sábado, 22 de setembro de 2012

Quero Estar Perto... Quero Estar Longe.


 
Ontem, ao me deitar, me vi pensando nos meus pais, sentir as lágrimas descerem meu rosto e percebi o misto de sentimentos contraditórios que hoje sinto em relação a eles.

Estão vivendo o pôr-do-sol existencial, e por isto, quero estar perto e longe ao mesmo tempo.

Quero estar perto porque os amo; quero estar longe, porque odeio o muro de separação que a morte nos impõe.

Quero estar perto para que eles vejam o meu sorriso; quero estar longe para que não vejam as minhas lágrimas e percebam a minha dor.

Quero estar perto o suficiente para que ouçam a minha voz e percebam que estou ali, pronto para servi-los; quero estar longe o suficiente para que não ouça seu último suspiro.

Quero estar perto para aproveitar todos os momentos de suas existências; quero estar longe para não me arrepender do tempo que desperdicei longe de suas companhias.

Quero estar chegando sempre em direção aos seus braços; quero estar partindo para não vê-los partir.

Quero estar perto para, ainda, chamá-los de “meu velho”, “minha velha”; quero estar longe para, quando chamá-los, não ouvir como resposta o silêncio.

Vejo-os carentes de melhor qualidade de vida, me torturo por não poder levá-los à contemplação da natureza, para que vivam a despedida, não como quem parte, mas, como quem chega aos braços do Pai. Flores, pássaros, grama verdejante, misturados a sorrisos, esperanças, afetos, sentimentos e coisas prazerosas que fazem toda a diferença quando estamos partindo ou chegando.

Mas, a vida é assim... cria vínculos, depois os quebra, e a única coisa que nos deixa é a saudade (tenho medo de ainda não estar pronto para ela).

“Eu quero voltar pra casa do pai;
Eu quero o amor dos braços dos meus pais;
E descansar seguro, nos braços dos meus pais... dos meus pais”.
(Adaptado do trecho da música de Talles Roberto – Casa do Pai)

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