueles que desejam calar a sua voz como representante do Criador, afinal, as advertências da Palavra do Senhor incomodará indistintamente não apenas a rebelião do pobre, mas, também do rico, não apenas o espírito hedonista do plebeu, mas, também, do rei.

Por esta razão, é fato que, quando a obra de Deus é avivada, as hostes do inferno se inflamam e “tentam” impedir o avanço do evangelho propagado pela igreja do Senhor Jesus Cristo (2 Ts. 2:14-16). Todavia, um povo avivado prossegue em sua missão, sabendo que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt. 16:18).

Ø  A Igreja não aceita conviver com pecado (At. 5:1-11).

A igreja floresce na pureza do Espírito Santo. Isto não quer dizer que não enfrenta problemas relativos a desvios espirituais, e sim, que não faz "vistas grossas" a pecados praticados por quem quer que seja. Ela se mantém firme na manutenção da pureza cristã e amavelmente graciosa em relação ao pecador arrependido. À esse, lhe apresenta a graça divina que perdoa e ampara. Porém, ao pecador contumaz, àquele que apenas aquieta sua consciência com justificativas vazias e humanas, não compactua com sua prática, revelando-lhe seu erro (que deve ser demonstrado à luz das Sagradas Escrituras), aconselha-o amorosamente ao arrependimento (mudança de atitude), todavia, deixando-lhe claro como a luz, que não haverá qualquer aquiescência com o pecado que o afasta de Deus. Em o pecador aceitando a admoestação, recupera-se uma vida e prossegue-se o curso natural da vida cristã, em não ouvindo a repreensão, a igreja apenas ratifica, mergulhada num profundo sentimento de dor, o estado de separação que a pessoa, deliberadamente, insiste em permanecer.

O pecado é um obstáculo a atuação do Espírito Santo, sendo, portanto, um empecilho ao avivamento que ora se pede (Is. 59:2). A igreja avivada ama o pecador, porém, se insurge contra seu pecado, pois ofensivo é aos olhos do Pai, de seu Filho e do divino Espírito Santo.

Ø  O evangelho é propagado aos “quatro” cantos da terra (At. 13-21).

Por todos os meios a igreja passa a expandir o evangelho do Senhor Jesus (1 Co. 9:19-22). Ela não se contenta apenas no louvar a Deus por tamanha dádiva, pois, tem consciência da existência de outros tantos que morrem sem Deus, sem paz e sem salvação. Ela desenvolve a comunhão entre os irmãos, mas, seu espírito é impulsionado a falar para todas as gentes as verdades de Deus e sua graça salvadora.

Como dizia meu querido e velho pai, “a vontade de pregar é como uma ânsia de tosse, em se sentindo vontade, não tem outra solução, senão, abrir a boca e anunciar as boas novas de salvação em Cristo Jesus”. No pentecoste foi dado aos discípulos “A Vontade” de ser canal de bênçãos para o pecador. Esta “Vontade” é ainda hoje derramado nos corações daqueles que entregam suas vidas à Deus e insistem: “Aviva a tua obra, ó Senhor!”

CONCLUSÃO

A apostasia do tempo final incomoda e angustia os verdadeiros servos do Senhor. Aqueles que não estão preocupados com posição, dinheiro e outras benesses materiais e fúteis, clama insistentemente à Deus que desperte a sua obra no meio dos anos (Hb. 3:2), para que ela possa cumprir o seu propósito.

É desejo de Deus atender esta oração, no entanto, cabe à nós, seus servos, oferecer sinceramente nossa vida como sacrifício vivo, santo e agradável ao Senhor. Esta “oferenda” partirá de um coração puro que percebe e sente as emoções de Deus, e de uma mente convertida pelo Espírito Santo que vislumbra os planos do Senhor e Seu desejo para com seu povo.

Uma obra avivada significará a ocorrência de milagres genuínos, de conversão genuína, de comunhão sincera, de combate ferrenho contra o pecado, e de real vitória sobre nosso adversário evidenciada na transformação de vidas pela pregação da poderosa Palavra de Deus.

AVIVA, Ó SENHOR, A TUA OBRA!

Amém. Que seja a nossa oração.

Bibliografia

Concordância Bíblica Abreviada – Edição Contemporânea - Editora Vida – 1992
Espada Cortante – Volume 2 – O. S. Boyer – IBAD
Pequena Enciclopédia Bíblica – O. S. Boyer – Editora Vida – 1978
Bíblia de Estudo Pentecostal – Revista e Corrigida – CPAD - 1995
Dicionário Bíblico (www.casadosenhor.com.br)

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