sábado, 11 de março de 2017

Por Quem Lutamos?

Na harpa cristã há uma música (nº 212) que trata de batalha (Que fique claro se tratar de batalhas espirituais, e não, físicas ou contra pessoas). Crescemos ouvindo e cantando essa canção que motivou-nos a enfrentar as dificuldades, sejam elas espirituais ou materiais, com determinação tal que o único resultado a ser aceito não podia ser outro que não a vitória.

Este espírito que envolve a fé cristã faz suscitar batalhadores incansáveis, gente dedicada a lutar pelo bem de si mesmo e de outros. Aliás, o estímulo maior que recebemos é lutarmos pelo irmão, pelo outro, pelo mais necessitado. Esta é a luta dos santos.

Sobre as pelejas em si, percebemos níveis diferentes de dificuldades em cada batalha. A história bíblica envolvendo Davi e Bateseba (2 Sm) revela esta realidade. Davi querendo se livrar de Urias (esposo de Bateseba), ordena ao seu general que o coloque na parte da peleja mais intensa e de maior risco. Esta realidade, dos níveis diferentes de dificuldade e intensidade, se repete em nossas batalhas espirituais.

Lembremos da igreja em Corinto. A única que a Bíblia informa possuir em seus termos todos os dons (1 Co. 1:7; 12:8-10), mas, também informa ter sido uma igreja inundada com problemas de todo tipo. Esta verdade guarda a coerência da utilização dos dons como instrumentos divinos para combate de problemas e edificação do corpo de Cristo.

Voltemos a composição da canção mencionada (HC 212) e notemos um de seus trechos: "Eu quero estar com Cristo, onde a luta se travar, no lance imprevisto na frente m'encontrar..." (coro), e ainda, "Dá-te pressa, não vaciles, hoje Deus te chama para vires pelejar ao lado do Senhor; entra na batalha onde mais o fogo inflama, e peleja contra o vil tentador!" (estrofe).

Nosso desejo neste artigo é lembrar da coerência que deve existir entre o que lemos na Bíblia, o que testemunhamos e o que fazemos diante das lutas que são travadas envolvendo o Reino de Deus. É lembrarmos de nossa utilidade nas mãos de Deus, despertando-nos para o fato de que nossa utilidade tem a ver com nossa disposição de lutar onde a necessidade é mais premente.

Lembremos de Neemias no palácio de Artaxerxes. Apesar de empregado, comida boa, protegido da chuva, do vento, do frio e do calor, cama boa para repousar, protegido de agressões gratuitas e de outras adversidades tão comuns e cruéis para os remanescentes em Jerusalém. "Como estás Neemias?"- Como poderia estar bem com o "meu povo sofrendo em minha pátria?"

Sim, bom seria deitar numa rede e lutar as guerras com controle remoto nas mãos, bom seria assistir do monte a luta travada no vale e declarar "a vitória é nossa pelo sangue de Jesus!" É muito bom estar numa igreja estabilizada, pequenos problemas, rápida solução, dinheiro farto, mantimentos sobrando, tudo do bom e do melhor.

Mas, e o meu povo? Aqueles que de boa-fé se achegaram à Cristo e se juntaram a nós esperando companhia, apoio, ajuda e um pouco de piedade, mas estão sofrendo nas mãos de homens gananciosos, arrogantes, prepotentes, orgulhosos, que amam mais os deleites do que a Deus? Quem lutará por e com aqueles neófitos que são presas fáceis de pregadores que anunciam a generosidade como cúmplice de seu projeto pessoal de ganhar dinheiro?

A lei da menor resistência, do menor esforço, atende aos anseios da nossa preguiça, acomodação e letargia, mas, não nos enche a alma daquela sensação boa de estar "realmente" sendo útil "ao Reino de Deus".

Sim, meus caros irmãos, talvez, pra nós, seria muito melhor pertencer a casta alta, ocupando-nos em cuidar de pessoas uma vez por semana no gabinete pastoral, evangelizando de púlpito ou através do grupo de evangelismo que segue seu próprio plano e suporta seu próprio custo, dando tempo integral e prioritário as intermináveis reuniões administrativas que muito pouco acrescenta a organização (ao contrário).

Mas, a Palavra clama que o exemplo a ser seguido é o de Cristo.

Sair dos palácios e "descer" para se tornar um igual, sentindo as mesmas dores, clamando desesperadamente por salvação e tentando sair do sufoco na terra arrasada. É entender que "ninguém nos salvará" se nós mesmos não nos dispusermos a pegar as armas espirituais e batalhar pela fé que uma vez "nos foi dada" (à nós. Eu e meus irmãos).

Que os dissimulados continuem no monte, assistindo a luta; Que os insensíveis se escondam nos palácios de olhos fechados para a penúria dos da sua família; Que os espertos estejam se esbaldando nos recursos abundantes alheios a dor da falta de mantimento dos remanescentes. Deus cuidará deles, mesmo que, na prática, eles não acreditem nem temam a Deus.

O cristão autêntico é aquele que observa o vale, e onde a batalha estiver mais difícil, ele se alia aos combatentes de Deus que teimam em lutar até que o mal seja plenamente derrotado pelo bem, onde mesmo sangrando, eles insistem em fazer brilhar a luz de Cristo e dissipar as trevas. É uma guerra louca, insana... Mas, vale a pena lutar.

Que nossa presença seja onde, realmente, podemos fazer a diferença em favor do Reino de Deus.

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