quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Os Serviços Estatais São Bons, Mas, Nenhum Deles Utiliza.



Ministra do Planejamento Mirian Belchior
A ministra Miriam Belchior (Planejamento), 53, deu entrada no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, no início da madrugada, em razão de um aumento na pressão arterial. Foi recebida no hospital em que Lula trata-se do câncer na laringe por Roberto Kalil, médico da equipe que assiste o ex-presidente.

Como sabemos, e segundo o reforço dos políticos, principalmente, governantes da vez, nosso sistema de saúde é um dos melhores. Segundo o ex-presidente Lula, "é quase perfeito". Apesar disto, basta qualquer um da casta superior sentirem-se mal, correm para serem atendidos pelo Serviço de Urgência do Sírio libanês (hospital particular e caro), ou então, se deslocam para os EUA a fim de utilizarem os serviços pagos de lá. É desse SUS que Lula tratava quando falou "é quase perfeito".

A maior prova da péssima qualidade dos serviços oferecidos pelo Estado Brasileiro, como contrapartida aos altos impostos cobrados, é o fato do ministro da saúde não se utilizar do SUS, o da educação não coloca seus filhos em escolas públicas, o da justiça não confia na segurança do país, pois para se deslocar precisa contar com seguranças próprios e carros blindados, e assim se sucede a todos eles. Mas, a culpa também é nossa.

Somos nós que concedemos conforto e comodidade à essa turma. Os elegemos ou pelo menos, não nos manifestamos contra uma série de privilégios que não ajudam em nada nossa vida. Quando doentes, procuram o serviço médico particular; quando transitando por nossas cidades, os locais são maquiados e eles tem a companhia de seguranças e batedores para garantirem um trânsito tranquilo (todo brasileiro deseja isto); seus salários não são vinculados ao mínimo; seus filhos, aqueles que estudam no Brasil, não o fazem em colégios públicos. Como é que desejamos melhorias se eles só percebem nossa dor quando assistem TV? E mesmo assim, nos poucos intervalos de suas intermináveis viagens de férias pelo mundo.

Ainda há, dentro dessa turma, outro grupo de monarcas sustentados pelo erário público que sem nenhum constrangimento ganham salários que são um acinte comparados com o salário mínimo vigente no Brasil. São os juízes de Direito, que além das benesses que desfrutam, não querem permitir serem acompanhados por um órgão de controle externo. "Ninguém pode controlar os deuses". É o tal negócio em que "concordamos com o combate a corrupção, concordamos com a prisão dos bandidos, concordamos com um esforço de todos pelo bem da nação, porém, não no meu quintal".

Ví e ouvi (ontem) o Presidente do Supremo Tribunal Federal dizer que "a população confia nos serviços prestados pelo judiciário brasileiro". Ele chegou a esta conclusão pela quantidade de ações judiciais que transitam por este braço do Estado. Esquece que o povo não tem outra alternativa. Se quiser uma análise melhor, precisa avaliar as razões porque se demora tanto para punir criminosos e porque os de colarinhos brancos não são punidos. É evidente a falta de celeridade processual do Poder Judiciário Brasileiro. Se quiser um dado, basta analisar quanto tempo leva a tramitação de uma ação no "Juizado Especial".

Esse estado de coisas não vai melhorar com a população apenas assistindo pela televisão. Deveriamos atuar mais, acompanhar mais, exigir mais, votar melhor. Deveríamos encampar mudanças estruturais que condicionasse aquele que deseja servir ao Estado, se utilizar apenas dos serviços oferecidos. Educação, segurança, trânsito, saúde, moradia e salário deveriam ser os mesmos que a população se utiliza. Se não quiserem, basta não se candidatarem a políticos ou servidores da nação. Apenas assim, conseguiriamos melhorar nossos serviços.

Ao contrário, do jeito que é hoje, eles fingem que cuidam da gente, e a gente finge que acredita.

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