sexta-feira, 1 de março de 2013

Ei! Psiu! Obreiro, Vamos Cultuar?

Quando vamos à igreja cultuar Deus, imaginamos uma atmosfera de respeito e devoção, afinal, cultuar é "prostrar-se reverentemente diante da divindade num ato de reconhecimento e gratidão por suas obras, grandeza e soberania" (Sl. 84). É nesse lugar (o templo) que encontramos a liberdade que nossa alma precisa para desfrutar de momentos de paz, serenidade e aquietação. Num ambiente assim, a Palavra de Deus age eficazmente como um bálsamo em nossas almas aflitas pelas batalhas diárias. Isto posto, está implícito que todos, repito e enfatizo, "todos" que se dirigem ao templo vão com essa motivação.

Com isto em mente, é possível perceber a diferença entre aqueles que levam à sério sua devoção, daqueles que, por sua postura, parecem confundir igreja com clube social, lugar santo com plenário de câmara legislativa e culto com show secular.

Aqueles que levam à sério, pisam no átrio com respeito e adentram no santo lugar com reverência. Sabem que o "sacrifício" agradável à Deus é um culto racional, ou seja, a disposição íntima sincera de voltar-se para Deus (Rm. 12:1). Eles sabem que sua presença naquele lugar tem propósitos bem definidos e devem ser, radicalmente, preservados. Se prostram em deferência à Deus, oram com sinceridade, cantam conjugando o que cantam com o que fazem e se mantêm vigilantes para prestar suprema atenção no momento de ouvir a Palavra de Deus. Sabem que Deus, sendo quem é, não merece ser tratado com indelicadeza e falta de educação. Merece verdadeira adoração. "Em espírito e em verdade" (Jo. 4:24).

Nós, seres humanos, quando desorientados, agimos confusamente a partir de nossos gostos e desejos, especialmente quando não nos convertemos adequadamente. Assim, num ambiente de culto, nossa vontade privilegia o que queremos fazer, sentir, falar e ouvir, ao invés de priorizar o que fomos fazer no templo: "prestar culto à Deus e ouvir suas orientações" (Is. 1:2,3).

Em algumas igrejas, o que chama mais a atenção é o fato de muitos dos protagonistas de muitas dessas atitudes, no mínimo, inconvenientes, serem aqueles que deveriam zelar pelo bom ambiente de culto. Sim, eles mesmos, pastores e líderes cristãos.

Alguns chegam atrasados ao culto e passam pelo meio do povo, indo em direção ao púlpito ou tribuna. Se porventura estiver sendo realizada a leitura da Bíblia Sagrada, pouco importa. inconscientemente (imagino) se dão ao prazer de, durante o trânsito, falar com as ovelhas, acenar para outras mais distantes e abraçar crianças. Acomodados no "santo lugar", agem durante o culto como se estivessem sentados em sua sala de estar, alimentando descontraídas conversas. Concorrendo com eles, auxiliares que levantam e sentam, vão e voltam, num testemunho eloquente de desconhecimento do lugar e do propósito da reunião.

Outro detalhe que se torna comum em muitos cultos é o uso do telefone celular. Algumas igrejas pedem, desde o início do culto, que os irmãos desliguem o aparelho, mas, em outras parece lógico a ideia de que Deus aderiu a nova tecnologia, pois, ao que parece, alguns pastores possuem o nº de Deus. Durante o culto fazem uso do aparelho constantemente, até mesmo de joelhos dobrados em oração (presumimos "em oração").

É terrível participar de um culto e perceber os oficiais, no púlpito, conversando paralelamente, sorrindo em seguida e esquecendo de que deveríamos estar diante de Deus em "atitude" de reverente adoração. Se há algum assunto "urgente" a ser tratado, o respeito pelos irmãos e por Deus manda que saiamos do templo e retornemos apenas depois de atendida a tal urgência. Fora isto, devemos esforço máximo na adoção de uma postura que honre a Deus e estimule os demais irmãos à adoração e a contemplação divina (Sl. 27:4).

Algumas igrejas, que conservam o hábito de colocar cadeiras em seus púlpitos para acomodação dos obreiros (característica tradicional na Assembleia de Deus), deveriam exigir um cuidado maior dos seus oficiais. Desde a forma como se posicionam (pernas abertas, por exemplo) até seu comportamento durante o culto.

Particularmente, prefiro as igrejas em que o púlpito é utilizado apenas por aquele que atua durante a celebração, e apenas nos momentos em que é requisitado sua participação. Estes podem sentar-se o mais próximos da tribuna, em meio ao povo, participando, como um cultuador, entre os iguais. É, ao meu ver, mais adequado.

É mister que cuidemos de restaurar o culto a Deus. Entendo que adorar é íntimo, mas, convenhamos, o ambiente interfere na comunhão com Deus. Desta forma, os líderes devem se conscientizar que são referência para o povo. Para o bem ou para o mal. Se as ovelhas são inquietas, se o culto é tumultuado, se o tempo não basta, cuidem que há problemas com a liderança.

Não há qualquer propósito aqui de estabelecer a sisudez ou "a cara amarrada" como condicionante para uma correta celebração à Deus. Alegria tem a ver com sorriso, simpatia, e na presença do Senhor até a tristeza salta de alegria (Jó 41:22). No entanto, isso não significa transformar o ambiente de culto numa descontração tal que percamos de vista o propósito de  nossa presença ali.

Vamos ao templo cultuar ao Senhor? Vamos! Mas, por favor, irmãos, ajudem.

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