segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Neemias - Integridade e Coragem em Tempos de Crise

Introdução ao 4º Tri 2011 – Jovens e Adultos - CPAD



Nova série de assuntos a serem estudados em nossas escolas até o final do presente ano, baseados na história do Governador de Judá, Neemias. “Neemias – Integridade e Coragem em Tempo de Crise” revelam uma série de atitudes, sentimentos e características que envolvem o servo de Deus durante o desenvolvimento de sua vida no cumprimento dos propósitos estabelecidos por Deus para ele.

É um tema que chega num momento oportuno diante das circunstâncias vivenciadas por nós, especificamente, cristãos assembleanos em nosso Estado da Bahia. Que ouçamos a voz do Senhor, insistentemente, dizendo: “não apenas ouçam e estudem, mas, acima de tudo, pratiquem” (Mt. 7:24). Que assim seja.

I.             Conhecendo Neemias

A melhor forma de conhecermos Neemias é lendo o livro que traz seu nome na Bíblia. Sigamos o livro.

a)    Sensível aos problemas dos outros (Ne. 1:1-4).

                         Neemias estava vivendo no palácio, e apesar das facilidades que tinha por trabalhar num ambiente em melhores condições do que em sua terra, mostra preocupação com seus parentes e conterrâneos (I Tm. 5:8). Ele mostra-nos que para nos sentirmos bem, “todos” devem estar bem.

b)    Consciência espiritual (Ne. 1:5-10).

                         Neemias tinha conhecimento suficiente para enxergar a crise espiritual que o povo atravessava. As circunstâncias que envolviam o povo demonstravam para Neemias que o maior problema era o distanciamento e a rebelião contra Deus. Mesmo sendo um “copeiro”, Neemias se coloca como um verdadeiro “sacerdote”, clamando a misericórdia divina para o seu povo.

c)    Voluntarioso (Ne. 1:11).

                         Uma das coisas mais fáceis a fazer em tempos de crise é apontar os erros. Não vai faltar material para isso, o que normalmente falta é gente disposta a romper com o marasmo, com a insensibilidade, com os ressentimentos, com o sentimento de vingança, com a sensação de abandono e, como diz a canção popular, “levantar do chão, sacudir a poeira e dar a volta por cima”. Neemias consegue. Tem inteligência para detectar os problemas enfrentados por seu povo e se coloca diante de Deus como uma opção para trabalhar na sua restauração. Sem vaidade, sem avareza, sem jactância, apenas seguindo o rumo de um coração que ama.

d)    Administrador (Ne. 2:11-15).

                         Como um bom administrador, ele verifica “in loco” a situação, mapeia todos os problemas e desenvolve um plano para solução das dificuldades, iniciando pelos mais urgentes. O muro estava em ruínas e este fato fazia com que o coração do povo se desfalecesse. Sem muro, sem segurança. Sem segurança, estavam vulneráveis, ainda mais considerando que estavam retornando de um período de cativeiro. Neemias nos ensina que, quem tem chamada de Deus têm visão administrativa da Obra de Deus. Se você é líder e não tem visão nem capacidade administrativa, saia daí e deixe os servos do Senhor cuidar das coisas.

e)    Altruista (Ne. 5:14).

                         Neemias estava exercendo o cargo de governador de Judá. Como governador tinha direito a sustento por parte dos seus compatriotas. No entanto, vendo a situação de Jerusalém e a pobreza que estava mergulhado o povo, passou doze anos sem receber qualquer auxílio. Ao contrário disso, providenciou junto as autoridades da época, o fornecimento de todo material que precisaria para restaurar seu povo e intercedeu por eles aos que cobravam dívidas e impostos. Neemias demonstra a visão de quem realmente se interessa em ajudar pessoas.

                         No contexto de nossas igrejas atuais, causa-nos extremo incômodo vermos igrejas em situação de penúria e seus líderes, nababescamente, desfrutando de gordos salários ou ajuda de custo. A Bíblia não é contra o recebimento, por parte dos líderes, do sustento para si e suas famílias. Pelo contrário. Ela estabelece e estimula que assim seja para que os chamados por Deus possam se dedicar a esta importante tarefa. O problema é que muitos não se dedicam integralmente a obra de Deus, muito menos se sacrificam por ela.

                         Porém, Neemias demonstra sensibilidade para a situação daqueles que irão nos amparar, financeiramente falando. Se as condições do povo permitissem, certamente que o salário de governador lhe seria entregue. Mas, a situação era de penúria. O povo não tinha nem para si. Estavam vendendo seus filhos para saldarem seus impostos e não sofrerem danos maiores. Como poderia Neemias, mesmo trabalhando efetivamente para o bem do povo, ser mais um peso para eles?

                         Senhores líderes. Quando rogamos sacrifício para outras pessoas, devemos fazê-lo em primeiro lugar, senão, haverá descrédito pessoal e decréscimo potencial, levando a impossibilidade de sustento não só para os líderes, como, também, para a igreja propriamente dita. Um líder que aceita qualquer sacrifício, menos aquele que o afete, pode ser muitas coisas, menos um servo de Deus.

Muitos outros traços pessoais de Neemias poderíamos colher (coragem, força para o trabalho, empatia e simpatia com e pelo povo, discernimento de espíritos, etc.), mas, em razão do espaço, vamos nos ater a estes cinco, esperando ter ajudado na compreensão de algumas características inerentes aos filhos de Deus que se dispõem a prestar serviços ao Senhor e a sua obra.

II.           Conhecendo o Livro de Neemias

O livro de Neemias relata as atividades do seu autor, depois do retorno da sua nação do cativeiro. É a visão, pensamento, sentimento e ação de alguém que se sente um dentre aqueles que sofrem.

Apesar da alegria pelo retorno do cativeiro, Jerusalém encontrava-se em ruínas. O templo e, conseqüentemente, o culto à Deus, em decadência e os muros derribados e sem portas. O povo do Senhor estava desanimado, pois além do estado da sua pátria perante outros povos, eram afligidos pelos impagáveis impostos cobrados. Isto provocava um grande drama familiar, pois, os pais perdiam suas terras como quitação das dívidas acumuladas. Sem terras para o plantio, precisavam de trigo para alimentar-se, sem tê-los onde colher, eram obrigados a venderem seus filhos a fim de obter o sustento para o restante de sua família.

Numa crise, a reserva espiritual nos faz atravessar as intempéries com garra, graça e sairmos ilesos. A situação do povo era muito ruim, pois esta reserva espiritual já não existia. As circunstâncias eram, para eles, uma prova do abandono de Deus e, por esta razão, poderiam a qualquer momento serem dominados e levados ao cativeiro outra vez por seus inimigos. Sendo assim, não havia qualquer razão para um relacionamento com o divino, muito menos obrigatoriedade ou necessidade de obediência aos seus mandamentos.

Sem templo, sem culto, sem muro, sem provisão, sem família, sem nação e sem Deus. Essa era a situação que levou Neemias a chorar ainda no palácio real.

O livro de Neemias é a história de como um povo destruído pode ser restaurado pela ação de um homem que se coloca à disposição de Deus para, como seu instrumento, restaurar, renovar e conceder ao seu povo um novo tempo de refrigério e de graça divina.

III.          Perspectivas para o Tema do Novo Trimestre

Duas são as perspectivas para o novo trimestre. Uma, se atentarmos para o exemplo de Neemias e adotarmos o mesmo comportamento. Outra, se continuarmos com a forma vigente de ouvirmos, ouvirmos, ouvirmos e, na hora “h”, abandonarmos tudo que ouvimos e colocar em prática nossos conceitos humanos e carnais.

a)    Boa Perspectiva. Seguindo exemplo dos fiéis (I Tm. 4:12).

Porque é mais fácil seguir o mau exemplo? Porque nos estimulamos com mais facilidade a pagar o mau com o mau invés de com o bem? Porque nos deixamos levar pela sensação de que ninguém mais presta? Porque alimentamos a desconfiança que nos afasta, isolando nossas possibilidades?

Neemias nos concede a visão de que nada está tão ruim que Deus não possa consertar. Sendo assim, temos a excelente possibilidade de ouvirmos seus conselhos, seu exemplo, e reconduzir nosso povo ao verdadeiro serviço ao Senhor e a verdadeira vida cristã.

Se Deus usou um que estava distante e o trouxe para fazer ressurgir um povo e uma nação, quanto mais não desejará usar, a mim e a você, para este fim nos dias atuais? Então, mãos à obra. Primeiro, vamos nos colocar na brecha (Ex. 33:22), depois, vamos fechar a brecha (Ne. 6:1).

b)    Péssima perspectiva. Seguindo o modelo farisaico (Mt. 23:27).

Os fariseus eram exímios falsificadores de resultados. O fim proposto pelas Escrituras Sagradas é transformar o homem de dentro para fora, tornando diferente dos pagãos. Gente que outrora era um mau exemplo de fé sincera, produtores de frutos maus como avareza, presunção, orgulho, inveja, maledicência, dentre outros, agora, como conseqüência da conversão à Deus, se tornam um referencial de integridade diante do Senhor e do mundo.

Os fariseus falsificavam o resultado, pois, seu exterior era “perfeito”, mas, o interior... Bem trajados, oravam e ensinavam com eloqüência, assíduos aos cultos, obedientes aos hierarquicamente superiores do templo, estudiosos dedicados das Escrituras, enfim, olhando, eram o perfeito exemplo do beato devotado.

O problema era que se tornaram extremamente dedicados a organização que pertenciam e esqueceram da dedicação a Deus. Se tornaram fiéis ao templo e infiéis ao Deus que deveria ser adorado e obedecido no templo. Daí, estudavam as Escrituras dentro dos templos e negavam o Filho de Deus fora dele.

Por esta razão, Cristo demonstrava paciência com seus discípulos e com os necessitados. Todavia, para com os escribas e fariseus, era implacavelmente duro. Raça de víboras, hipócritas e sepulcros caiados eram os adjetivos que Jesus empregava quanto lidava com eles.

Sendo assim, esta perspectiva é a pior que podemos vislumbrar para o fim dos nossos estudos dominicais. Ouvirmos muito, estudarmos tanto e, “tudo continuar como dantes no quartel de Abrantes”.

IV.          Conclusão

A história de Neemias é um estímulo para que saiamos do marasmo e da inércia que nos apaga enquanto servos de Deus. Há muros a serem reconstruídos, cultos a serem restaurados, vidas a serem renovadas e saradas, e não podemos perder tempo. Há muito trabalho a ser feito. Vamos jejuar, orar, chorar, mas, concomitantemente, vamos colocar nossas vidas à sua disposição para sermos úteis em sua obra.

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