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O Delírio da Intolerância Religiosa no Jornal da Cultura

Fico abismado com a capacidade de disfarce adotado por alguns formadores de opinião. Preconceituosos, insistem em olhar o mundo a partir de sua visão e, com base no que entende por mundo perfeito, rotular e discriminar quem não comunga com seus pensamentos. É uma época em que uma parcela minoritária da população, incluídos os acadêmicos, amparados pela mídia mercenária, querem, eles sim, “impor” uma visão e um formato de sociedade para todas as pessoas. A arrogância dessa gente é tanta que quem não concorda com seus ideais são tachados de preconceituosos, ignorantes, fundamentalistas religiosos, radicais e outros termos semelhantes.

Nesta terça-feira próxima passada, assistir o bom Jornal da Cultura, que apresenta um formato diferente do comum em outras redes. No referido programa, dois convidados tecem comentários sobre as notícias veiculadas. Esporadicamente aparece por lá um senhor chamado Luís Pondé. Filósofo de formação e delirante-mor por escolha, que se posiciona sempre contrário a qualquer posição de grupos cristãos.

Falando acerca de uma reportagem sobre a corrida presidencial americana, disse “que a política americana se encontra refém do radicalismo e da ignorância imposta pela ala mais fundamentalista do protestantismo daquele país”.

O Sr. Pondé acredita que aquelas pessoas contrárias aos seus dogmas não devem ser levadas em consideração. Se essas pessoas não concordarem com o delírio coletivo do atual “politicamente correto”, são rotulados por ele como “ignorantes”, “retrógrados”, “loucos fundamentalistas”, “anticientíficos”, etc.

O filósofo Pondé, entorpecido pelas bravatas amparadas no vazio que se acostumou a ouvir, ler e repetir, se esquece de que o conhecimento se forma na base da sociedade e que, no campo das ideias, o debate é salutar. Ninguém pode ser obrigado a concordar com o outro. Já, ambos, devem respeitar a liberdade e o direito que o outro têm de expor seu ponto de vista.

O problema de gente como ele é imaginar que do outro lado não há pessoas qualificadas para conduzir o debate no campo do conhecimento científico e, portanto, em pé de igualdade para discordar dessa insanidade que tomou conta dos meios acadêmicos e midiáticos modernos. Há médicos, jornalistas, filósofos, psicólogos, físicos, químicos, biólogos, políticos, professores, engenheiros, advogados, magistrados, e tantos outros profissionais cristãos, com plena capacidade de discernir uma coisa da outra no que diz respeito as dicotomias religião e ciência, fato e teoria, prova e indício. Aliás, vale destacar: um profissional que tenha conhecimento científico e formação religiosa (não fundamentalista) possui melhores condições de compreenderem o mundo e contribuir para sua melhoria (é minha opinião. Será que ele suporta sem me rotular de ignorante?).

Eis aqui uma sórdida discriminação. Mesmo com cristãos qualificados, a mídia não abre espaço para o “outro lado da questão”. Não há espaço na mídia para defesa do criacionismo, da vida uterina, da afirmação heterossexual, do casamento monogâmico, da virgindade masculina e feminina, do recato e de outros conceitos que não se enquadram no que comumente chamamos de “politicamente correto”. É sempre um pouco mais do mesmo.

Voltando ao comentário no Jornal da Cultura, ele aborda a eleição nos EUA como se a sociedade americana fosse ateia. Como é de farto conhecimento, inclusive nas universidades, a sociedade americana é religiosa, cristã/protestante, o que testemunha que o dito filósofo age de má-fé. Ora, sendo a sociedade americana cristã, é preciso considerar que o cristianismo tem seus próprios valores e princípios e que, apesar de “expor” à todas as pessoas, não é algo “imposto”. Basta verificar. As pessoas se integram ao cristianismo por decisão própria. Isto não é “imposição” de ideias, é “aceitação” de uma visão que passam a acreditar como melhor. As pessoas não tem este direito?

Pessoas como o Sr. Pondé tem o direito de discordar, da mesma forma que os cristãos/protestantes tem o direito de não concordar com ele. No entanto, não aceitando a opinião e a forma de ser e viver divergente da dele, o Sr. Pondé tenta desqualificar um segmento que foi e é importante na construção, manutenção e consolidação das bases daquilo que se conhece hoje como sociedade ocidental. O Sr. Pondé deve agradecer “à Deus” pela existência do cristianismo, pois, foi sua existência que possibilitou o direito de livre expressão característico da democracia.

A democracia, Sr. Pondé, é resultado dessa atuação cristã. Se na democracia “o poder emana do povo e para ele é exercido”, é preciso considerar números. Em países como os EUA e o Brasil, onde a maioria da população professa fé cristã, o que os integrantes deste segmento social pensa e diz, também e, principalmente, deve ser respeitado.

Assim, lá como cá, para alguns, defender os princípios e valores da fé cristã é retrocesso. A verdade nua e crua é que, este comportamento, confirma o que a própria ciência atesta: estamos “involuindo”. E, como pensa essa gente, atestada pela forma de ponderar do Sr. Pondé, estamos retroagindo em direção a alguma espécie de matéria dura, fria, morta.

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