sábado, 2 de novembro de 2013

A Nova Família

A nova família não participa das refeições sentados à mesa, interagindo ou, pelo menos, um olhando para o outro. Na nova família, cada um pega seu prato, se serve, sentam-se em frente a televisão e, mudos, engolem a comida.

A nova família não faz culto doméstico, porque a agenda individual não coincide. Na nova família quando o pai pode, a mãe não pode; quando a mãe pode, a filha não pode; quando a filha pode, o filho não pode, e assim,  o culto não pode ser realizado.

A nova família não dá a mínima para companheirismo. Se ele está lavando, eu não preciso enxugar; se ela está varrendo, eu não preciso arrumar; se ela está colocando roupa na máquina (nova forma de lavar roupa), eu não preciso estendê-las, dessa maneira nos tornamos insensíveis a necessidade de um ajudar o outro a levar o peso de uma família.

A nova família não tem amizade. Na nova família os amigos são virtuais, nós os encontramos nas redes sociais. Algumas vezes temos a felicidade de encontrar um irmão, uma irmã, o pai e a mãe, aí escrevemos: "oi, tô com saudade" (Eles não podem se ver, nem se relacionar pessoalmente, porque não tem tempo. Depois de duas horas (no mínimo) de navegação, desligam o computador e dormem).

A nova família não se importa com o que diz o pai, ou a mãe, ou os dois. Se eles falam incomodam desnecessariamente, pois falará aquilo que os filhos já sabem... mas, não fazem. E a tensão vai se estabelecendo, esticando a corda das relações que, em breve, partirá. Na nova família, amor fraternal é desconhecido.

A nova família não vai, juntos, à igreja. Cada um vai quando pode, quando quer e para onde quiser. Com o evangelho de restaurante dos dias atuais, cada um escolhe seu sabor e segue na sua vida, no seu mundo.

A nova família não se compara nem com um posto de gasolina, pois, no posto de combustível há frentistas que estão ali para te servir (pagando o preço, claro). A nova família é quase uma pousada. Cada um tem seu quarto, seu computador, sua tolha, seus talheres, suas roupas, sua vida privada completamente desligada do outro quarto.

A nova família sofre agonizante, e nada podemos fazer para recuperá-la. São tempos "modernos" onde novos valores são cultivados e cultuados como se Deus fossem. Donos da verdade. A experiência de nossos pais não conta mais. Dizem trilhar um novo caminho, uma nova visão, novos conceitos, mesmo sem saber aonde isso vai nos levar.

Antes mesmo que qualquer faculdade existisse, ou qualquer "especialista em família", fabricado em banco universitário alcançasse a fama midiática, a experiência familiar do bisavô ensinou a família da avó, a experiência da avó ensinou a família do pai, a experiência do pai e da mãe é quem nos ensina. Esta é a razão das famílias de tempos passados terem sido mais solidárias, mais companheiras, mais respeitosa, mais amorosas, mais fraternas e mais duradouras.

Numa sociedade fútil como a nossa, a velha família se tornou descartável, sem valor, sem graça. A nova família é que é a boa, pois é onde ninguém se importa com ninguém, ninguém ajuda ninguém e ninguém interage com ninguém.
 
Para membros dessa miserável nova família vale o realismo da canção popular: "Moro onde não mora ninguém, onde não passa ninguém, onde não vive ninguém. É lá onde moro, e eu me sinto bem..." Se sentem bem, isolados, solitários.

E assim, a nova família deixou de ser "nós" para ser "eu".

É uma pena.

Um comentário:

Lúcio Candido disse...

Que Deus nos dê entendimento,como homens, para não permitir tal tipo de omissão em nossas famílias. Em algum momento, precisamos nos olhar nos olhos, nos ouvir, nos tocar, interceder, agradecer, ajudar... E como líderes de nossas famílias precisamos estar atentos para essa necessidade simples: estar juntos. Belo texto, irmão. Como sempre.