Se o Pastor Não Vai, as Ovelhas Preferem Ficar no Aprisco.

Tem se tornado comum ouvir pastores, durante suas reflexões, reclamarem a falta de ação da igreja na busca por pessoas não convertidas. Cobram dos demais membros atitudes que mudem a inércia e a acomodação e os desafiam a lançarem-se na busca pelos perdidos, como ordenou o Senhor Jesus. Isto tem me soado estranho...

Assim não.
Estranho porque, quando um pastor sente a falta de ação dos cristãos, na verdade, o que ele deve sentir é a sua própria acomodação. Infelizmente, de uns tempos para cá, tem ecoado em alguns púlpitos que “ovelha é quem gera ovelha”, numa espécie de justificativa para isentar o próprio pastor do dever de ir em busca das pessoas descrentes da Palavra de Deus. Com a palavra o apóstolo Paulo: “Pois me é imposta esta obrigação...” (1 Co. 9:16). Foi por este motivo que ele se lançou em três viagens com o objetivo único de buscar as ovelhas perdidas entre os gentios. Sua busca e empenho nesta principal missão da igreja só foi interrompida pela morte. Senão, ainda hoje estaria dedicando sua vida a ir de casa em casa convidando as pessoas ao arrependimento e, consequentemente, ao ambiente cristão.

Em décadas passadas, quando uma igreja se movimentava na busca dos perdidos, olhando à frente, encontrávamos o seu pastor assumindo seu papel e cumprindo sua principal missão. Mirando em Jesus (o sumo Pastor da igreja), ele sabia que as ovelhas ouviriam a sua voz e o seguiriam. Atualmente, comunga-se da ideia equivocada de que o pastor deve restringir seu campo de atuação nos gabinetes pastorais e nos púlpitos naqueles encontros semanais de sua denominação.

Alguns, mesmo conscientes de sua importante tarefa, justificam-se com a falta de tempo em razão do excesso de reuniões e atividades administrativas da igreja (por isso defendo a ideia de igrejas pequenas no lugar de grandes catedrais). Voltemos à igreja primitiva para lembrarmo-nos dos apóstolos pedindo que escolhessem homens cheios do Espírito Santo para cuidarem das tarefas secundárias, a fim de dar condições para eles exercerem suas funções prioritárias.

Que Seja Assim.
É responsabilidade pastoral assumir a liderança de sua denominação no cumprimento da missão que lhes cabe. Se a um simples membro é imposta a obrigação de anunciar o evangelho e ir em busca dos perdidos, muito mais aos ministros separados para dedicação integral a este propósito. Evangelizar nos grandes centros e nos grotões, convidar para um culto na igreja, assumir as tarefas inerentes ao apoio familiar de seus membros e ser uma referência de dedicação integral a missão da igreja. Invés de “saiam às ruas”, devem dizer, “saiamos às ruas...” lembrando que o primeiro passo é pastoral. Além disso, se ninguém quiser ir, ele vai sozinho, pois à ele é "imposta esta obrigação".

É dureza? é, sim! Por isso, apenas quem realmente tem chamada de Deus para a função consegue cumprir.

Sabemos da grandeza das tarefas e da grande exigência de tempo para este fim, mas, o pastor precisa compreender que, mesmo faltando-lhe tempo para estar com suas ovelhas “no campo missionário”, cabe a ele a tarefa primeira de coordenar as atividades e estar à frente naquelas missões mais importantes e intransferíveis.

Quando um pastor reclama da inércia da igreja, deve reclamar diante de um espelho. Ovelhas são dóceis e obedientes, mas, se o pastor não estiver à sua frente, elas preferem ficar na segurança do aprisco.

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