segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O Que Eu Diria à Um Pastor Sincero Que Cometeu Adultério


(Há de se destacar que me dirijo a um pastor decente, convertido, que antes de ser pastor é um cristão autêntico.)
                             
Não quero te condenar, isto é papel de juiz, não de um irmão, de um companheiro. Mesmo por que, não estou apto a atirar-lhe pedra. Até aqui tenho sido fiel a minha esposa e minha família, mas, isto não me torna melhor do que você. Pelo contrário, tento me colocar no seu lugar e percebo este momento difícil.

Não é fácil lutar bravamente em defesa dos princípios cristãos, sofrer as dores pela resistência ao cristianismo farisaico da vez, combater o mercantilismo e a guerra pelo poder temporal em voga e, de repente, se vê jogado ao chão. Motivo de escárnio, chacota ou coisas semelhantes, protagonizadas por gente que envergonha o evangelho e não percebe.

Caístes e, talvez, não sabes como. É que na estrada em que transitamos, os desvairados jogam gravetos tentando atrapalhar nossa travessia (sem querer transferir responsabilidades). Quando percebemos a tempo, conseguimos desviar nossos pés e, assim, evitar a tragédia anunciada. Imagino que os gravetos foram se prendendo aos seus pés e você não percebeu que aqueles pequenos incômodos estavam se transformando em arma para tua destruição.

A relação familiar prescinde do compromisso de fidelidade, não apenas para com a esposa, mas, também para com os filhos. É base para confiança. E no teu caso, este dever de fidelidade se estende para com outras famílias, as famílias cristãs. Todo pastor é uma referência.

Mas, meu irmão, não te condeno. É dura a vida de um pastor sincero e dedicado em tempos de relativismo moral e espiritual. Você bem que tentou...

Mesmo estendendo as mãos com intuito de ajudar, não posso fechar os olhos para o mal que se fez. O adultério provoca feridas difíceis de cicatrizar, não apenas em você, mas, também, em pessoas que estão no círculo de intimidade dos envolvidos. Você errou e deve conviver com as consequências do erro, afinal, como pastor e como homem, você deve assumir sua culpa, pois, nestes casos, ninguém pode ser tomado por inocente. Muito menos um pastor.

Perdoar é possível e dever de todo cristão, mas, esta condição está agora nas mãos das pessoas feridas por este momento de prazer. Como em relação a você, concedo à elas o benefício do não-julgamento, compreendendo a dor que agoniza em seus corações. Apesar disto, creio ser o perdão um caminho melhor que a separação, a ruptura e a inimizade.

E eu, como homem, marido, pai e cristão, tenho que buscar entendê-los. Jamais imponho sobre vocês o atributo da perfeição que nunca tivemos. E, exceto Deus, não há quem tenha. Somos assim e não há, por enquanto, quem possa mudar isto. E assim seguimos...

Como referencial para mim te olhei, ouvir tuas palavras e vi em teu testemunho o compromisso com a Palavra de Deus e o Deus da Palavra. Mas, é assim... Num simples mergulho no mar das angústias, frustrações e decepções que, de vez em quando, atravessam o peito de quem deseja servir e seguir fielmente a Deus, somos surpreendidos pelo cansaço que baixa nossa guarda e proporciona a oportunidade de nos cercarem os pés com os gravetos e nos derrubarem.

Cair é do homem, levantar é de Deus.

Agora, será possível perceber o quão perverso o homem pode ser. Dos inimigos não se pode esperar outra coisa, senão, alegrarem com sua queda; Alguns irmãos e até mesmo colegas de ministério, decepcionados, se afastarão atestando que, para eles, você não é mais o que eles imaginavam; Mas, para outros, aqui eu me incluo, você é apenas um filho de Deus que, como tantos outros, em meio as intermináveis batalhas da vida cristã, foi levado ao chão por uma daquelas situações que insistem em nos lembrar que somos “humanos”, não Deus.

Recomendo que assistas o vídeo em que o Pastor Jimmy Swaggart se coloca diante da família, da igreja e de Deus, e assume: “Errei. Pequei contra minha família, meus irmãos e meu Deus” (No youtube o vídeo está com o título “Jimmy Swaggart pede perdão”). Como resultado do arrependimento e humilhação, a família o aceita de volta, a igreja o abraça e, certamente, Deus o restaura a condição de “filho”, isto porque, um homem decente, mesmo quanto cai, ele cai de pé.

Por fim, fico aqui torcendo para que vocês superem logo isto, o mais breve possível, pois, a vida não se encerra aqui. Certamente machucados, marcados, tristes, mas, sobreviverão. Vocês irão se reerguer e, cada um do seu jeito e conforme sua própria medida de fé,  chegarão à eternidade percebendo que apesar dos percalços, não houve quem ou o quê conseguisse vos separar do amor de Deus."

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