domingo, 15 de abril de 2012

Quanto Maior o Templo, Mais Distante Está o Pastor do Seu Povo.



O Cristianismo é o resultado do crescimento da quantidade de pessoas que resolveram seguir a Cristo. Jesus, como fica claro nos evangelhos, não nasceu para criar uma nova religião. Ele se encarnou com a missão de salvar o pecador (Jo. 3:16) e, desta forma, reatar a comunhão com Deus, o Pai. Sua missão foi essencialmente uma missão de resgate.

Acredito que, mesmo com ciência de sua missão principal, o Senhor entendia a tendência natural da humanidade de estarem reunidos compartilhando aquilo que é de interesse comum. O fato de terem gostado do discurso, do trato, e da ajuda de alguém, criam um vínculo com esse protagonista e é natural que as pessoas queiram preservar por o máximo de tempo possível este relacionamento.

Como bom profeta que é, o Senhor Jesus fornece indicativos que regulam a reunião daqueles que se tornariam seus seguidores. A sua constante mudança de cidade demonstra que Jesus era mais um andarilho do que morador fixo de grandes centros urbanos. Sua escolha por doze discípulos, quando poderia contar com um número bem maior, testemunha que, como homem, Ele compreendia que a tarefa de formá-los se tornaria mais penosa e difícil. Observe ainda a despedida dos doze, de dois em dois, para pregarem o evangelho; a organização dos quase doze mil homens, incluindo mulheres e crianças, em grupos de cem e cinquenta, para se alimentar. Tudo isto evidencia de que é em grupos pequenos que os melhores resultados são alcançados. E, óbvio, o ensino de que transformando pequenos grupos se transforma o mundo (Rm. 12:2).

Quando refletimos sobre isto, pensamos no tabernáculo estabelecido no Antigo Testamento, cujas dimensões foram dadas pelo próprio Deus e, às vezes, fazemos confusão com o templo construído em dedicação a Deus por Salomão. Uma coisa era o tabernáculo, outra coisa era o templo de Davi, construído por Salomão, cujas dimensões partiram da ideia que Davi tinha da suntuosidade que a casa que abrigava um “rei” deveria ter.

Depois das questões relativas à salvação eterna, o conceito principal do cristianismo é o cuidado de uns para com os outros, e a Bíblia concede as bases para construção de lugares que reúnam pessoas, mas, que concedam aos seus pastores condições de exercitarem seu ministério de forma adequada e eficiente. Tiago, o apóstolo, diz em sua carta que “a verdadeira religião é cuidar das viúvas e dos órfãos em suas necessidades” (Tg. 1:27). É a vida em comunidade.

Hoje presenciamos uma vaidosa corrida por construções de templos cada vez maiores e mais suntuosos para abrigar o povo de Deus. A diferença básica que se constata é que, num grupo pequeno, o líder é o Pastor – zeloso de suas ovelhas; num grande grupo, o líder é o Presidente - zeloso pela organização. Alguns dizem que sua denominação, que já possui e ainda constrói grandes templos, já realiza trabalhos sociais. Posso dizer: “Pelo dinheiro que desperdiçam com estas construções, poderiam ajudar e fazer muito mais”.

Este problema se agrava porque a qualidade dos líderes cristãos modernos é sofrível, do ponto de vista bíblico (veja na Bíblia as características exigidas para líderes e confronte-as com as características dos líderes atuais – Hb. 5:5; Tt. 1:6,7; 1 Tm. 3:1-7; 5:8; Jo. 10:2; Zc. 11:17; Ez. 34:8; 2 Tm. 3:10-17).

Enquanto no início do cristianismo O Líder cristão, às vezes, utilizava um jumentinho emprestado (Mt. 21:5), no cristianismo moderno, os líderes se esbaldam em jatinhos particulares e carros de última geração; Enquanto O Líder no início do cristianismo se aproximava do cego, do coxo, da prostituta, do ladrão, os líderes modernos estão distantes, separados pela redoma da riqueza e da suntuosidade.

Temos um problema de vocação divina. Durante muito tempo os líderes cristãos eram formados pelo estudo ininterrupto da Palavra de Deus e por uma vida de oração, evidenciados num viver carregado dos frutos de uma “verdadeira conversão”. Os de hoje, sem generalização, são forjados nos conceitos humanistas da capacitação acadêmica, da liderança empresarial e do carisma pessoal.

Esses líderes cristãos, à moda dos Davis moderno, se esforçam para demonstrar a presença divina pela edificação de grandes “tabernáculos” enchendo-os com gente descompromissadas com Cristo. Não se recordam que a maior manifestação desta presença, são pessoas mudando uma sociedade secular para melhor, porque foram transformadas pela genuína pregação evangélica e, a partir daí, amparadas em sua trajetória para o céu.

Estas mega-construções cristãs é apenas uma forma severa de nos ensinar que, quanto maior o templo, mais distante está o líder, ou pastor, do seu povo. Isto vêm transformando um cristianismo simples e humano, numa religião fria e insensível emoldurada no ouro, na prata e nas pedras preciosas exibidas por seus líderes humanos. Por esta razão, o cristianismo, que era “a religião de Cristo”, hoje é apenas mais uma “religião do mundo”, com suas riquezas e suas catedrais.

[“Desconfio que Cristo, ainda hoje, está perguntando aos "donos de estalagens" se há lugar para Ele”.]

Nos grandes espaços, não há convivência, e se não há convivência, não há cristianismo (MT. 25:35-40). A religião dos seguidores de Cristo enfatiza o “ceiar com o igual”, e não reunirem-se como súditos, diante de tronos, seguindo reis. As pessoas, nestes castelos de areia modernos, são transformadas em meros espectadores de um show da indústria do entretenimento. Como numa partida de futebol, o crente tem o direito de torcer, de gritar e de dançar, cada um do seu jeito, cada um aprovando ou reprovando o espetáculo com base em seu gosto pessoal. Depois que o entretenimento termina, as pessoas se distanciam do templo suntuoso como se distanciando do seu “deus”.

Mas, “Deus”, o verdadeiro YEHOVAH, quer ampará-los continuamente, deseja o Senhor acompanhá-los em sua trajetória para casa, em sua mesa de jantar, na educação de seus filhos, na cura de seus doentes, na satisfação dos seus corpos, de suas almas e de seus espíritos (Is. 64:4; Mt. 28:20; Is. 41:13).

Os recursos financeiros que são derramados nessas edificações fazem extrema falta no amparo ao doente, ao faminto, ao desnudo, ao prisioneiro, até mesmo na instrução do próprio povo de Deus (Ef. 4:28). Mas os líderes megalomaníacos não enxergam, não entendem. Na cabeça dessa gente o que vale é o conceito do rico insensato (Lc. 12:16-21). Eles juntam num grande celeiro suas riquezas, e depois dizem as suas próprias almas: come, bebe e se ufana, pois a grande multidão que reunistes, te dará condições de suportar a sua vida pelo resto dos dias que tens para viver sobre a terra.

Deus resume esse tipo de pensamento com uma breve palavra: “Louco” (Lc. 12:20).

A demanda de tempo, de recursos, de energia e de gente que estas construções consomem, seriam muito melhor aproveitados se direcionados para o que realmente é importante no Reino de Deus. O atendimento ao faminto, ao desamparado, ao prisioneiro, ao doente, ao necessitado em suas necessidades. Se compreendessem isto, cuidariam melhor da alma do aflito, do angustiado e, com menos dificuldades, os conduziriam ao céu.

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