terça-feira, 10 de abril de 2012

Importa Obedecer a Deus.

“E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho. E o sumo sacerdote os interrogou, dizendo: Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina, e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem. Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:27-29).

Apesar do mistério envolvido no episódio do primeiro pecado, a desobediência parece ser a materialização mais simples deste pecado original. O fato da desobediência a uma orientação divina provocou a ruptura do relacionamento com o Criador, trazendo todo conjunto de desgraças sobre a humanidade.

Em sã consciência, nenhum cristão deseja ou espera desobedecer a Deus. Sua vida é uma luta constante na manutenção da obediência as orientações divinas e, por isto, vive num martírio eterno da dúvida quanto ao seu sucesso ou insucesso nesta empreitada diária. Este é o contexto cristão, e nele, os líderes se destacam no papel de repassar e esclarecer, na maneira do possível, a vontade divina para os seus filhos. O objetivo é uma obediência racional, sadia, voluntária e amorosa por parte daqueles que se aproximam de Deus.

A obediência a Deus é de extremo valor no meio cristão, no entanto, é mais importante conhecer as regras, orientações ou princípios que se pretende obedecer ou desobedecer, para que se qualifique a decisão tomada, para que se chegue à conclusão de que a escolha foi acertada ou não, para que tenhamos a consciência tranquila de que fizemos a coisa certa ou turbada pela coisa errada praticada. Veja o que diz a Palavra de Deus em Oséias 4:6: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; (...)”. A falta de conhecimento nos conduz ao cumprimento de obrigações equivocadas ou a adoção de comportamentos que, por origem, deveriam ser rejeitados ou aceitos.

A obediência, portanto, está intimamente ligada a ideia de um alguém que possui autoridade e sabedoria suficiente para inspirar ou obrigar outro ser a seguir seus conselhos, seja por medo dele, por amor a ele ou pelo resultado que ele lhe garante. Sendo Deus o Criador, sustentador de toda vida, princípio e fim de toda humanidade, detentor de todo conhecimento, soberano, Todo-poderoso e, na identificação mais simples, BOM, a obediência a Ele deve ser um princípio inegociável na vida de todo cristão.

Nas sociedades humanas o debate entre obedecer a Deus e aos homens se perpetua ao longo do tempo, colocando em lados opostos os cristãos e não-cristãos, exatamente em razão da identificação do pecado como algo que contraria a vontade de Deus. Porém, na maioria das vezes, a polêmica se instala na sociedade, exatamente em função da incerteza quanto a vontade de Deus.

A variedade de representantes divinos, cada um com uma mensagem própria, em sua maioria divergindo do outro, conduz os homens a dúvida no que diz respeito a quem está realmente falando a Palavra de Deus. Este é um malefício que seria sanado se as pessoas, antes de obedecerem aos homens, cuidassem conhecer Deus pela revelação exposta na Bíblia Sagrada. É preciso destacar que Deus concedeu seu Espírito Santo para “todos” que desejam conhecê-lo, e não apenas para os que se dizem cristãos. Querendo conhecê-lo, o Senhor concede que seu Santo Espírito O revele ao sincero interessado, através das Palavras registradas na Bíblia Sagrada.

Os homens dizem: “faça isso e Deus te dará aquilo, porque Deus é assim”. A pergunta a ser feita é: “a Bíblia dá respaldo para esta exigência?” “O caráter de Deus concede margem para este tipo de afirmação?” Se a resposta for sim, faça. Se não, esqueça. O melhor conselho que alguém pode dar a outro é: “Leia a Bíblia para conhecer um pouco de Deus” e “siga a Cristo para ser salvo”. O problema é a confusão que fazem aos neófitos da fé. O fato de nos apresentarem o Filho de Deus, não faz do evangelista credor de nossa obediência irrestrita. O consideraremos, o honraremos, o respeitaremos, enquanto mensageiro das verdades de Deus, afinal, o objetivo não é ser seu seguidor, e sim, seguidor e discípulo de Cristo (Jo. 3:26-30).

Quem se torna seguidor de homens, transforma suas palavras em Palavras de Deus, perdendo a capacidade de discernir o seguir a Deus do seguir aos homens. Este problema tem afetado, principalmente, aqueles que são separados para o santo ofício. Pelo fato de terem sido indicados ou escolhidos para determinada função religiosa, a pessoa passa a se submeter de forma indiscriminada, e ás vezes, involuntária, àquele que o escolheu ou indicou. Este tipo de atitude tem permitido que o homem mau, o enganador infiltrado, o mercenário, ludibrie o rebanho e os transformem em presas suas. Deus, quando outorgou poder para os homens serem seus mensageiros, deixou bem claro que a missão era transformar uma simples pessoa em discípulo de Cristo. Sendo discípulo de Jesus, a obediência se vincula as Palavras de Cristo.

Disse Paulo: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (1 Co. 11:1). Observe o vínculo, “meus imitadores e eu de Cristo”. Paulo só reinvidica ser um paradigma para os cristãos apenas pelo fato de, por sua vez, Cristo ser o paradigma para ele. O contrário é válido. “Se Paulo não imita Cristo, vocês não tem obrigação espiritual de imitar a Paulo”.

Quem é seu pastor? Quem é seu líder? Quem é seu tutor espiritual? Quais as credenciais que lhe concedem autoridade para orientar a sua vida? Hoje o que não faltam são “chefes espirituais”, aqueles líderes que se sentem com autoridade suficiente para lhe dizer o que fazer e o que não fazer, o que acreditar e o que não acreditar. Há uma falta de respeito ao outro, a capacidade inerente a todo ser humano de buscar e compreender Deus, através das ferramentas colocadas pelo próprio Senhor à sua disposição. É evidente a invasão da privacidade alheia, da liberdade de escolha e do poder de raciocinar das pessoas, pois, alguns líderes vão além de suas responsabilidades, cauterizando consciências e subjugando vontades sob pretexto de obediência a Deus, causando mais males do que edificação de vidas. Concedem muletas religiosas, invés de vida abundante em Cristo.

É tempo de células, de grupos pequenos, de grupos familiares, cada um com seu gestor próprio, com idéias próprias, objetivos próprios, métodos próprios, todos eles acreditando que estão no caminho certo, fazendo a coisa certa, adotando as orientações certas, tentando, na maioria das vezes, fazer do discipulado sua própria imagem e semelhança. Neste mesmo tempo, é imperioso identificar os limites, a fim de preservar a genuína vontade de Deus para a vida das pessoas (Rm. 12:2). O limite é o exposto na Palavra de Deus.

Nossa tarefa é dizer apenas o que a Bíblia diz, e para isto, devemos evitar o máximo possível as “interpretações” de textos bíblicos, pois, é daí que advém a maioria dos absurdos evocados na seara cristã moderna, repulsa ao evangelho no seio social e dúvidas na mente do homem de boa-fé. O ser humano é sugestionável. “Quem sabe menos, sabe mais do que aquele que não sabe nada e quem não sabe nada, se torna escravo daquele que sabe alguma coisa, pois, conhecimento é poder”.

O problema da obediência indiscriminada é a identificação se esse conhecimento é verdadeiro ou falso. Se você não conhece, ou não tem contato com a Palavra de Deus, qualquer um, principalmente se tiver um título cristão (obreiro, servo, presbítero, doutor, pastor, apóstolo, bispo, missionário, patriarca, semideus, etc.) dirá coisas que não estão na Bíblia como se estivesse, e você aceitará de boa-fé, mas sofrerá as consequências da sua injustificada ignorância.

Pedro, no sinédrio, não se intimidou. Mesmo já tendo sofrido uma prisão anterior, não aceitou a orientação daquele grupo que se identificava como “representantes de Deus”, pois, as orientações que partiam de suas bocas eram contrárias ao mandamento do Senhor Jesus: “parem de anunciar este nome (JESUS)”. Diante disto, não lhe restou qualquer dúvida quanto a quem obedecer: “importa obedecer a Deus e não aos homens”.

Hoje, com tanta gente travestida de chefe religioso, é preciso confrontar a vida dessa gente com a Bíblia. No evangelho de Mateus, capítulos 5-6, são colocados por Cristo uma série de características próprias de seus autênticos representantes. Ainda em apocalipse 2:2, diz: “Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem serem apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos”.

A pergunta que salta em nossos pensamentos agora é: “o que fazer?” ou “a quem obedecer?” Veja a resposta clara de Paulo em sua orientação para Timóteo: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes “afasta-te (2 Tm. 3:1-5).

Sim, é bem verdade que Deus abriu a boca de uma “jumenta” para falar com Balaão (Nm. 22:28), mas, isto não a transformou numa profetisa. Imagine alguém atrás da jumenta esperando que ela assumisse uma missão profética. Deus abriu a boca da jumenta, mas, não lhe deu sua palavra. Deus abre a boca dos homens, mas, fica claro que as palavras que devem sair são as d’Ele. Apesar disto, nem todas as palavras que saem da boca dos homens são inspiradas pelo Senhor. Mesmo cristãos. A Bíblia é a referência, não os títulos ou experiência que possam ter.

Hoje o que temos é um bando de gente frustrada, sem forças para mudar o rumo de suas vidas, que não conseguem encontrar o caminho porque adotaram a visão mesquinha desses líderes e se acorrentaram ao medo de não ir com eles, mesmo que eles estejam indo para lugar nenhum... ou pior. Há uma gama de líderes cegos à disposição (Mt. 15:14), que se perderam em seus interesses pessoais, que se aprisionaram com as algemas da secularização, da subserviência a mamom e da paixão pelo hedonismo; que estão, diuturnamente, espalhando o medo, o terror, a maldição, o pavor que sobrevirá sobre aqueles que não o seguirem ou servirem.

Obedecer a Deus é obedecer a sua Palavra, a Bíblia Sagrada, observando o respaldo que as demais Escrituras devem encontrar nas Palavras de Cristo registradas nos evangelhos e no apocalipse. Todas as orientações e princípios a serem seguidos devem passar pelo crivo das Palavras de Jesus, pois, toda escritura se cumpre n’Ele. Isto inclui as palavras dos patriarcas, do apóstolo Paulo e dos demais personagens bíblicos. Se as orientações que os líderes apregoam como de Deus não encontrarem respaldo em Cristo, jogue fora! É lixo! DESOBEDEÇA!

Não se deixe enganar pela numerologia e misticismo evangélico moderno, não se deixe levar por manifestações supostamente espirituais, não se deixe aprisionar pelo formalismo. É guarda de tantos dias, é oração por tantas horas, é voto em dinheiro, é culto forte, oração forte, palavra forte, unção apostólica, rosa ungida, lenço ungido, travesseiro ungido, tudo isso com intuito de engabelar o incauto, arrancando-lhe a confiança, no início, e o dinheiro, no final. No terreno do misticismo, fazem de tudo um pouco. Cambaleando entre o cumprimento da antiga lei e a adoção de práticas supersticiosas, não sentem qualquer remorso em relação a carga colocada sobre os ombros de seus seguidores, muitos deles, gente cansada e aflita, desesperadamente em busca de refrigério.

A simples mensagem do evangelho de Cristo: “Jesus cura, liberta, salva o homem do pecado, e breve voltará para nos levar ao lar eterno”, para eles, não tem mais efeito, não satisfaz. Não importa mais as considerações de Cristo. O poder emana deles, não importando de onde é inspirado, seja nos títulos que possuem, na organização que representam ou no maligno. Por este motivo, requer dos seus obreiros uma obediência cega aos seus loucos enunciados, e se Jesus disser alguma coisa contrária as suas decisões e orientações, ignore-O.

Há líderes decentes (Para conhecê-los, é preciso conhecer a Bíblia). Esses são, antes de mensageiros de Cristos, seguidores de Cristo, e, portanto, suas palavras serão as Palavras de Cristo em suas bocas (Apesar disto, devemos conferir, sempre, nas Escrituras (At. 17:11). À esses devemos obediência, porque obedecemos a Deus. Aos outros, nossa compaixão por suas vidas e nossa rejeição as suas falácias e obras. “Importa obedecer a Deus, e não aos homens”.

2 comentários:

CARBELLE disse...

A PAZ DO SENHOR!
Que Deus continue a iluminá-lo e a nós para não cairmos no erro de não examinar as Escrituras, pois são elas que nos dão discernimento através da revelação do ESPIRITO SANTO do que é Verdade e mentira. A VERDADE É JESUS e tudo que o Pai nos deixou escrito para nos orientar. O resto é falácia.
PARABÉNS!!!

Eliel Barbosa disse...

Obrigado, Carbelle por sua participaçao e palavras gentis.

Nesse momento difícil em que vivemos, vamos orar, "talvez" ainda haja esperança.

Em Cristo, Sua Graça, Sua Paz.