quinta-feira, 29 de março de 2012

Um Ser Racional Não se Engana Facilmente

"E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim. De sorte que creram muitos deles, e também mulheres gregas da classe nobre, e não poucos homens" (Atos 17:10-12).

A melhor arma do ser humano é sua capacidade de raciocinar, de ponderar, é aquele dom de olhar, ouvir e analisar as coisas com mais profundidade. Esta forma de ser lhe concede a defesa precisa contra os males que atentam contra a sua vida. Aquilo que nos diferencia do animal irracional é o que nos faz avançar, evitando os riscos à nossa sobrevivência, independente da área de nossa existência envolvida.

Se vivíamos no ermo, desfrutando, e ao mesmo tempo, sofrendo as intempéries naturais, agora nos abrigamos; se íamos às fontes das águas para saciar a nosse sede, agora a trazemos para onde estamos; se vivíamos sofrendo as incertezas da escuridão, agora lançamos luz ao nosso ambiente e nos sentimos mais seguros, enfim, diante de adversidades, colocamos em funcionamento este mecanismo de ponderação, usufruindo dele toda criatividade que nos faz ultrapassar obstáculos.

A Bíblia, ao relatar o ato da criação de Deus, revela o segredo que todo ser humano carrega dentro de si.

"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente" (Gênesis 2:7).

Além de formar o homem de maneira especial, o Criador sopra em suas narinas o "fôlego da vida", concedendo à humanidade um "upgrade" da razão. É por este motivo que os animais irracionais reagem instintivamente as ordens humanas, se limitam ao seu espaço geográfico e apenas cumprem seu papel na cadeia alimentar e no equilíbrio natural, enquanto que a humanidade vai além. Ela concorda, discorda, resiste, se submete, obedece, desobedece, sugere, enfim, ela atua como protagonista desta história divina escrita sobre a terra.

O texto bíblico colocado em evidência logo acima, nos remete a um aspecto exclusivamente humano: "a fé em Deus". Como imaginado por alguns, a fé parece ser a ferramenta que nos faz acreditar no sobrenatural por mais absurdas que sejam as ações, pois, basta alguém dizer: "acredite!" e as pessoas sem qualquer ponderação, acredita e ponto final. Ponto final?

Esse seria o ponto final se não tivéssemos a Bíblia em nossas mãos. Como temos a Palavra de Deus ao nosso alcance, podemos e devemos ponderar, estudar, raciocinar e decidir se acreditamos ou não. Acreditamos na Bíblia, não pelo simples fato de dizerem "é a Palavra de Deus", mas, por ela demonstrar, em conjunto com a história humana e a natureza, "ser a Palavra do Criador". E como chegamos a esta conclusão? Depois de analisarmos suas palavras, o contexto histórico da humanidade, o cosmos que nos cerca, concluimos: "só pode ser coisa de Deus!"

Sabemos da atitude do povo de Beréia pelo seu registro bíblico, e esse registro nos estimula a seguir o exemplo desses irmãos de fé. Eles não acreditavam antes de conferir nas Escrituras se aquilo que estava sendo falado, era exatamente como falado. Tinham a confiança do raciocínio, da contemplação, da ponderação, da forma crítica que se deve ter quando alguém nos tenta convencer de alguma coisa. Somos seres humanos!

No Brasil de nossos dias, intelectuais, pastores, bispos, apóstolos, filósofos, sociólogos, pedagogos, doutores, jornalistas, políticos e animadores de auditório, estão em todo tempo discorrendo teses, teorias, impressões pessoais do que acreditam ou do que são pagos para acreditarem, objetivando formar opiniões e manipular as massas. São idéias e propostas das mais variadas, muitas delas incongruentes, ou então, antagônicas e, como certos presidentes que o Brasil já teve, aquilo que se diz hoje não terá valor nenhum no futuro, pois, se dirá completamente diferente daquilo que originariamente se disse.

Neste emaranhado de assertivas, a população, acostumada com a vitrine, com a telinha com suas músicas e cores, acredita que não precisa ponderar, pensar. "Isso é assim mesmo", "assim é a vida", "não tem como mudar", "não há o que fazer", "as pessoas tem que fazer sexo quando sentirem vontade", "a democracia precisa dessa quantidade de vereadores, deputados e senadores". Ouvimos e seguimos como se nada pudesse alterar o curso da história.

A existência de Cristo entre nós é prova suficiente de que o curso da história pode ser mudado. Seja para o bem ou para o mau. Para isto basta não abrirmos mão dessa nossa capacidade de pensar, ponderar, raciocinar e decidir por aquilo que é melhor para nós, num primeiro momento, e para todos.

Não aceite palavras vazias, não aceite mentiras como verdades, não aceite indício como prova, não aceite que o outro pense e decida por você. Ouça tudo, retenha o que é bom, jogue fora o resto. Seja o ser racional que você é.

"Porque, como na multidão dos sonhos há vaidades, assim também nas muitas palavras; mas tu teme a Deus" (Ec. 5:7)

"Examinai tudo. Retende o bem" (1 Ts. 5:21)

2 comentários:

Claudio Menezes disse...

Parabéns! Seus textos são excelentes: Quando tiver inspirado escreva sobre a diferença entre obediência a Deus e a obediência ao homem, pois os valores estão invertendo-se e muitos sendo precionados a fazerem o que a Bíblia não manda. Resultado...abandonam a FÉ. Que Deus continue tendo misericórdia...

Eliel Barbosa disse...

Meu caro irmão Cláudio.

Anotei o tema proposto e, se Deus quiser, apresentarei meu ponto de vista sobre ele.
Me sinto honrado e sou grato por seu contato. Sempre que quiser, esteja à vontade.

Em Cristo, Sua Graça, Sua Paz.