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Pastores Divorciados e o Testemundo do Fracasso dos Homens no Projeto de Deus

O ideal divino para o casamento é o vínculo duradouro entre um homem e uma mulher, a partir do compromisso assumido, e que deve perdurar enquanto viverem. Isto se dá porque a união no casamento representa a morte de dois indivíduos e o surgimento de apenas um (composto de duas naturezas). Deixam de existir, portanto, dois, para se tornar apenas um. Desta forma somos conduzidos a compreensão da lógica do porque a morte é a única porta de saída do casamento estabelecido por Deus. Um indivíduo não morre pela metade. Morto um dos cônjuges, o casamento estabelecido morre também (Rm. 7:2,3; 1 Co. 7:39).

A dureza do coração dos homens, estimulados pelo machismo egoísta da época, obriga o legislador Moisés a legalizar o repúdio conjugal. Mesmo contrariando a vontade divina, a carnalidade se impõe abrindo um precedente que não resolve as mazelas. Ao contrário, induz a outras tantas que acrescenta mais sofrimento e desilusão. "Há caminhos que "aos homens" parece direito, mas, conduz à morte" (Pv. 16:25).

Apesar das exceções (adultério e abandono de cônjuge descrente), o fato é que Deus abomina o divórcio (Ml. 2:14-16; Mt. 19:3-11) e quem insiste na defesa da dissolução do casamento se inclina para o conceito meramente carnal dos fariseus de mateus 19, fomentado por um coração duro e rebelde para com Deus.

Não obstante, quando observamos a sociedade atual e sua secularização progressiva não podemos fechar os olhos para a realidade do divórcio. Cerca de 30% dos casamentos termina em divórcio.  A surpresa está no fato de que, entre os cristãos, o percentual é o mesmo (vale conferir Galátas 3:3 e Efésios 4:17-32). E o pior. Há pastores cristãos se divorciando de suas respectivas esposas (e vice-versa). E qual o motivo? Infidelidade conjugal.
 
Não os julgo para efeito da salvação condenando-os à perdição eterna (quem nos julga é Deus), mas, é indiscutível que perdem a capacidade de desenvolver seu ministério, principalmente, na área de família. Se a Palavra de Deus exige do "cristão comum" um comportamento coerente com os princípios matrimoniais bíblicos, muito mais exigente o é com relação aqueles que são chamados para o ministério.
 
É a Bíblia quem informa: "Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo (1 Tm. 3:1-7).
 
Ainda: "Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei: Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes (Tt. 1:5-9).

Vale salientar que todo divórcio é resultado da prática de uma ou de várias das obras da carne relacionadas em Gálatas 5:19-22. Repito. "TODO DIVÓRCIO" está ancorado em alguma ou algumas obras da carne (Gl. 5:19-22). É preciso honestidade para admitirmos a "culpa" para quem tem culpa. O divórcio pode ter sido provocado pela ação de um dos cônjuges ou dos dois.

Imagine o caso da esposa do pastor que o trai e, decididamente, mantêm o caso extraconjugal (é o exemplo típico do pecado continuado, para o qual não há perdão). Imaginemos que ele fez todo o possível para evitar o desastre conjugal. Será ele culpado? É ele o adúltero? Claro que não. Neste caso, ele deve ser alvo de nossa compaixão e amor, pois, afetado pelo duro golpe, se torna um necessitado da ajuda e apoio do seu corpo ministerial, dos cristãos em geral e, principalmente, da sua denominação.

Pode, em casos assim, está embutida a "culpa indireta", que é a omissão. Ou seja, o que ele(a) poderia ter feito, e não fez, para preservar seu casamento. Seria como se, insatisfeito com seu cônjuge, deixasse o "barco à deriva" para "colher" o resultado desejado (o divórcio). Aqui se apresenta uma circunstância de difícil identificação, pois, se abriga nas profundezas do pensamento e das intenções do coração. Sendo assim, cabe-nos deixar com Deus.

Há, no entanto, o mal maior praticado por cristãos e, especialmente, pastores, que causam o divórcio. Seja pelo relacionamento extraconjugal ou pela desistência em manter o vínculo conjugal com sua esposa (por qualquer outro motivo). Nesse caso, ele abandona os princípios bíblicos que conhece e, deliberadamente, assume o comportamento de quem resolve desobedecer a Deus. Em casos assim, como pode justificar-se? Como poderá esse pastor ajudar um casal em crise na restauração do seu casamento? Ou vai dizer, simplesmente, separem-se? Ou quem sabe vai dizer aos cônjuges em conflito para buscarem o entendimento e a restauração? Com que cara?
 
O fato é que o divórcio rompe com a proposta de Deus para um casamento harmonioso e duradouro, e quando um pastor é o agente causador do repúdio conjugal, ele se coloca contra os princípios matrimoniais bíblicos e testemunha contra a eficiência dos conselhos de Deus para o sucesso do casamento. Faz exatamente o contrário do que foi chamado para fazer.
 
As pessoas têm o livre arbítrio para fazer o que quiserem de suas vidas, inclusive, cristãos e pastores. No entanto, é preciso assumir as responsabilidades decorrentes de seus atos. Se adotam o divórcio, que tenham consciência que fazem algo errado do ponto de vista bíblico (Is. 5:20) e Deus não o tem por inocente (Ml. 2:14,15; Naum 1:3). O melhor a fazer é não pecar (1 Co. 10:12), porém, se pecaram (1 Jo. 2:1), que "reconheçam" seus erros e "arrependam-se" (mudando de atitude - Ap. 2:1; 3:19), e peçam perdão ao Senhor que é longânimo em perdoar (1 Jo. 1:9).

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