quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Gostar de Inutilidades é Andar Muito Próximo do Chão

Em inúmeros programas de televisão, em jornais, revistas, no rádio, na internet, estão eles lá. Gente como a gente, mas, elevadas ao topo da atenção por força de propaganda massiva da mídia que insiste em vender ilusão da felicidade pela fama e suposta riqueza. É a massificação da alegria do ter que forja um “ser” separado de si mesmo, invariavelmente, travestido de uma importância que suas obras e, na sua grande maioria, suas palavras atestam que não têm.

Seguindo a máxima do nazista Joseph Goebbels, em que “a mentira repetida se torna verdade”, a mídia repete que determinada pessoa é importante para o restante da população e, pela repetição das notícias, somadas a ignorância da maior parte da população, encontra eco e audiência. É fulano que foi à praia ou ao restaurante com filho, sem filho, com namorada, sem namorada... e daí? Que importância têm o fato desse cidadão ter ido à praia para nós? Certamente a mesma importância que qualquer outro, nenhuma.

A mídia perde um tempo enorme com informações que não acrescenta absolutamente nada para as pessoas, apenas enche o ego do objeto da notícia e os cofres dos seus patrocinadores. Algumas dessas celebridades aparecem apenas como o "grotesco", aquele tipo de espetáculo que arranca sorrisos do ridículo. Sobem ao picadeiro por qualquer dinheiro a custa de sua própria dignidade. Outras, porém, aparecem em razão do jogo de mercado, pois, tem lhe patrocinando uma série de produtos que precisam mostrar sua cara e, consequente, obter recursos junto a população para pagar as inserções na mídia. “É o círculo que impulsiona o circo”.

Bons formadores de opinião reclamam um povo mais crítico, mais cobradores de seus direitos, mais conscientes de seus deveres, mas, como? O que a mídia vende como importante é a vida do jogador de futebol da vez, é a mulher “bombada” travestida de fruta de época, é a atriz ou ator que não diz coisa com coisa, mas tem um rostinho bonito; é o “cantador” que com sua voz de galo fanho vocifera músicas que apenas denigrem a raça humana, haja vista a pobreza de suas composições pela absoluta falta de inspiração poética e capacidade intelectual.

Como um povo mais consciente se essa “consciência” exigirá dos profissionais envolvidos com mídia mais qualidade e, consequentemente, mais trabalho? A inversão de valores atual faz com que se possa alimentar a população, intelectualmente, com coisas sem qualquer valor nutritivo. Há, sim, entre nós, gente que tenta fazer ouvir sua voz na tentativa de requerer dos editores-chefes das redações e diretores dos programas de televisão, que nos dê um mínimo de qualidade possível, mas, eles preferem nivelar por baixo. É mais barato e o retorno em audiência e patrocínio é mais rápido.

O gosto da maioria é por “barracos”, “futilidades”, “atrocidades”, “aberrações”, e aí, ninguém “ousa” oferecer-lhes algo melhor, pois, certamente, não receberá adesão daquela empresa que apenas quer vender, vender, vender, para ganhar, ganhar, ganhar a qualquer custo, e a população que sobreviva como puder.

Quanto mais rude o povo, melhor; quanto mais ignorante em relação aos seus direitos e deveres, melhor, principalmente para políticos, magistrados e governantes. A piada de mau gosto é melhor, o programa de mau gosto é melhor, o folhetim de mau gosto é melhor, a barraqueira é melhor, a música de baixaria é melhor... e "o pior assume a condição de melhor", fazendo com que "o melhor se transforme no pior”.

É por esta razão que nossa população só fica indignada apenas quando seu time perde, quando a seleção da CBF perde, quando o mocinho da novela perde, quando o “bombado” do BBB perde. Estas são suas “coisas importantes”.

Nós precisamos mudar, mas, como?

Poderíamos mudar com uma religião que não tivesse a mesma visão de mídia da mídia secular, mas, vejam a Rede Record; poderíamos mudar com políticos cristãos que não se assemelhassem àqueles que fazem parte do sistema/esquema, mas, onde estão eles? Provavelmente orando agradecendo por um dinheiro de origem duvidosa. Poderíamos mudar com ONGs que fomentassem na população uma mudança de cultura, de pensamento, mas, elas devem estar envolvidas em algum “programa” governamental que embriaga a população carente fazendo-os acreditar que o governo está fazendo o que pode em sua defesa; poderíamos mudar com expoentes cristãos, como cantores e pastores, abrindo mão das delícias do cristianismo-capitalista em favor do cristianismo-protestante, mas, eles desistem de lutar em favor dos pobres e por justiça, pois, sempre haverá pobres e injustiçados entre “vós”.

As insignificantes notícias do mundo das celebridades e sua repercussão é apenas a constatação de uma forma diferente da máxima de Joseph Goebbels entre nós. A ávida busca por notícias sobre gente que não nos acrescenta nada é apenas a confirmação de que gostamos do cheiro e da visão de coisas estragadas, podres. Isto é sinal de que estamos muito próximos do chão. Rastejamos.

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto” (Ruy Barbosa).

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