quarta-feira, 23 de setembro de 2015

"Por Que as Relações Acabam." O Meu Mundo Não é o Nosso Mundo.

Deparei-me com um artigo, publicado por uma revista de grande circulação nacional, cujo título era: "Por que as relações acabam." Chamou minha atenção pelo simples fato de abordar as relações amorosas de curta duração e, como lido com a área de família, decidir ler os argumentos do autor a fim de conhecer um pouco mais do que se passa na cabeça de gente que fracassou (e continua fracassando) em seus relacionamento afetivos.

De início já tem minha discordância com a pretensa verdade aludida no título. "Por que as relações acabam" generaliza e iguala, por baixo, as relações afetivas como algo "naturalmente" de curta duração. Logo nas primeiras linhas do artigo surge a base em que o autor desenvolverá seus argumentos. A premissa é: "sentimentos são duradouros, mas as relações que se criam em torno deles são breves. O namoro acaba em poucos meses e o casamento só dura alguns anos." Esta afirmativa aponta para alguém que não consegue manter relações duradouras, o que é o caso do autor.

Seria prova de lucidez e equilíbrio se ele, apesar das suas experiências fracassadas, levantasse um pouco a cabeça e enxergasse a sociedade para a qual escreve. Dizer que as relações acabam é fechar os olhos para as inúmeras relações duradouras e felizes (para espanto dele) que recheiam o tecido social. Observem o que digo. No contexto em que vivo, as relações de curta duração são pouquíssimas.

Vários argumentos aplicados pelo autor são equívocos oriundos da confusão de conceitos, como amor e paixão, por exemplo. Ainda, o mesmo afirma que, "...as coisas no interior da maioria dos casais deixam de funcionar ao mesmo tempo, em todos os territórios. É uma espécie de colapso afetivo que a maioria de nós não sabe (ou talvez não queiram) evitar. Muita gente respira fundo e segue junto depois disso, mas a magia se esgotou. Restam apenas a determinação e os compromissos." (nota-se aquela "capacidade" que alguns acham possuir, de dizer com certeza absoluta o que vai na relação, na mente e no coração dos outros).

Amor e paixão não são uma mesma coisa, aliás, o autor dá a entender que sentir ciúme do cônjuge é a prova cabal de que "o sentimento" entre eles permanece. Nada mais enganoso. Ciúme nunca foi, nem será, prova de amor, pois, na realidade, é prova de desconfiança, fruto de uma paixão descontrolada que confunde o outro com um bem de consumo. Daí, invés de "relacionamento interpessoal", você tem relacionamento de "posse."

Enquanto a paixão é superficial, o amor é profundo; enquanto a paixão é fugaz, o amor é eterno (Quem quiser saber mais detalhes sobre o amor, tem boas dicas disponibilizadas por Deus em 1 Co. 13). O amor traz implicações irrefutáveis como "ter a determinação e a percepção do que se quer e, apesar dos altos e baixos naturais de toda relação, mantêm firmes os compromissos assumidos", pois, o amor não é inconstante nem infantil, é maduro e fiel.

Alguém que escreve numa revista deveria ter capacidade de reduzir a termos o ambiente social em que se está inserido, transcendendo seu pequeno mundo, evitando assim, reduzir o ambiente social ao padrão de seu ambiente pessoal. Infelizmente, vivemos numa época em que virou moda alguns dizerem que o mundo é do jeito que eles são. Novelas, apresentadores de programas de auditório, jornalistas, articulistas, escritores, filósofos, sociólogos, sub-celebridades, etc.

Como no caso do artigo mencionado, em razão da pretensão do autor, não se concede à ele o que é exigido de quem se pretende articulista: "credibilidade".

Da mesma forma que, mesmo vivendo uma relação duradoura e feliz (sou casado e pai de duas meninas há 21 anos; meu pai (hoje, falecido) conviveu 60 anos com minha mãe), não posso fechar os olhos para a realidade dos relacionamento fracassados, mesmo em menor quantidade. Aliás, a boa regra manda, que quando se tem de formar um padrão social, leva-se em conta o "padrão" da maioria e não, como fez o articulista, uma minoria.

Em meu casamento e família sou feliz, e não tenho culpa dos relacionamentos fracassados experimentados por alguns dos formadores de opinião de nosso país. Talvez seja por isso que Deus nos colocou na estrada (eu e minha esposa) para dar algumas dicas como seu casamento, também, pode ser feliz.

Não revelo o nome do autor do artigo, nem a revista onde foi publicada, porque, na verdade, está em jogo a manipulação de consciências que visa fazer com que as pessoas aceitem uma mentira como verdade absoluta por sua repetição. Não entro nesse jogo como elemento de replicação da mentira, nem de equívocos. Mesmo respeitando-o como ser humano, com suas angústias, frustrações e opiniões, combato seu conceito por ser falso e, por último, nocivo às novas gerações.

Relacionamentos duradouros são reais. E, por via de regra, felizes. O que se precisa para vê-los é ter a capacidade de abrir os olhos e enxergar o mundo como o mundo é.

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