sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A Organização Mundial da Saúde (OMS / ONU) Informa: A Maconha Faz Mal a Saúde.

Leiam parte do texto transcrito da Revista Superinteressante, sobre relatório emitido pela OMS, após realização de um estudo com os maiores especialistas sobre o assunto no mundo. É uma reportagem de Flávio Dieguez (http://super.abril.com.br/saude/tras-cortina-fumaca-437467.shtml).
 
Por trás da cortina de fumaça


A Organização Mundial da Saúde publica o mais completo relatório sobre os efeitos da maconha. E afasta a onda de desinformação que cerca a droga ilegal mais consumida do mundo.
 
Era para ser o triunfo da pesquisa médica em seu esforço de separar, cientificamente, o que é mito e o que é fato sobre os efeitos da Cannabis, conhecida como maconha. Mas o relatório sobre a droga publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), das Nações Unidas, teve outra recepção. A entidade começou a trabalhar em 1993. Convocou os maiores especialistas do mundo e incumbiu-os de, nos cinco anos seguintes, examinar o resultado de centenas de pesquisas. Finalmente, em dezembro do ano passado, as conclusões dessa equipe foram reunidas num documento de 49 páginas, publicado sob o título Cannabis: uma Perspectiva de Saúde e Agenda de Pesquisa. Surgia o mais completo relatório produzido sobre a maconha nos últimos quinze anos.
 
Entretanto, o que era para ser uma festa virou guerra política. O trabalho da OMS mal foi lido. Até o início do mês de março, pouco mais de 500 cidadãos, nos cinco continentes, tinham tido acesso a ele. Quase não houve repercussão. O motivo é que seu conteúdo foi encoberto pela campanha dos que pregam a legalização da droga. Ela fez sombra sobre o texto da OMS e favoreceu a onda de desinformação. A confusão chegou ao ápice quando a revista semanal inglesa New Scientist, na sua edição de 21 de fevereiro, pôs em sua capa uma reportagem explosiva em que acusava a OMS de ter suprimido do documento, por motivos políticos, um capítulo mostrando que a maconha seria menos perniciosa do que o álcool e o tabaco. A OMS admitiu a supressão do capítulo, mas negou os motivos. Declarou que o texto comparando as três drogas fora excluído por prudência, pois os estudos nos quais ele se apoiava não eram conclusivos. De fato, isso só levaria a mais confusão. Tanto é que a confusão, com capítulo ou sem capítulo, alastrou-se, desviando, ainda mais, a atenção do público daquilo que, afinal, era o mais importante – o próprio relatório da OMS.
 
Quem foi apanhado de surpresa pela guerra de versões pode ter ficado desorientado. E pode até estar pensando que a maconha nem é tão perigosa. Mas ela faz mal, sim, e cria riscos sérios para a saúde. Quem tem dúvida, é só consultar o relatório. “Ele confirma diversas conseqüências nocivas comumente apontadas em relação à maconha”, resume a psicobióloga brasileira Maristela Monteiro, da OMS, uma das responsáveis pela versão final do texto. “E além disso aponta novos perigos.”
 
Os resultados apresentados pela OMS ajudam, e muito, a reverter a maré de dúvidas e de mistificações em torno da droga. Para começar, admite que ela possa ter aplicações medicinais. Mas aponta, com precisão científica, os males que o uso indiscriminado dessa substância pode causar. Não são poucos. E não são suaves. É bom você se informar a respeito e escapar da cortina de fumaça – que ainda esconde muitos riscos.
 
Relação dos Danos Que a Maconha Causa Num Usuário:
 
Cérebro aberto à investigação - O efeito sobre as funções nobres do cérebro, embora não seja tão pesado quanto se pinta, pode prejudicar o comportamento dos usuários. O risco da dependência é pequeno, mas não é nada desprezível.
 
A capacidade de aprender e de raciocinar e a memória diminuem - Há somente três anos, parecia não haver sinais de que a droga pudesse afetar as atividades cerebrais mais refinadas, aquelas que os especialistas chamam de funções cognitivas, as ligadas ao processo de conhecimento. Uma das novidades dos relatório é que agora há provas disso. Quem fuma regularmente por muitos anos tem dificuldade para organizar grandes quantidades de informações complicadas. Num tipo de teste, um cidadão empilha cartas segundo regras que o paciente precisa deduzir, apenas observando o “jogo”. Com o tempo, as regras vão sendo mudadas. Quem não fuma, deixa de perceber cinco de cada 100 mudanças de regra. Fumantes pesados cometem o mesmo erro oito vezes. “A diferença é sutil”, afirma o relatório. “Mas é ratificada por novos estudos, realizados em 1995 e 1996.”
 
Quem fuma muito tempo pode acabar caindo na dependência - Grande parte dos usuários pesados, desses que fumam diariamente durante meses, acaba se viciando. As estatísticas indicam que até metade dos fumantes desse tipo perdem o controle sobre o hábito e precisam de tratamento para se recuperar. Entre os que não conseguem a cura, muitos apresentam sintomas que agravam a dependência. Ficam desmotivados para qualquer coisa, tornam-se menos produtivos em suas atividades, sofrem de depressão e têm a auto-estima abalada.
 
Quem usa maconha pode partir para drogas mais pesadas - Meninos e meninas, especialmente nos últimos anos, têm, sim, seguido essa trilha. “Nota-se que a experiência com a canabis precede o interesse por outras substâncias”, diz o documento. São as colas de sapateiro, as anfetaminas, a cocaína e a heroína. Os especialistas também escrevem que, “quanto mais cedo se começa a fumar, maior é o envolvimento com a maconha”. E concluem que, entre os jovens nessa situação, é maior a possibilidade de contato com coisas mais perigosas.
 
A maconha provoca desastres de trânsito - Essa é uma nova preocupação dos especialistas. Sob ação da droga, fica mais difícil executar desde tarefas simples, como datilografar, até as de maior responsabilidade, como dirigir um automóvel. Em simulações, motoristas que fumaram 1 hora antes do teste brecam em hora errada e demoram para reagir aos sinais de trânsito.
 
A fumaça traz danos ao pulmão e está associada ao aparecimento da bronquite - O efeito sobre o aparelho respiratório, em conseqüência de doses elevadas da erva tóxica, está solidamente comprovado. Aparecem lesões na traquéia, nos brônquios e, em menor intensidade, em algumas células de defesa do organismo chamadas macrófagos alveolares. Os usuários, então, ficam um pouco mais vulneráveis do que o resto da população. Especialmente à bronquite obstrutiva crônica.
 
A produção de hormônios sexuais femininos pode ficar reduzida, alterando o ciclo menstrual - Existem indícios de que a droga deixa o organismo com falta de diversas substâncias essenciais à reprodução, entre as quais os hormônios. A carência ocorre durante uma das etapas da menstruação, a chamada fase luteal, e a ovulação demora mais do que demoraria normalmente. Esse efeito ainda não está bem esclarecido nas mulheres porque em alguns exames ele aparece e em outros, não. Mas os especialistas reunidos pela OMS estão convencidos de que ele existe, pois, nos testes com ratos e macacos, a queda de produção pôde ser medida com precisão. A conclusão do pesquisadores é que a ação da maconha sobre o aparelho reprodutor feminino não deve ser menosprezada.
 
Fumar durante a gravidez prejudica a criança - É uma das novidades mais assustadoras apontadas pelo relatório. “Usar a droga antes ou durante a gestação pode deixar as crianças mais suscetíveis a certos tipos raros de câncer.” Entre os tumores observados está o da chamada leucemia não-linfoblástica, que contamina o sangue, e o do rabdomiosarcoma, que ataca os tecidos nervosos. Mas ainda não há certeza de que a canabis esteja mesmo associada a esses males porque, se existe alguma outra causa, as pesquisas já feitas não conseguiram detectar. O relatório da OMS declara que é preciso investigar a hipótese mais a fundo. Um outro problema são as crianças que nascem pesando abaixo do normal devido ao contato prévio da mãe com a erva tóxica. Sobre esse ponto quase não restam dúvidas.
 
As crises de esquizofrenia podem ficar mais fortes nos pacientes que fumam - Como alguns pacientes de esquizofrenia entram em crise pouco tempo depois de fumar, levantou-se a hipótese que a droga poderia estar associada à doença. As pesquisas revelam que a ligação existe. Em algumas situações, nota-se que, se a dose de canabis é grande, cresce também a chance de uma crise.

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