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Precariedade do Ensino Bíblico - Sintoma de Uma Igreja Doente

Outro terrível sintoma de uma igreja doente é a falta de ensino bíblico fundamentado e adequado. Desde o princípio da propagação do evangelho, ficou claro a necessidade que todo cristão possui de ser alimentado pela Palavra de Deus. Como deixa claro o próprio Cristo: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus” (Lc. 4:4), isto porque, “a Palavra de Deus é viva e eficaz” (Hb. 4:12). Aliás, a Palavra de Deus é o próprio Cristo, verbo de Deus (Jo. 1:1).

Numa igreja doente, o cuidado com o ensino da Bíblia passa a vigorar em segundo ou terceiro plano. Vale destacar aqui que o grau de comprometimento com a saúde do corpo se percebe nitidamente pela precariedade da maioria das Escolas Teológicas e das Escolas Bíblicas Dominicais. Algumas igrejas, inclusive, estão abrindo mão, principalmente da Escola Bíblica Dominical, entendendo que os sermões ministrados durante os cultos são suficientes para alimentar o povo de Deus. Daí, o tempo disponível para a Escola Dominical é utilizado para realização de mais um “culto ao movimento” que ensandecem o povo e os torna ignorantes quanto à vontade de Deus.

Por qual razão há pessoas frequentando cultos sem assumirem um compromisso com Cristo? Por qual razão artistas são tocados pelo Espírito Santo, mas, logo tornam as práticas das mesmas obras anteriores a conversão? Por qual razão há gente buscando em Cristo curas, prosperidade, enfim, maravilhas e não O ouve falar em salvação, renúncia, perdão, humildade e solidariedade? Seria coincidência o fato de que o tempo destinado ao estudo da Palavra de Deus nas igrejas, especialmente, em Escolas Bíblicas, tenha diminuído sensivelmente? Seria coincidência ver paralelo a tudo isto a transformação pelo qual passa o cristianismo, colocando em prática um evangelho “fast food”, ou seja, rápido, pois as pessoas não têm tempo para ouvir, pesquisar, ponderar e decidir?

A desvalorização do ensino bíblico é tanta que o líder, responsável primeiro pelo ensino eficaz, terceiriza este trabalho, delegando a outros a tarefa de ensinar. Há líderes que fazem atendimento público durante a Escola Bíblica ou culto quando deveria estar envolvido, ou pelo menos acompanhando, o ensino ou ministração. Sem o cuidado e acompanhamento do pastor, ervas daninha vão se infiltrando na ministração da Palavra de Deus, substituindo-a, com o passar do tempo, por teorias humanas e técnicas persuasivas que em nada cooperam para alimentação espiritual dos neófitos.

Em muitos casos, isto se dá por absoluta falta de preparo e zelo pastoral. Uma pesquisa realizada por um editor e jornalista da Abba Press & Sociedade Bíblica Ibero-Americana Oswaldo Paião, constatou que cerca de cinqüenta e um por cento (51%) dos pastores nunca leram a Bíblia toda (reportagem em meu arquivo). Não é de se admirar tanta superficialidade e equívocos bíblicos existentes. Seria por esta razão que é melhor fazer o povo levantar a mão, dizer isso ou aquilo para seu irmão, abraçar, sorrir, “tirar o pé do chão” ou coisas mais que se vê no arraial evangélico atual?

Outro problema sério enfrentado é a necessidade que os pastores se impõem de ministrar a Palavra de Deus toda vez que tiver uma reunião na igreja. Se houver cem (100) reuniões (desculpe-me a hipérbole), ele se obriga a ministrar nas cem. Precisamos reconhecer nossas limitações, precisamos entender que Deus nos concede companheiros capazes de ministrar a Palavra um momento ou outro, e que estes momentos são propícios para ponderarmos sobre os conceitos deles e nossos à luz da Bíblia Sagrada.

Como conseqüência dessa falta de cuidado, muitas igrejas se enveredaram pelo caminho dos movimentos emocionais danosos que entorpecem a consciência cristã para os assuntos do mais alto grau de importância da cristandade, como o sacrifício salvífico de Cristo, a ressurreição, a volta de Jesus, a conversão ou mudança de conceitos e paradigmas, etc. O que se vê são reuniões de autoajuda onde o centro é o adorador e não o Ser Todo-poderoso a ser adorado.

O líder da igreja deve executar suas tarefas eclesiásticas sem perder o contato com a Bíblia. Deve, além da leitura pura e simples, desenvolver senso crítico que irá motivá-lo na busca pelos mistérios de Deus revelados em sua Palavra. Os maiores beneficiários dessa conduta será o povo sob seus cuidados. Um pastor zeloso na oração e na Palavra (At. 6:4) será um manancial de conhecimento bíblico e um exemplo a ser seguido por seu povo.

A igreja que conta com um líder assim desenvolverá sua vida espiritual com saúde e vigor, isto porque o contato com seu Deus é preservado e priorizado através de um ensino bíblico de qualidade e responsável (Rm. 12:7). “Mens sana in corpore sano”.

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