domingo, 8 de janeiro de 2012

A Verdadeira Teologia da Prosperidade Existe, Mas, Não é Esta Que Está Aí.

A teologia da prosperidade é aquele conjunto de crenças que, adotadas pelo fiel, lhe concederá crescimento. O resultado pretendido é, sempre, casa, carro, viagens, enfim, tudo aquilo que o vil metal possa lhe proporcionar. A prosperidade tão propagada enfatiza não apenas o crescimento, como, também, a idéia de que uma pessoa é identificada como “abençoada” por Deus apenas pela quantidade de bens que possui.

Os adeptos da teologia da prosperidade acreditam que a verdadeira fé não espera acontecer, fez seu voto, “exige” de Deus que faça a sua parte. Observe como muitos desses crentes estão com os lábios cheios de clichês como “eu profetizo”, “eu determino”, “eu reivindico”, “eu tomo posse”, “eu exijo meus direitos”, “eu resgato” ou o absurdo “eu ordeno minha benção”. Nesta teologia, Deus não é o Soberano, Ele é o servo, o empregado. A ordem emana do crente.

Vejam alguns exemplos abaixo do que dizem alguns dos pregadores envolvidos com a teologia da prosperidade que, na verdade deixaram de ser discípulos de Cristo para se tornarem discípulos de Kenneth Hagin (O material abaixo foi retirado do site WWW.tocabatista.blogspot.com).

“Mais uma vez, como profeta de prosperidade para estes negros dias de crise, eu afirmo: DEUS ESTÁ INTERESSADO NO BOM ANDAMENTO DE SUAS FINANÇAS. Acredite nisso. Ele é um Pai amoroso. Pare um pouco, respire fundo e repita em voz audível e com convicção, por três vezes: DEUS ESTÁ INTERESSADO EM MEU SUCESSO FINANCEIRO. Agora repita em voz alta, como um brado de vitória: DEUS VAI MUDAR MINHA VIDA FINANCEIRA PARA MELHOR (NETTO, Cristiano. O Melhor Vencedor do Mundo, 5ª ed. Ed. e Distr. Provisão e Vida. Curitiba, PR: 2003. p.90)”

 “Mas, se você quer uma máquina de costura, guarde a imagem dela com a certeza absoluta de que ela está sendo feita ou de que está a caminho. Depois de formar o pensamento uma vez, acredite absoluta e definitivamente que a máquina de costura está a caminho. Nunca pense ou fale nela a não ser com a certeza de que vai chegar. Afirme que ela já é sua” (WATTLES, Wallace Delois, A Ciência de Ficar Rico, 6ªed. Editora Best Seller. Rio de Janeiro, RJ: 2008. pp. 38,41).

Nota-se, portanto, que outro eixo propulsor da teologia da prosperidade é a “confissão positiva”, ou seja, apesar das orações dirigidas à Deus, o resultado alcançado é fruto apenas do que a pessoa “determinou” e “acreditou” em seus “pensamentos”.  É a ênfase na “fé” e não no Deus pela qual a fé deve está amparada.

A teologia da prosperidade pratica outra artimanha que é utilizada habilmente pelos especialistas do marketing. “Despertam uma necessidade para vender uma facilidade”. Os pregadores, conhecedores das dificuldades que o povo enfrenta, estimula aquele desejo que todos possuem de se livrarem de uma vez por todas das dificuldades que, invariavelmente, têm como pano de fundo, nossas finanças. Logo, o estímulo é direcionado para recebimento de uma bênção tal que, como num passe de mágica, lança todas as nossas dificuldades no mar do esquecimento. A partir daí, é só carro novo, casa grande e nova, dinheiro para viagens e para gastar nababescamente.

Este “vento de doutrina” apenas coloca em evidência a ignorância de nosso povo e a falta de conhecimento que, como dito pelo profeta Oséias (4:6), é a causa de sua destruição. O estímulo que o próprio Deus faz aos cristãos, através de Sua Palavra, é que “examinem as Escrituras”(At. 17:11; 2 Co. 13:5; 1 Jo. 4:1), para que possam verificar se aquilo que dizem é assim como dizem. É evidente a necessidade de conhecimento bíblico no que diz respeito a esta teologia e a todos os outros desvirtuamentos que assolam a igreja que abriga o Corpo de Cristo.

Os propagadores da teologia da prosperidade estão extremamente interessados nela porque são sustentados por ela. Bom seria que, cada palestra, pregação, encontro, ou qualquer outra atividade realizada em que o pregador, conferencista ou palestrante recebesse alguma “ajuda”, fosse divulgado para a igreja. Não digo divulgar num culto público, pois, foge dos objetivos do mesmo, mas, pelo menos, num culto de oração. A transparência é uma arma que ajuda no combate os falsos profetas e suas falácias.

Que fique claro. O obreiro decente, sincero e comprometido com a obra de Deus deve ser ajudado e amparado dentro das possibilidades da igreja. Não como uma imposição, mas, como digno de ser ajudado para que continue em seu trabalho de edificar o povo de Deus na Palavra de Deus. Isto não significa que a igreja não possa ter conhecimento dos valores que ele recebeu. Para o obreiro sincero, decente e comprometido com o Reino de Deus, a igreja deve se alegrar por poder ajudá-lo (Gl. 6:6; 1 Tm. 5:18).

Mas, qual é o problema. Vou apenas transcrever as palavras do Senhor através do profeta Jeremias: “Porque ímpios se acham entre o meu povo; andam espiando, como quem arma laços; põem armadilhas, com que prendem os homens. Como uma gaiola está cheia de pássaros, assim as suas casas estão cheias de engano; por isso se engrandeceram, e enriqueceram; Engordam-se, estão nédios, e ultrapassam até os feitos dos malignos; não julgam a causa do órfão; todavia prosperam; nem julgam o direito dos necessitados. Porventura não castigaria eu por causa destas coisas? diz o SENHOR; não me vingaria eu de uma nação como esta? Coisa espantosa e horrenda se anda fazenda na terra. Os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; mas que fareis ao fim disto?” (5:26-31). Basta.

Em certa ocasião, um determinado conferencista, com uma carta de apresentação assinada pelo então Pr. Presidente, chegou a nossa congregação com a proposta de realizar uma campanha para melhoria das contribuições financeiras em nossa igreja. Nosso Pastor, evitando atritos com a direção central, não colocou qualquer empecilho para sua atividade. Este conferencista, então, se pôs a realizar o “seu trabalho”. Ele seria realizado em três dias e, nos dois primeiros dias, não haveria coleta de ofertas.

Desconfiei. Ninguém pode alterar o que a Bíblia estabelece como princípio a ser observado pelos cristãos. O ofertório faz parte do rito e visa o sustento da obra de Deus. Diga-se de passagem. É para o sustento do trabalho executado por nós, homens, aqui na terra. O dinheiro arrecadado em ofertas e dízimos não é para uso de Deus, no entanto, o testemunho dado no ato de ofertar e dizimar são levados para diante do seu trono e pode ser recebido como cheiro suave ou não (Fp. 4:18; Is. 1:12,13).

No terceiro dia, “o grande dia”, todos deveriam vir “preparados”, ou seja, com o máximo de dinheiro disponível. O conferencista, então, fez aquela preleção, e como estávamos com o templo em reforma, enfatizou que as contribuições impulsionariam a sua conclusão. Tudo feito, tudo terminado. De repente, meu pastor manda-me chamar, e ao chegar a secretaria, pediu-me que aguardasse ao seu lado. Com o conferencista sentado a sua frente eles travam o seguinte diálogo: “Como é que o Sr. Trabalha” – pergunta-lhe o pastor. O conferencista sem o menor constrangimento responde: “por onde passo, recebo 50% do que é arrecadado”. O pastor, após uma rápida olhada para mim, determina ao tesoureiro que lhe entregue o valor.

Esta história não me foi contada. Fui testemunha ocular dos fatos.

A teologia da prosperidade progride por causa dos incautos, da sagacidade dos seus pregadores e por causa da necessidade crescente por dinheiro na igreja. Templos maiores, maior quantidade de obreiros, maior quantidade de membros que exigem maior quantidade de departamentos, de atividades, enfim, de recursos financeiros para seu sustento que impõe ao pastor uma cruzada diária por recursos financeiros a todo custo. Deus, então, deixa de ser Deus para ser apenas um “menino atrás do balcão”. A igreja em Laodicéia é um bom exemplo das conseqüências colhidas pela igreja que adota a teologia da prosperidade de Kenneth Hagin e seus discípulos (Ap. 3:17).

Para solução do problema, basta um retorno à boa, perfeita e agradável Palavra de Deus; basta o cuidado de entender e aceitar, sinceramente, a nova aliança no sangue de Cristo; basta um olhar sincero no comportamento de Jesus e a determinação de copiá-Lo, entendendo que as regras para nossa vida cristã se encontram no Novo Testamento, especialmente, nas palavras de Cristo.

A verdadeira prosperidade não se caracteriza por alguns enriquecidos em nosso meio, mas, pelo progresso do corpo como um todo (At. 2:44,45) e no atendimento das necessidades uns dos outros. Quem deseja desfrutar da verdadeira prosperidade deve andar como Cristo, olhando seus pés empoeirados, apesar dos carros com tração animal comum de sua época. Quem deseja a verdadeira prosperidade nada exige de Deus, apenas agradece, pois, muito ou pouco, “até aqui nos ajudou o Senhor” (1 Sm 7:12; Sl. 23:1). Quem deseja a verdadeira prosperidade percebe que o maior bem de Cristo foi sua própria vida e não o que Ele possuía. A verdadeira prosperidade nos remeterá para a verdadeira bênção de Deus, “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm. 14:17).

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