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Partidos - Sintoma de Uma Igreja Doente

Um dos desejos de Cristo exposto para os seus discípulos foi a unidade. Seu profundo interesse era ver um povo formado de toda língua, povos e nações, reunidos ou, pelo menos, unidos em seu nome. Imagine o tamanho do desafio. Pessoas nascidas em lugares e circunstâncias diferentes, criadas em ambientes diferentes, de forma diferente, com pensamentos distintos, conceitos distintos e cores distintas, agora, devem convergir para uma unicidade em Cristo. A união em Cristo não trata de aparência, aliás, elemento ferrenhamente desprezado pelo Próprio, trata-se de conceitos iguais, gerando corações iguais e, consequentemente, dignos comportamentos iguais.

Jesus, certa vez, disse que uma “casa dividida não subsistirá” (Mt. 12:21). Compreendendo e utilizando esta arma contra a igreja do Senhor, os inimigos de Deus tem conseguido infiltrar ou se utilizar de pessoas que não estão sinceramente convertidas, fazendo que se transformem em instrumentos de cizânia. As pessoas só caminharão juntas se tiverem um mesmo coração e um mesmo objetivo. Esse é o trabalho do discipulado. Conceder aos recém-convertidos conhecimento dos princípios norteadores do evangelho e, sendo sinceramente convertidos a Cristo, possuírem o mesmo pensamento, o mesmo modelo de comportamento e o mesmo objetivo cristão. Não se trata de lavagem cerebral, pois, a pessoa convertida a Cristo não perde sua vontade. Na verdade ela se utiliza da vontade para fazer suas escolhas, e escolhe seguir a Cristo como resultado de uma escolha voluntária consciente.

Numa igreja doente os cristãos perdem a visão do todo (a Igreja – Corpo de Cristo) e passam a fazer parte de pequenos grupos. Adotando líderes próprios, a despeito do líder da Igreja, passam a seguir conceitos personalistas que seus líderes lhes impõem como verdades absolutas de Deus, mesmo quando estes conceitos confrontam os conceitos divinos expostos na Bíblia Sagrada. É por esta razão que se tornou comum a fragmentação das atividades promovidas pela igreja local. Quando são promovidas por jovens, apenas os jovens participam; quando promovidas por crianças, apenas as crianças participam; quando promovidas pelos senhores, apenas os senhores participam, e assim, sucessivamente. O mundo cristão dessas pessoas se resume ao pequeno grupo que fazem parte. Imaginemos Cristo olhando sua igreja e percebendo que a mão direita não tem comunhão com a esquerda, que o pé direito não acompanha o esquerdo. Até do ponto de vista físico, corporal, é algo inimaginável para um corpo. Em sendo assim, se destrói.

Numa igreja que apresenta este tipo de sintoma a liderança perde sua autoridade, pois, com a liderança fracionada, mesmo que seja uma decisão sábia e saudável, será questionada pelo simples fato de não ter sido adotada ou, no mínimo, referendada pelo líder daquele grupo específico. Numa igreja assim, é mais fácil o surgimento de conflitos do que harmonia, pois, estes pequenos grupos se veem como os únicos detentores da sabedoria necessária para administrar e tomar decisões.  Esta partidarização da igreja faz com que as decisões sejam sempre tomadas a custa de agressões e atos rebeldes; não há a menor possibilidade de, nem que seja uma única vez, adotarem uma atitude conjunta e agradecerem à Deus em unidade. Logo, como disse Cristo, jamais prosperarão.

Apesar de ser natural cada pessoa simpatizar mais com uma do que com outra, e por esta razão, buscar e estar mais perto dela do que da outra; apesar de ser natural gostarmos mais da forma de administrar de um líder do que do outro, não podemos comprometer a unidade e a liderança da igreja com essas diferenças geradas por nossas simpatias ou antipatias. Como tenho dito continuamente aqui. Todos têm o direito de escolher onde congregarmos e com que líder congregarmos, porém, não temos o direito de integrarmos pequenos grupos que agem como “seitas” dentro da igreja, tumultuando a unidade em Cristo, pois, apesar de manterem-se a duras penas como membros da igreja local, já estão, de muito, separados do Corpo de Cristo e de Deus.

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