segunda-feira, 30 de abril de 2012

Tiatira - A Igreja Tolerante.

Tiatira era o nome antigo da moderna cidade turca de Akhisar ("Castelo Branco"). Era um importante centro comercial na Ásia Menor e foi fundada para ser um posto militar. Foi destruída por um grande terremoto durante o reino de Otávio Augusto, mas foi reconstruída com a ajuda do Império Romano.

Era famosa pelo seu comércio e por sua produção de têxteis, incluindo o índigo. Segundo o livro de Atos dos Apóstolos, uma das comerciantes de roupas da cidade era uma mulher chamada Lídia, que conduzia negócios em lugares distantes como Filipos (Atos 16:14).

Na Antiguidade, a cidade era conhecida pelas suas muitas guildas comerciais, que eram cooperativas de comerciantes. E, para poder trabalhar no comércio era necessário que o cidadão pertencesse a alguma guilda, sendo muito comum que os membros dessas associações participassem de festas dedicadas às divindades pagãs que terminavam geralmente em orgias sexuais.

No livro do Apocalipse, Tiatira é citada como uma das sete igrejas para as quais Jesus encaminhou cartas com advertências. Diz o texto registrado em Apocalipse 2:18-25:

E ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem seus olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao latão reluzente: 19 Eu conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras. 20 Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria. 21 E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu. 22 Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras. 23 E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras. 24 Mas eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram como dizem as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei. 25 Mas o que tendes, retende-o até que eu venha”.

Como todo o Apocalipse, é preciso o cuidado de nos ater-mos exclusivamente ao que o texto se refere e ao seu significado mais simples. Qualquer interpretação que fuja do contexto e, muitas vezes, do próprio texto, é de inteira responsabilidade de quem lhe atribui. Por esta razão, manterei-me preso, o máximo possível, ao que o texto claramente diz.

Primeiro, como todas as demais cartas registradas em Apocalipse, ela é endereçada ao “anjo da igreja”, ou seja, ao pastor, presbítero ou bispo responsável. Nos dias atuais, seria uma carta endereçada ao pastor responsável pela igreja. Portanto, não é uma mensagem para o povo, ainda que possamos retirar comportamentos gerais que são reprovados pelo Senhor, como por exemplo, a Jezabel mencionada nesta carta à Tiatira, que ensinava o povo a se prostituir.

A carta endereçada ao responsável pelo cuidado da igreja, após a identificação de quem lhes fala (O Filho de Deus que tem olhos como chama de fogo e pés reluzentes), inicia com elogios, pois, fica claro que a forma como o Senhor se dirige não é de repreensão, mas, sim, de aprovação quanto aos temas tratados.

(19) Eu conheço as tuas obras e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras – O Senhor testemunha que o anjo da igreja em Tiatira era um homem de bom testemunho, portador de um coração com amor sincero, prestador de serviços dignos de um fiel representante, inabalável em sua fé em Deus e paciente, provavelmente, em suas tribulações e nas lutas enfrentadas para a manutenção da saúde espiritual do povo. Jesus destaca, sintetizando a avaliação geral do pastor, que as suas últimas obras são melhores que a primeira, ou seja, era um homem que, continuamente, buscava o aprimoramento de sua vida cristã.

(20) Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria – A chave para compreensão da única mácula na conduta pastoral do anjo da igreja em Tiatira está em Jezabel.
No AT ela é identificada como a mulher de Acabe, o rei de Israel (1 Rs. 16:31). Foi uma princesa pagã a ocupar a posição de esposa do rei de Israel, iniciando um período de alianças políticas com povos idolatras. Este processo se consolidava com o casamento do monarca com uma jovem escolhida dentre a nação aliada.

Jezabel era filha de Etbaal, o rei dos sidónios.  Ela foi a primeira grande instigadora da perseguição contra os santos de Deus. Sem princípios, sem que fosse impedida pelo medo quer a Deus, quer aos homens, apaixonada na sua ligação ao culto pagão, ela não se poupou a sacrifícios para manter a idolatria à sua volta em todo o seu esplendor. Mantinha sob seus cuidados quatrocentos e cinquenta profetas responsáveis pelo culto a Baal (1Rs 18:19). A idolatria, incentivada por Jezabel, era do tipo mais sensual e baixa. O seu nome passou a ser usado como significado de mulher malvada, idólatra e prostituta.

O pastor da igreja em Tiatira, conforme o texto descreve, tolerava a ação de uma mulher que se dizia profetisa, mas, que enganava os servos do Senhor levando-os de alguma forma a prática da prostituição e idolatria. O que dá a entender é que ela, travestida de “mulher de Deus”, concordava e estimulava os irmãos da igreja em Tiatira a participarem de cultos idólatras recheados de orgias sexuais muito comuns naquela época. Como o pastor não a repreendia, isto se tornou uma mácula em seu ministério.

Há algumas situações semelhantes nos dias atuais, pois, líderes se sentem impedidos de repreender alguns "profetas e profetisas" modernos, com medo da influência dessas pessoas no meio do povo. Daí, não corrigem quando ocupando o púlpito da igreja sob sua responsabilida, ouvem-nos proferirem verdadeiras barbaridades espirituais que destróem a fé do povo. Como antes, a atitude dos líderes chamados por Deus é corrigir quem quer que seja. Qualquer profeta ou profetisa, “homem ou mulher de Deus”, de oração, santa, pastora, missionária ou cantora que desenvolva atitudes que pareçam estimular a perversão espiritual, deve ser imediatamente corrigida, e chamada, com amor, para repreensão e aconselhamento.

Seguindo no texto, depois de transcorrido o tempo da paciência divina (v. 21), o Senhor relata as punições que recaíram sobre “Jezabel” e seus seguidores, deixando bem claro que uma atitude de rebelião contra Deus não ficará sem a devida e justa punição (vs. 22,23).

Finalmente, Jesus estimula os sinceros cristãos a permanecerem fiéis ao que aprenderam, pois, receberão a justa recompensa por sua fidelidade (vs. 24-25).

Resumindo:

Algumas pessoas acreditam que devemos exercitar o amor, a compaixão, a misericórdia e a paciência sem limites. Jesus, através desta carta, demonstra que os líderes não podem e não devem ser tolerantes com o erro em momento algum (veja ainda, Rm. 1:32).

Outros, confundindo pecados com gostos pessoais e tradições humanas, acham que determinadas igrejas são tolerantes com comportamentos que dizem pecados, mas, na realidade, são apenas e meramente adaptações culturais normais. Que fique bem claro que o Senhor repreende a tolerância com os "pecados" devidamente identificados como "prostituição" e "idolatria".

Isto tinha razão de ser, pois, um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gl. 5:9). Lembremos: o que prejudicou o povo de Deus quando entrou na terra de Canaã, foi se misturar com os costumes dos povos pagãos, contrariando o mandamento do Senhor de não permitir essa proximidade com esses costumes idólatras (Lv. 18:3; Dt. 20:17; Js. 9; 24), evitando que o Seu povo adotasse práticas que contrariavam frontalmente a vontade de Deus.

Era de inteira responsabilidade de Josué, naquela época, cuidar e reprender o povo quando esta ação era praticada. Agora, cabe ao pastor, líder da igreja, zelar para que o genuíno evangelho de Cristo seja pregado em sua jurisdição, coibindo qualquer um que, aproveitando uma oportunidade, estimule práticas contrárias aos princípios estabelecidos por Deus em sua Palavra.

É o que o Senhor requer do pastor, líder da Igreja. Foi para isto que o Senhor o colocou ali.

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