terça-feira, 31 de agosto de 2010

Saindo Um Prato de Lentilha

Para um cuidado maior de sua obra, Deus tem levantado homens para exercerem a função pastoral, haja vista a necessidade de acompanhar suas ovelhas no caminho até o aprisco. O pastor é aquele homem que deixa sua carreira secular e passa a se dedicar exclusivamente para a obra do evangelho, sendo, para este fim, sustentado, na maneira do possível, pela lã, leite, couro e carne das ovelhas.

A carreira pastoral tem o caráter superior a qualquer tarefa que o homem possa exercer aqui na terra. Não foi sem motivo que o Senhor Jesus, nas praias da Galiléia, saiu a chamar homens ocupados em tarefas seculares, convidando-os a trocarem aquelas atividades secundárias por uma atividade celestial. Deveriam, a partir de então, abraçar a causa do evangelho de corpo, alma e espírito, por ser este, um trabalho superior. Cristo considera que para exercer esta atividade espiritual, deve o homem ser escolhido por Ele, e o escolhido deve se dedicar "exclusivamente" a missão de "pescar homens". Destaque-se que, para o exercício ministerial, a recomendação do Senhor é, "peçam ao Senhor da seara que envie obreiros para sua seara". Será que temos pastores demais envolvidos na causa do Mestre a ponto de nos darmos ao "luxo ou lixo" de entregá-los a uma carreira política e, diga-se de passagem, cheia de má-fama? Na opinião de Cristo, não. O que Ele nos diz é que "a seara é grande, e poucos são os ceifeiros".

Tenho notado a presença cada vez maior de pastores que se candidatam a um cargo eletivo na câmara federal, estadual, municipal e senado, além de outros cargos não menos importantes oferecidos pela sociedade secular. Isto tem me chamado atenção em razão da troca que conscientemente ou inconscientemente fazem. Esquecem do sentido real da proposta do Mestre e, tendo um dia sido chamados para se tornarem pescadores de homens, substituem a excelência do ministério por um trabalho terreno e temporário.

Uma das justificativas que ouço é que estão se colocando à disposição de Deus para serem seu representante nas casas legislativas brasileiras. Isto me soa, no mínimo, estranho, porque eles já foram selecionados por Deus (é o que acreditamos quando da sua consagração) para o exercício ministerial, atividade altamente impactante na sociedade. Observemos as milhares de vidas transformadas pelo poder do evangelho, que recuperadas das drogas, dos prostíbulos, da infidelidade, dos roubos, dos assassinatos, da avareza, das brigas e tantas outras mazelas sociais, produzem agora ações que melhoram a vida em sociedade, gerando, desta forma, muitos louvores à Deus. O trabalho legislativo, por ser de cunho essencialmente normativo, não conseguirá produzir resultado tão satisfatório, mesmo que as leis tenham sido apresentadas por cristãos autênticos. Este poder está reservado apenas a Palavra de nosso Deus, Palavra esta que os pastores, um dia, assumiram o exclusivo compromisso de ensiná-la a todas as gentes.

Daí cabe-nos perguntar: Os pastores foram chamados para que tipo de trabalho? Para respondermos de forma adequada, basta uma olhada em Atos 6:2-4 – “E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra”.

A distinção fica claro no texto em apreço: uns servem à mesa, e outros perseveram na oração e no ministério da palavra. Quando alguém é consagrado ao santo ministério está sendo selecionado para dedicar sua vida na labuta da oração e da ministração da Palavra de Deus. "Os pastores foram selecionados para perseverarem na oração e na ministração da Palavra de Deus". Deixem que outros irmãos, até mesmo diáconos, sejam usados por Deus como seu representante nestas funções seculares. Os pastores devem honrar o santo ministério, considerando-o, como realmente é, uma carreira superior e mais excelente. Tiago 5:20 – “Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados”. Nenhum projeto político ou norma legal possui o poder de salvar uma alma, logo, a lógica de Cristo foi, você deve trocar uma atividade inferior pela superior, e não o inverso, como estão fazendo nos dias atuais.

Qual a real motivo? Por mais que o discurso seja de defender o povo de Deus, a família, os pobres, etc., o que se vislumbra é o excelente salário oferecido, as honras humanas que se desfrutam, a segurança de um trabalho garantido (pelo menos por 4/8 anos) e a possibilidade de uma “gorda” aposentadoria com pouco tempo de serviço (diga-se de passagem, quase serviço nenhum).

A figura que encontro na Bíblia e que expressa adequadamente o que os pastores/candidatos estão fazendo é “trocar a primogenitura por um prato de lentilha”. Ok, eles tem o direito de escolher, porém, deveriam a partir do momento que se candidatam, serem “desconsagrados” da carreira ministerial. A opção que fazem é clara. Todavia, eis o conselho da Bíblia: “E ninguém seja (...) profano (aquele que despreza as coisas sagradas, colocando em seu lugar algo comum ou secular), como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura (Hb. 12:16). E eles conhecem a Bíblia.

Caros irmãos,

Não votem em candidato/pastor, pois quando você faz isto, colabora para profanação do templo do Senhor. Votem nos irmãos de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, que podem ser diáconos, porteiros ou qualquer outro crente que não tenha sido chamado para uma carreira ministerial. Estes, sim, podem ser usados por Deus para cuidar da defesa dos princípios cristãos nas casas legislativas.

Caros pastores,

Como ensinado por vocês nas tribunas de nossas igrejas, o prêmio de vossa vocação é especial e sobremodo excelente, e acrescento, será entregue, não pelo Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, mas por aquele que pagou preço caro para usar vossas vidas em resgate de muitos.

Apesar da beleza do prato, "não troquem Deus por Mamom!"

3 comentários:

Pr. Raimundo Campos disse...

Caro Eliel Teixeira, concordo plenamente. Aqui também vale lembrar 2 Timóteo 2:4 "Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra." Aprendo que, primeiro: na vida do ministro qualquer outra ocupação, anda na contra-mão do exercício de seu ministério; segundo: o ministro está envolvido em uma "guerra" para a qual deve estar voltada sua vida, suas atenções; terceiro: o exercício do ministério alegra a Deus.

Eliel Teixeira disse...

Meu caro Pastor,

Não é sem razão que nos entendemos. Pulsa em nós a mesma semente do evangelho depositada pelos pastores sinceros que tivemos a oportunidade de ouvir. Apesar dos maus, ainda há muita gente boa nessa seara.
Dou graças a Deus, pois, dessa forma, ainda enxergamos dias melhores no futuro.
Fique com Deus.

Pr Dário Gomes disse...

Assim você acaba com meus projetos, desisto de ser candidato!

Parabens! o que vemos nos dias de hoje é a inversão de valores. Se não podemos mudar a sociedade com o poder da Palavra, com as taticas politicas é que não conseguiremos. Só a Verdade é que liberta, muda e transforma.

E não me venha com a desculpa de que Daniel, José foi politico, ja desistir e pronto.