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O Profeta e a Profecia. "Você Sabe Com Quem Está Falando?"

O cidadão está com o documento do veículo vencido e é parado numa blitz. O policial se aproxima e solicita os documentos de habilitação e do veículo. O cidadão entrega os documentos e aguarda. O policial examina e percebe que o documento está vencido. Como determina a lei, o policial lhe informa que o veículo será retido até que sua documentação seja regularizada. O cidadão, no alto de sua empáfia, saca "o que tem de melhor": "Você sabe com quem está falando?"

Esta história persiste como mancha numa sociedade que deseja se ver constituída de cidadãos iguais. Iguais em direitos e, principalmente, deveres.

Apesar da aparência inicial do texto, não desejo ponderar sobre atitudes de pessoas, em nossa sociedade secular, que por força de um cargo ou título, resolve que é mais "igual" do que os outros, exigindo privilégios que a legislação nacional não lhes concede. Como no exemplo exposto acima, viver na ilegalidade como se legal fosse.

A partir desse exemplo do cotidiano, lanço luz sobre nossos profetas modernos e suas profecias. Quanta exposição veemente, quantas "verdades" ditas "olho-no-olho", quantos constrangimentos, quantas horas de pressão e cobranças espirituais, enfim, quanta paulada nos conceitos, equívocos e pecados alheios.

Mas, à quem se dirigem os tais profetas quando se dizem influenciados por Deus? À todos ou a alguns?

Isto nos remete a questões expostas pela "luz": "Deus tem pecadores de estimação? Existem, no reino de Deus, graduados espirituais com "privilégios" diante do Altíssimo que lhes abonam os pecados sem o necessário arrependimento? A ganância, arrogância, soberba, orgulho e amor ao dinheiro é pecado? Deus faz vistas grossas para alguns?"

Cristo deixou claro as características de gente que, aparentemente, são defensores do evangelho, mas, na verdade, na verdade, são falsos (Mt. 7:16-23). O texto é amplo em sua aplicação e deve atingir a todos, indistintamente. Os frutos mencionados por Cristo é a face "visível" de um caráter. Dos capítulos 5 ao 7 do evangelho de Mateus, Ele seleciona uma série de atitudes que devem ser observados pelos seus seguidores, dando a entender que o inverso é a prática dos que não lhe seguem.

Pois, bem. Qual nosso problema? Generalizamos o pecado e somos específicos com o protesto. Aos símplices, os profetas modernos trombeteiam e ameaçam em nome de Deus, mas, e aos graduados, porquê os "profetas modernos" não "gritam", esbravejam e ameaçam "pelo Senhor dos Exércitos?" É a máxima da historinha contada acima: "Você sabe com quem está falando?" Quando pensam nos seus próprios privilégios financeiros, na ascensão ministerial e no acesso a púlpitos, "eles sabem com quem estão falando".

Mas, no reino de Deus o que vale não é "com quem você está falando", é sim, "em nome de quem você está falando". Como João Batista, o verdadeiro profeta prega contra os pecados do homem comum e dos governantes no palácio. Mesmo que lhe custe a cabeça, ele diz à todos: "Arrependei-vos e creiam no evangelho".

Se os profetas modernos falam e protestam em nome de Deus, não podem ter protegidos ou privilegiados. Ou expõem a verdade de maneira ampla, geral e irrestrita, ou devem se calar. Se insistirem, como tem sido habitual nos dias atuais, não devemos lhes dar ouvidos. Deixe-os gritarem até que suas vozes desapareçam, nem que seja pela rouquidão.

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