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Cristão "Maria-Vai-Com-as-Outras" Não Sobrevive a Loucura Espiritual


A vida para um cristão nos dias atuais não tem sido fácil. É sempre um dilema se defrontar com situações em que tem que se posicionar. Num tempo de “Maria-vai-com-as-outras”, viver com personalidade e integridade cristã é viver numa seara de conflitos internos e externos.
 
Isto não seria assim se as posições adotadas pelo pretenso “povo de Deus” fosse uniforme, pelo menos no que diz respeito aos valores e princípios cristãos (a doutrina imutável no tempo e no espaço). A dura realidade se estabelece pela imensa capacidade humana de “interpretar” questões, inclusas aí as formuladas na Bíblia.
 
A primeira regra da hermenêutica, conhecida como regra fundamental, é: “A Bíblia por si só se explica”. Se os pretensos líderes, pregadores, pastores, pastoras, bispos, patriarcas, apóstolos, missionários, conferencistas nacionais e internacionais tivessem o cuidado de ouvir, primeiro, o que a própria Bíblia fala e articulasse seus comentários depois, seria muito mais fácil compreender um pouco melhor qual é a "boa, perfeita e agradável vontade de Deus." Se assim o fizessem, preliminarmente, já não haveria tanta gente empunhando tantos títulos eclesiásticos, nem outras tantas disputando-os.
 
Infelizmente o que se vê é uma despreocupação quanto o que a Bíblia diz e uma evidente exacerbação do que os pretensos representantes de Deus falam. Daí os posicionamentos vão de um extremo ao outro, radicais e liberais, passando pelo centro e pelos meio-cantos. Isto faz que todos os comportamentos, todos os conceitos e todos os tabus estejam devidamente amparados pela Bíblia, “a partir da interpretação do profeta da vez.”
 
É por isso que a despeito do Espírito que vai na Bíblia, e das obras e palavras de Jesus, tem pregador dizendo que “Jesus era dono de uma boa casa na praia” (sic); é por esta razão que tem gente alimentando ambição de ser alguma coisa, com base num único texto de  Paulo que disse: “quem deseja o episcopado, excelente obra deseja.” Não ouvem a Bíblia falar da “obra” e miram no “cargo”; é esta insensatez que fabrica gente querendo construir templos cada vez maiores e não ouvem a Bíblia dizer que "Deus não habita em templos feitos por mãos humanas"; é esta incoerência que gera pastores gastando fortunas com a vaidade pessoal, e não escutam a Bíblia dizer que "devemos trabalhar para ter como ajudar os necessitados."
 
Diante deste quadro, como se posicionar frente as várias questões que nos são apresentadas no dia-a-dia, a partir do posicionamento desses “representantes de Deus” e suas instituições religiosas? Na política, na religião, na família, no trabalho, na escola e em qualquer outro instituto social nos são apresentadas situações que exigem um posicionamento, uma decisão.
 
E aí? Como decidir?
 
Novamente. Se as posições propagadas e defendidas pelos pretensos “representantes de Deus” tivessem como pano de fundo a defesa do Reino de Deus entre nós, levando em consideração única e exclusivamente o que “a Bíblia identifica como Reino de Deus”, seria fácil decidir. Porém, a realidade, como exposto, é outra.
 
Vivemos o tempo do “salve-se quem puder ou Deus-nos-acuda!”
 
Num tempo assim, só sobreviverá quem antes de tecer ou aceitar comentários e conclusões sobre textos bíblicos, pára, silencia, medita e ouve o que a Bíblia fala. Esses não serão enganados. Os outros continuarão sendo integrantes do “Maria-vai-com-as-outras...”
 
...para o abismo.
 

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