segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Quem Agüenta Ir Ao Culto?

Às vezes vou à igreja me questionando sobre o que vou fazer lá. Em minha alma há o desejo de prestar culto à Deus. Talvez, num primeiro momento, o leitor possa ficar em dúvida sobre, afinal, qual é meu problema, haja vista que, já vai à igreja, portanto, vai prestar culto à Deus.
Minha dificuldade atualmente é o ambiente que se instalou nas igrejas. Parece-me que o conceito de culto é diferente em minha consciência do conceito que vai na consciência dos líderes religiosos e suas reuniões. Naquelas que tenho estado, salvo não muitas exceções, mais parece um encontro de clube social ou associação de moradores muito mal organizado. Isto tem me deixado com certa aversão a ambientes que se dizem cultuar a Deus e, o que se vê, é tudo, menos, cultuar Deus.

Na função que exerço, tenho assumido minhas atribuições como se estivesse carregando um insuportável peso sobre meus ombros, isto porque, como sou convocado para ministrar a Palavra de Deus ao povo, tenho tido desafios cada vez mais angustiantes de estar presente em reuniões difíceis de entender e, pior, de compartilhar. Fico com a sensação de que os líderes, ou não sabem o que é um culto, ou mesmo sabendo, abrem mão de seu papel para aceitar as excentricidades promovidas, senão por ele mesmo, por alguns “obreiros esforçados que só querem ajudar” (Ok. Ajudem, contanto que não atrapalhem).

Culto é como chamamos a forma pela qual se presta homenagem à divindade; são cerimônias religiosas onde o povo se reúne para expressar veneração, respeito e amor à Deus. Esta expressão se dá através de testemunhos, louvor, oração e ação de graças, e todo este “prelúdio” tem o objetivo claro de ser agradável à Ele e, como necessitados, ouvir Seus sábios conselhos para encarar os desafios cotidianos de nossa vida.

Buscamos o ambiente de culto para dedicarmos um tempo à adoração ao Senhor e audição das Palavras que expressam Sua vontade para nós.

O apóstolo Paulo define o culto como sendo o “sacrifício vivo, santo e agradável à Deus” – culto racional (Rm. 12:1). Observemos: “vivo” = novo nascimento; “santo” = exclusividade; “agradável à Deus” = no centro de Sua vontade (Palavra de Deus).

Infelizmente estamos crescendo em quantidade e diminuindo em qualidade. Como num movimento cíclico vicioso, líderes desprovidos da compreensão adequada do que é um culto, implementam distorções oferecidas por gente, muitas vezes providas de boa-fé, mas, cheias de orgulho, vazias de conhecimento bíblico e sem chamada para esse mister. Este círculo vicioso tem produzido cada vez mais líderes desprovidos de legítima autoridade espiritual, facilitando a banalização do que é, ou pelo menos do que deveria ser, um ambiente sagrado. Sacerdotes infantis e imaturos que se submetem as vaidades e ingenuidades de auxiliares neófitos que nem ao menos sabem soletrar “humildade” e “submissão”.

Em muitas de nossas reuniões, que enganosamente chamamos de culto, somos torturados com músicas que exaltam o eu, trazendo como “receita da vitória” o “pensamento positivo”; somos massacrados por testemunhos que mais parecem um misto de “achômetro” bíblico com experiências sensoriais; somos entediados com intervenções litúrgicas do dirigente de então, apresentando o culto com a responsabilidade de animar a plateia a qualquer custo; estamos chegando a um ponto que, em alguns lugares, “recadinho do amor” e “dinâmicas de grupo” fazem parte da liturgia no dito culto à Deus, tudo isto ancorado em salvas de glórias, aleluias e améns, sabe lá Deus por que.

Ah! Isto além de não atender os anseios de nossa alma (Sl. 143:6), empobrece nosso intelecto, cansa nosso físico e desgasta nosso emocional.

Desejamos um ambiente em que possamos expressar nossos sentimentos à Deus. Quando quisermos expressar nossos sentimentos à nossa esposa, filhos, parentes, irmãos em Cristo e até ao pastor, devemos realizar outro tipo de reunião. Não há qualquer problema nisso. O que não dá é atrairmos alguém para aquilo que chamamos de culto sem sê-lo.

Desejamos um ambiente propício para ouvir a “voz de Deus” sem tendência ou direcionamentos emocionais, um ambiente em que possamos conhecer, pelo menos um pouco mais, a “boa, perfeita e agradável vontade de Deus” (Rm. 12:2). Palavra que “edifica” e “transforma”. Quando quisermos nos divertir com algum espetáculo, vamos assistir televisão, vamos ao teatro, vamos ao cinema ou a qualquer lugar destinado para esse fim.

À Casa de Deus vou para expressar meus sentimentos em relação à Ele, exclusivamente à Ele, e ouvir Sua Palavra, exclusivamente as Palavras d’Ele.

Que tenhamos a humildade de ouvir a voz divina, tão graciosa, nos convidando para irmos à Casa do Senhor (Sl. 122:1), a fim de “CONTEMPLAR A FORMOSURA DO SENHOR e APRENDER NO SEU SANTO TEMPLO” (Sl. 27:4). Que obedeçamos, deixando de lado nossas vaidades e futilidades, e nos revestindo do intuito sincero de “adorar o Senhor na beleza da Sua Santidade” (1 Cr. 16:29).

Que os líderes entendam: “Só vamos cultuar sinceramente e adequadamente à Deus, quando compreendermos que o culto é resultado de um coração que O ama intensamente”. Sendo líderes, a intensidade com que amamos ao Senhor, será refletida no tipo de culto que, liderando, convidamos e influenciamos outros a oferecerem à Ele.

2 comentários:

Claudio Menezes disse...

Pensei em expressar meus pensamantos, porém, procurei preservar os seus; para poder mostrar a minha interpretação:"Infelizmente estamos crescendo em quantidade e diminuindo em qualidade...Ah! isto além de não atender os anseios de nossa alma (sl 143.6), empobrece nosso intelecto, cansa nosso físico e desgasta nosso emocional."

Pois é, entendo que cultuar ao Senhor requer espontaneidade! Por isso que a racionalidade é sinônimo de uma adoração com entendimento. Tendo a total consciência do que expresso,do que penso e do que pratico no memento da adoração. O certo é que deixamos de ser imitadores de Cristo e passamos a ser telespectadores de homens, que exigem da platéia uma mecânica expressiva: "Diga isso, fale isso, faça isso,olhe para seu irmão" e quando os verdadeiros adoradores não fazem...indiscretamente são vistos como frios ou necessitam do retorno ao primeiro amor. Que tanta pressão psicológica, fora as músicas repetitivas que parecem mais uma sessão de psicoterapia, que uma adoração ao Senhor. É por essas e outras que a quantidade tem ofuscado a qualidade e muitos não têm ficado na Fé que foste chamado: "Uma hora é circunciso, outra incircunciso!"

Eliel Barbosa disse...

Obrigado, meu caro Cláudio, por seu comentário.

Nosso desafio é achar um lugar onde os cristãos estão se esforçando para manter o culto à Deus em sua integridade. Estes lugares existem, mas, no mundo cristão de hoje, precisamos procurá-los como se procura uma jóia. Como escreveu o Pr. Raimundo Campos em seu blog (www.palavrasquedaovida.blogspot.com), "procure uma igreja mais perto da Bíblia".

Fique com Deus e volte sempre.