segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Pertencer - Implicações e Responsabilidades

Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. (42) E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. (43) Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. (44) Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. (45) Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. (46) Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, (47) louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At. 2:41-47).
 
A experiência humana de viver só trouxe o testemunho de Deus de que era algo ruim (Gn. 2:18). Surge, portanto, desde o jardim do Éden, a convicção de que a companhia é um instrumento de suporte para prosseguimento na caminhada da vida.
 
O dualidade da companhia e solidão se aplica, também, do ponto de vista espiritual. O homem, distante de Deus, se torna um solitário, não encontrando um apoio adequado para suportar sua longa caminhada à eternidade. Dessa forma, cego e desvairado, tateando, tenta encontrar o caminho (At. 17:7), não encontrando quem lhe possa estender as mãos e caminhar com ele.
 
Foi pensando nessas pessoas que Cristo se lança em sua trajetória terrena, oferecendo-lhe luz para seu caminho (Sl. 119:105). Ao vislumbrar a luz, enxerga com nitidez sua trajetória e encontra outros companheiros e companheiras que lhe darão apoio para a alcançar a inescapável eternidade.
 
Este é o processo que conduz o homem a deixar seu isolamento e passar a pertencer a uma comunidade ou, como é mais conhecida, uma igreja. Esse pertencer, porém, traz implicações e responsabilidades que precisamos compreender, a afim de que esse nosso pertencimento esteja dentro do padrão estabelecido pela Palavra de Deus.
 
I.                    Implicações
 
a.       Conversão;
A conversão é a exigência principal para o pertencer. Ninguém fará parte da Igreja sem que assuma uma legítima conversão à Cristo (Jo. 10:7).
 
b.      Imperfeição;
Esta conversão traz implícito o reconhecimento da própria imperfeição. Olhamos para dentro de nós mesmos e assumimos nossos limites e nossa incapacidade (Mc. 9:22-24);
 
c.       Vulnerabilidade;
Por sua vez, quando percebemos nossa imperfeição, vislumbramos as brechas no muro de proteção do nosso eu, da nossa essência. É inevitável que nos tornamos vulneráveis, expondo nossas falhas e estando aberto para a correção externa (Rm. 15:14);
 
d.      Acessibilidade.
O pertencer a uma comunidade nos inclui no rol dos acessíveis, ou seja, as pessoas possuem a liberdade de interagir conosco livremente (1 Ts.5:11).
 
II.                  Responsabilidades
 
a.       Proteção;
Dever de proteger uns aos outros (Gn. 4:9; Ez. 3:20);
 
b.      Cooperação;
Ao pertencer a uma igreja, aceito a responsabilidade de cooperar com seu funcionamento, zelando e respeitando suas reuniões e sua estrutura eclesiástica (Ne. 4:16-20; Ef. 4:28);
 
c.       Perdão;
A aproximação de uns para com os outros, considerando que vivemos em meio a pessoas imperfeitas e pecadoras, nos torna alvos de incompreensões, injustiças, invejas e outros sentimentos que gerarão danos à nossa alma e ao nosso coração. Isto interfere diretamente nas relações interpessoais.
 
O antídoto oferecido pela Bíblia para restauração dos elos de relacionamentos nas comunidades é o perdão que devemos conceder uns aos outros. Vale destacar que o perdão ao semelhante é a condição fundamental para recebimento do próprio perdão de Deus para nós (Mc. 11:25).
 
d.      Sustento.
Corroborando com os dias atuais, a Bíblia informa (Ec. 10:9) que o dinheiro por tudo responde. Sendo assim, quem pertence a uma igreja precisa entender a necessidade de sustento de toda sua estrutura organizacional, que por sua vez, ampara as atribuições espirituais do organismo vivo (Ml. 3:10; Mt. 23:23).
 
Conclusão
 
A jornada em comunidade, com suas implicações e responsabilidades, geram para o homem as inúmeras possibilidades de crescimento, fortalecimento e amadurecimento. Esta é a contribuição da igreja para alcance dos objetivos comuns (doutrina, comunhão, partir do pão e orações) e dos objetivos individuais (conversão, santificação e salvação).
 
Fique com Deus.

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