quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Igreja - Agente Transformador da Sociedade


Subsídio – Lição nº 8 – 3º Tri 2011 - Jovens e Adultos – CPAD
Texto Áureo: Mc. 2:17
Leitura Bíblica: Mc. 2:13-17; At. 2:37-41

A proposição do tema implica grande responsabilidade para a Igreja do Senhor Jesus Cristo. É claro que o aluno deve possuir a compreensão adequada do que vem a ser “Igreja do Senhor Jesus Cristo”. Acredito que nas lições anteriores isto ficou claro, porque, para uma legítima identificação como “Igreja do Senhor Jesus Cristo”, é preciso “ser” Igreja do Senhor Jesus Cristo e não apenas uma placa colocada na fachada de um prédio.

Muitos prédios podem ter em suas fachadas a placa de identificação de uma “suposta” Igreja do Senhor Jesus Cristo e o comportamento dos seus membros, especialmente de seus líderes, não condizerem com o porte de legítimos representantes de Deus, gente com a capacidade dada por Deus de transformar a sociedade.

Como exemplo, chama-nos a atenção o noticiário de uma Igreja denominada ASSEMBLÉIA DE DEUS CASA DE ORAÇÃO BETEL, cujo pastor está entre os “suspeitos” de terem se associado para desviar dinheiro do Ministério do Turismo (escândalo de corrupção brasileira da vez), tendo sua prisão sido relaxada com pagamento de fiança (cheque sem fundo) no valor de R$ 109.000,00 (cento e nove mil reais).

Sem entrar no mérito da questão, nem lançar qualquer suspeição sobre os irmãos congregados ali, evidente a falta de prudência em questões relacionadas com a sociedade. O pastor era dono de uma empresa de turismo, cujo escritório funcionava no andar de cima da própria igreja, se envolvendo com verbas públicas e políticos inescrupulosos. Não podia dar certo.

Por este pressuposto, a Igreja para ser Agente Transformador da Sociedade deve trazer em sua essência características que a diferencie da sociedade que ela quer transformar. Se isto não acontece, sua ação se torna inócua, pois, como sal insípido, não presta para o fim que se propõe. Ela não pode transformar a sociedade naquilo que ela mesma é.

A igreja aqui, então, é o “conjunto de fiéis de uma religião”, que se tornam, pela observância dos mandamentos do Senhor, capazes de modificar o conjunto dos comportamentos errados das pessoas unidas a nós pela origem de nascimento ou pela localização, o que chamamos de nação.

I.        Para Que a Transformação Seja Alcançada, a Essência do Agente Deve Ser Diferente

Só haverá êxito na transformação se a essência do agente for “melhor” do que a essência daquilo que ele quer mudar. Não podemos falar nem em ter a mesma essência, pois, qualquer tentativa de transformação seria infrutífera. Infelizmente, muitas denominações e seus líderes não podem transformar a sociedade secular, simplesmente porque se assemelham a ela na forma de pensar e na maneira de agir no tecido social.

Imagine uma parede branca e você resolve pintá-la de branca. Ora, se é “mudança” que se deseja, utilizar a mesma cor não irá alterar absolutamente nada. Após o término de seu trabalho, perceberás que tudo permanece com a mesma forma e essência. Sendo assim, para alterar a cor da parede branca, você precisa, antes de qualquer coisa, trazer consigo uma tinta de cor diferente.

Cristo em todo o seu ministério deixou claro a necessidade de uma mudança primeiro no agente, para depois, este agente mudar a coletividade. “Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão” Lucas 6:42. É como o ditado popular: “Queres mudar o mundo? Muda primeiro a ti mesmo”.

Se temos a responsabilidade de transformar a sociedade, não podemos conduzir o povo de Deus utilizando as mesmas práticas odiosas da sociedade secular que queremos transformar. Práticas como a busca pelo poder, o orgulho, a prepotência, a vaidade, a falta de transparência e humildade, a insensibilidade a dor do outro, a arrogância, a falta de educação, o ódio, a violência, a avareza, a subtração do alheio, enfim, todas as mazelas que desejamos e podemos modificar na sociedade, através da pregação da Palavra de Deus e da ação de um povo comprometido com o Deus da Palavra.

Certamente esta é a razão do Brasil, país conhecido como o que detêm um dos maiores contingentes de católicos e evangélicos do mundo (mais de 80% de sua população se diz cristão), manter uma profunda desigualdade social, uma quantidade enorme de gente vivendo abaixo ou na linha da pobreza, uma degradação moral crescente (sem falar no espiritual), e a maioria de sua população longe das oportunidades de viver melhor. Eis a prova de que, apesar da grande quantidade de cristãos, não se consegue transformar uma sociedade para melhor utilizando as mesmas ferramentas seculares e sem abrir mão dos benefícios materiais que a própria sociedade secular estabelece como valores indispensáveis.

“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens” Mateus 5:13.

Não deveríamos tentar transformar a sociedade apartir dos mega-templos, mega-ternos e mega-carros, e sim, a partir do desejo de sermos todos iguais.

II.      Para Que a Transformação Seja Eficaz, a Visão do Agente Deve Ser de Mundo Ideal

O que se busca quando falamos em transformação é melhoria do ambiente. Porém, algumas questões saltam aos nossos olhos, quais sejam: Quais as melhorias desejamos para nossa sociedade? Qual o mundo ideal? E o que precisamos fazer para que esta melhoria aconteça? Sem uma visão clara do que desejamos, é impossível chegar aonde queremos.

Quando Jesus autorizou Pedro caminhar sobre as águas, enquanto o apóstolo colocava sua visão em Cristo, caminhou sobre as águas e, apesar das turbulências, prosseguiu sem se intimidar. Porém, quando deixou de olhar na direção certa e passou a olhar para as ondas e sentir os ventos, passou a naufragar (Mt. 14).

Melhorar o mundo a partir de suas próprias técnicas e premissas, é repetir o erro e colher os mesmos frutos da desigualdade, da intolerância, da violência, do egoísmo e do hedonismo. Quando a árvore é má, não adianta, os seus frutos serão todos ruins.

A igreja enquanto agente de transformação, só obterá êxito se mirar em Cristo. Nenhum intelectual, nenhum político, nenhum ser humano, por mais sincero que seja, pode indicar à igreja o melhor caminho a seguir. Por uma razão bem simples. Cristo está acima das ondas modernas e dos ventos que sopram de tempos em tempos. Cristo é singular, deixando sua marca indelével para que todos os seres humanos tenham um exemplo a seguir. “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” João 13:15.

Eis a visão. A visão de Cristo. Transformar o homem a partir das premissas de sermos todos Filhos de um mesmo Pai, desenvolvendo com naturalidade uma relação com Ele; considerarmo-nos superiores uns aos outros, para que nesta forma sejamos iguais, e amarmo-nos uns aos outros com amor altruísta, manifestado através das obras de amor, de fé e de compaixão.

“Então Jesus, movido de íntima compaixão, tocou-lhes nos olhos, e logo viram; e eles o seguiram” Mateus 20:34. No texto, o modelo. Jesus toca os olhos dos seus, que passam a enxergar, seguindo a partir daí, seus conselhos que é “poder de Deus para transformação de outras vidas”.

Antes de buscarmos conhecimentos e técnicas nos bancos das faculdades, devemos buscar a visão divina na oração e no estudo da Palavra de Deus.

III.    Para Que a Transformação Seja Exitosa, os Instrumentos do Agente Devem Ser Adequados

O que de melhor a técnica pode nos oferecer é o entendimento das características adequadas de cada instrumento, a partir do resultado que se deseja obter. Se quero transformar a sociedade não posso utilizar os mesmos instrumentos que ela utiliza no mesmo intento de melhoria, ou seja, se ela vem utilizando métodos meramente politiqueiros, e ainda assim quero sua transformação, obviamente, não posso utilizar os mesmos instrumentos politiqueiros para transformá-la, isto porquê, já se mostraram ineficazes.

Cristo separa homens e mulheres, formando sua igreja, comissionando-os e concedendo-lhes instrumentos para cumprimento de sua missão. O propósito do Senhor é atender o homem nas suas necessidades. Para isto precisamos focar a integralidade – missão integral – do ser humano.

a)     Corpo

A igreja não pode restringir sua ação apenas aos processos de curas espirituais. Deve atuar, também, oferecendo apoio médico e medicamentoso, pelo menos, aos seus membros; Seja através da ação social de um dia, desenvolvida em determinada localidade, seja no desenvolvimento de ações contínuas protagonizadas por cristãos ou por instituições cristãs, marcando sua presença como representantes de Deus entre nós (Reino de Deus);

A igreja deve ser a primeira a observar o princípio cristão de, “todos terem pouco é melhor do que alguns terem muito” (At. 2:44,45). Este princípio é basilar para uma sociedade mais justa e fraterna.

A igreja deve transformar a sociedade a partir do oferecimento de estabelecimentos de ensinos que possibilitem pelo menos aos filhos dos cristãos, terem onde construir conhecimentos e técnicas seculares num ambiente que respeita e prioriza a visão e os princípios cristãos. Estes novos seres, formados nessa base, serão instrumentos transformadores das mazelas que se tornaram “normais” entre nosso povo.

b)     Alma

A igreja deve permear a sociedade com um padrão cristão de ser. Deve romper com as fronteiras dos templos e voltar às estradas, às ruas, às praças, aos asilos, aos hospitais, aos presídios, oferecendo aos transeuntes a oportunidade de sararem suas feridas de alma no alento da Palavra de Deus;

Deve, a igreja, oferecer músicas que se destacam pela qualidade de seus arranjos e, acima de tudo, pela inspiração divina na satisfação dos anseios de nossas almas. Músicas que se esmeram na devoção, e não, no oportunismo de um mercado capitalista gospel;

A igreja, através de seus representantes, deve se inserir na magistratura, na medicina, na política, no poder constituído, adotando comportamentos que honrem a Deus e primam pelo serviço em benefício do próximo. Desta forma, falarão às almas aflitas e desejosas de gente decente neste país. Quando não atenderem as almas aflitas através das obras, as atenderão através de comportamentos que inspirem confiança e integridade.

c)     Espírito

Atentando para o discernimento espiritual que lhe concede a capacidade de enxergar e distinguir um possesso de um doente mental, a Igreja deve ser instrumento de Deus na sociedade para debelar as armadilhas do nosso adversário, libertando as vidas oprimidas e presas pelo diabo.

Deve, a Igreja, interromper a ridicularização do sagrado nas fraudes espirituais protagonizadas por falsos profetas. As pressões vindas do terrorismo espiritual que esconde o amor de Deus das vistas e dos corações das pessoas, lhes apresentando o mal como um todo-poderoso. Insistindo na cobrança de ritos e tradições inócuas, colocam apenas mais cargas nos ombros das almas cansadas e oprimidas pelo peso do pecado, afastando-as de Deus e cegando-as para as verdades importantes relativas a salvação.

O comportamento que se espera, deve dar ênfase ao equilíbrio e maturidade espiritual que concede às pessoas vidas livre de temores ou receios desnecessários, a partir do oferecimento desta tão grande salvação que liberta o homem das trevas e morte espiritual.

Conclusão.

Vale destacar, mesmo desejando que todos tenham conhecimento da salvação em Cristo Jesus, a transformação social que queremos é, também, o abandono de comportamentos egoístas e a adoção de comportamentos que tragam, prioritariamente, o bem do outro, partindo da premissa bíblica: “O que quereis que os homens vos façam, fazei vós a eles” (Lc. 6:31).

Como um agente sincero, detendo a visão divina e munida de instrumentos eficazes, a Igreja cumprirá seu propósito de transformar a sociedade, melhorando a vida dos conterrâneos, ao mesmo tempo em que lhes oferece a Salvação em Cristo. Conseqüentemente, a sociedade desfrutará do intento do Senhor para todos nós, felicidade. Esta é a nossa porção sobre a Terra (Pv. 30:8).

2 comentários:

marivaldonocaute disse...

agora sim e´o eliel que conheço um homem com pricipios sabe o que pensa e, diz. mostrando a verdade dos fatos nao cheguei a ler tudo poque esta na hora do kumitê, mas esta dando para perceber a sua função como ATALAIA parabens ET.

Eliel Barbosa disse...

Obrigado, irmão Marivaldo, pelo seu comentário.
Por vezes, sou tentado a desistir e esquecer tudo isto. Que os homens façam o que quiserem, e eu deixarei a minha vida me levar. Mas, penso naquela pessoa que de boa-fé creu em Deus, em seu Filho Jesus Cristo, e busca apoio para suas dores e ânimo para sua esperança. Assim, com uma força que vem fora de mim, mantenho o esforço no cumprimento de minha missão até o dia em que descansarei em Deus.

Em Cristo, Sua Graça, Sua Paz.