sábado, 25 de maio de 2013

Barreiras Para Um Casamento Duradouro

Em tempos de casamentos rápidos, verdadeiros "fast food" matrimoniais, casamento duradouro se tornou algo quase que impossível. Mesmo com a maioria das pessoas se mantendo casadas até que a morte os separe, o que repercute na mídia são os envolvimentos curtos, rápidos, é o cantor beltrano que se separou, a cantora sicrana que se casou pela décima vez.

Ganham destaque na imprensa apenas aquelas pessoas que nada tem para se destacar. Como estamos no tempo da valorização da vulgaridade, quem for mais vulgar se torna "celebridade" com direito de influenciar as novas gerações. Isto tem reflexo em todas as áreas. Política, religiosa, acadêmica. Aliás, por falar nisto, o povo cristão só deveria votar naqueles políticos que viessem de uma família estruturada e mantivesse em alta conta a sua própria família.

Infelizmente, a mídia é dominada por gente que leva em conta apenas a valorização da beleza exterior, mesmo que artificialmente fabricada por habilidosos cirurgiões plásticos. Valorizam apenas aqueles que, covardemente, não conseguem encarar as responsabilidades que a vida impõe. Preferem os irresponsáveis, hedonistas, egoístas e narcisistas. Colherão o que estão plantando.

É em meio a esta turbulência moral e social que o desafio de uma família estruturada e duradoura se torna um alvo extremamente difícil de alcançar. Difícil, mas, não, impossível. Manter-se casado "até que a morte os separe" é o ideal para os cônjuges, para os filhos e para a sociedade em geral.

Para que este objetivo seja alcançado, precisamos considerar algumas barreiras que se opõe. Pela limitação do espaço aqui, citarei apenas três:

1. A espiritualização exacerbada da relação conjugal - O envolvimento de um homem com uma mulher, e vice-versa, é uma atividade meramente humana, ou seja, pertence exclusivamente a esta vida terrena. Observemos o que disse Jesus em Lucas 20:35 - "mas os que forem considerados dignos de tomar parte na era que há de vir e na ressurreição dos mortos não se casarão nem serão dados em casamento." O casamento tem repercussão no mundo espiritual (1 Co. 7:5) quando há desdobramentos íntimos que conduzam os cônjuges a prática de pecados. Assim, a relação conjugal na esfera do casamento deve ser valorizado, respeitado e mantido sem a exacerbação de seu caráter espiritual. "Quando diminuímos o peso daquilo que transportamos, o conduziremos por mais tempo e, consequentemente, levaremos mais longe."

2. A falta de reciprocidade - Na relação matrimonial, apesar do amor divino, altruísta, dever ser o fundamento, é preciso ponderar que se tratam de duas pessoas que precisam de um respaldo afetivo contínuo. São pessoas que precisam se sentir amadas, queridas, consideradas, importantes em suas existências, e isto só acontece que realizamos alguma coisa para elas. Sejam palavras, mas, principalmente, atitudes. Na relação matrimonial o homem espera que sua esposa coloque seu café à mesa, todavia, ele, também, precisa periodicamente colocar o café dela à mesa. Esta é a lei da reciprocidade (Lc. 6:31). Se o marido faz massagem na esposa, a esposa deve fazer massagem no marido (Ec. 4:9-12). Num casamento onde esta lei é respeitada, os dois procurarão um ao outro o tempo todo, até que um dia procure... e a morte os tenha separado.

3. A rotina - Rotina é a repetição de atos e palavras durante a relação matrimonial (Ec. 1:9). Mas, não podemos esquecer que a rotina, também, integra os elementos de segurança de uma relação. Se algo acontece da mesma forma, acomoda as pessoas porque elas, seguramente, sabem o desfecho. Então, se por um lado a rotina incomoda (pela repetição), por outro ela tranquiliza (pela segurança). No entanto, quanto a rotina, podemos mudar o conteúdo ou a forma.

- Mudar o conteúdo significa renovar o pensamento sobre os atos no casamento. Se a forma vem sendo repetida por vezes, anos a fio, mudamos o que achamos sobre isto. Deixamos de achar ruim ou sermos indiferentes ao fato, passando a buscar e valorizar o lado positivo. Com esse novo olhar, vamos encontrar motivação para manter a rotina ou iniciar o seu processo de alteração, pois, na maioria das vezes, a mudança na rotina não acontece por causa da acomodação dos cônjuges. Um novo olhar,um novo conteúdo, uma nova disposição, uma nova forma de se relacionar, valorizando os bons atos e alterando os maus, para melhor. Sem mudar o conteúdo, não se consegue mudar a forma.

- Mudar a forma é o conselho mais comum, pois, se trata de, puro e simplesmente, alterar nossas ações até então adotadas na relação. Acordar mais cedo, fazer exercícios físicos, assumir as rédeas na limpeza da casa, ajudar as crianças no dever da escola, sair para jantar em um restaurante, oferecer um presente inesperado, enfim, fazer aquilo que altera o "normal" dos longos anos de casamento. Isto é quebrar a rotina, surpreender. O que a esposa e o esposo precisam lembrar é que a mudança de forma é quase sempre uma "recompensa" ou "reconhecimento" de atitudes praticadas pelo outro. O marido precisa estimular a mulher a reconhecê-lo e/ou recompensá-lo por atitudes dele que a valoriza. Da mesma sorte, a mulher precisa estimular o homem a reconhecê-la e/ou recompensá-la pelas atitudes dela que o honra e o respeita.

Finalmente, a relação de um homem com uma mulher, e vice-versa, deve levar em conta o tempo. Não temos essa noção de tempo quando diante do altar ouvimos o pastor, padre, rabino ou juiz de paz, informar que, após o sim, os nubentes estão casados com direito a marido e mulher até que a morte os separe. Estimulados pela festa e pela beleza jovial do outro com quem casamos, imaginamos em nosso sub-consciente que "até a morte" é pouco tempo. "Até que a morte separe", na maioria das vezes, é tempo bastante necessário para se tornarem "os dois, uma só carne". Este é o único milagre que precisa de tempo para acontecer.

Quando alguém resolve trocar de marido ou mulher, atende apenas a inquietação íntima gerada pela falta de paciência (Pv. 25:15), por sua vez estimulada pelo egoísmo/hedonista (2 Tm. 3:2,3) e iludida na ideia da existência de gente perfeita (Sl. 51:15). A diferença entre uma esposa nova e uma esposa velha é que, na velha, já conhecemos a maioria de todos os defeitos e de todas as virtudes. Na nova, vamos começar do zero e, no futuro, chegar a mesma conclusão. Qual a sensação que fica? Perda de tempo.

Quando você "troca uma esposa de quarenta por duas de vinte", você só está renovando os problemas, com a diferença que eles virão agora em duplicidade e com  mais força (o mesmo princípio se aplica a mulher). Guarde este segredo: "Um casamento longo, vale mais que vários casamento curtos, e é, por consequência, mais barato".

Quando casamos, depois do primeiro impacto e dos primeiros anos da relação matrimonial (fase de realização), é preciso colocar os pés no chão e entender a diferença entre o casamento ideal e o casamento real. No casamento ideal não há defeitos a serem suportados, não há contrariedades a serem absorvidas, não há dores a serem sofridas. No casamento real, é preciso resignação, é preciso perdão, é preciso recomeçar todos os dias.

Há casais celebrando bodas de diamante (60 anos de casamento), atestando a plausibilidade do desejo divino por um casamento duradouro (Mc. 10:9). O meu e o seu casamento devem e podem durar até que a morte separe, para isto, é preciso, dia-a-dia, construir uma relação sem egoísmos, sem indiferença, sem sonhos irrealizáveis, sem cobranças, com paciência, muito carinho e muito afeto.

Que seu casamento seja bendito em Deus.

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