sexta-feira, 1 de outubro de 2010

UM CONTO QUE INCOMODA

Certo homem tinha vários empregados. Estes empregados dependiam dos recursos advindo do seu trabalho para pagar suas dívidas, adquirir mantimentos e manter a vida de suas famílias em condições de sobrevivência. Não era um grande salário, no entanto, era o que possuíam como garantia para atendimento a tais necessidades. Não era muito, mas, garantido em todo final de mês.

Com o passar do tempo, este homem foi elegendo outras atividades como prioridade de sua organização e administração. Elege este “pobre” homem, a manutenção do seu modo de vida confortável em detrimento ao compromisso de pagar em dia seus empregados. A insensibilidade deste homem chega ao ponto de priorizar viagens e festas, desnecessárias para o momento vivido, ao invés do pagamento dos salários de seus empregados. Desfruta do benefício da hospedagem em hotéis, o turismo, a alimentação gratuita, a fartura, a falsa alegria. Seus empregados, o trabalho duro e incessante, a indiferença e a injustiça.  MENE, MENE, TEQUEL, UFARSIM (Dn. 5:25).

O que você sentiria se tal história fosse verdade? Indignação? O que você faria se fosse um desses empregados? Demissão? O que você mereceria se fosse este “pobre homem”? Condenação? Seja lá o que você escolher, só posso dizer que é pouco para tamanha injustiça. Os injustiçados sofrem, e eu escuto o "grito do silêncio dos que sofrem calados". A injustiça chama a atenção de Deus e a justiça clama alto diante do seu trono.

Lembro-me do episódio envolvendo o profeta Natã e Davi. Às vezes é preciso inteligência para protestar e expor verdades que doem, para que, sabe Deus, a máscara dos “reis” caiam e eles enxerguem o mal que estão causando aos outros. Podem eles, e desejamos que isto aconteça, abrir seus corações, como Davi, reconhecendo seus pecados, pedindo perdão e mudando de atitude. Só assim preservarão a ovelhinha do outro.

A história acima é verídica, com o agravante de que se trata de uma história vivida por seus protagonistas num ambiente dito cristão. Vendo coisas como estas, sinto-me na obrigação moral de concordar com Ghandy, que disse mais ou menos assim: “Admiro o Cristo dos cristãos, mas, odeio os cristãos de Cristo” (retire-se o trigo de entre o joio). E, por falar em Cristo, lembro-me de suas palavras registradas pelo evangelista Mateus: “... Se vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo algum entrareis no reino dos céus” (5:20).

A verdade clama. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça a sua voz.

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