quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Pai, Afasta de Nós Esses Políticos, Pai.

Todo ano de eleição é a mesma correria. De repente, as denominações se enchem de "irmãos" que nunca antes conhecíamos. Vindo de tudo quanto é lado ou ideologia, aparecem em nossas igrejas. Bem vestidos, linguajar apurado e, como não pode deixar de ser, munidos de trechos memorizados da Bíblia e jargões evangélicos. "Paz, irmãos", "Cristo, nosso Senhor", "Como vocês dizem: aleluia!", etc.
 
A sociedade brasileira está organizada sob a égide de um estado laico. Isto significa que a Igreja não interfere no Estado e o Estado não interfere na Igreja. É a separação entre um Estado regido pelos homens e a Igreja regida por Deus (em tese). Claro que isto não significa que os cristãos não paguem impostos e, como cidadãos, não tenham direito e obrigação de escolher seus governantes.

E é aí que políticos "sabidos" e "sem-vergonhas" se lembram dos cristãos. Gente que defende casamento-gay, aborto e descriminalização das drogas nos bastidores e não tem coragem de dizer diante de nós. Sem mencionar, ainda, os que possuem uma ficha pregressa de provocar náuseas em qualquer cidadão de bem, em razão de seu envolvimento em falcatruas, maracutais e similares.
 
Quando se trata de período eleitoral e votos, os "do lado de cá" (os religiosos), se tornam alvo de elogios e outros agrados dos "do lado de lá" (políticos secularizados). E, então, é aquela romaria aos templos cristãos. Invés de "pagar promessas" ou "invocar graças", vão em busca dos milhões de votos que se reúnem em milhares de templos espalhados pelo Brasil.
 
A verdade nua e crua é que as igrejas cristãs brasileiras se tornaram atrativas para todos os políticos, sejam cristãos, ateus ou de outras ramificações religiosas. Quando não tinham o alcance populacional de hoje, com seus 25 milhões de seguidores (aproximadamente), os cristãos não exerciam nenhuma atração sobre os políticos. Com o seu exponencial crescimento no Brasil, se tornaram um segmento social que não se pode desconsiderar. Por esta razão, os templos cristãos se tornaram um local de presença constante de candidatos a cargos públicos, principalmente, e alguns, exclusivamente, em tempos de eleições.
 
Nos "visitam" ou, melhor, fazem campanha em nossos templos os que crêem, os que não crêem e, também, os que são contrários à nossa fé. Durante o mandato essa gente desce a "borduna" em nossas costas e pelas nossas costas. Em campanha, são "amigos da nossa fé".
 
O que eles não percebem é que o nível de consciência política dos cristãos está melhorando. Antes, uns bobões que acreditavam em tudo que os homens dizem. Agora, acreditam se houver respaldo da Bíblia e do testemunho de suas vidas. Por esta razão, não adianta um político aparecer dizendo defender a família se ele já está em seu segundo, terceiro ou quarto casamento. Não adianta ele dizer ser a favor da vida e durante seu mandato não notarmos sua presença votando e se manifestando contra as leis que defendem o aborto.

Foi-se o tempo do faz-de-conta. O que desejamos dos políticos, sejam cristãos ou não, é respeito para com Deus, decência com a "coisa pública", honestidade, transparência e coerência.
 
Estamos abertos a ouví-los. Não em nossos templos. Nossos templos não foram construídos para esse fim. Que falem conosco em outro lugar, como por exemplo, numa reunião marcada num comitê político qualquer ou, então, que utilizem a propaganda eleitoral gratuita para falarem e demonstrarem o que pretendem. Aqueles que conhecemos, que congregam e comungam conosco da mesma fé, sabemos quem são. E isto não é grande vantagem, pois, apesar de mais conhecidos em nosso meio, significa que os conhecemos bem.

O que precisamos discutir em nossos templos são os valores cristãos que devem ser preservados. É verdadeiro quando se afirma que a sociedade brasileira não tem a obrigação de defendê-los, como também é verdadeiro que os cristãos brasileiros, sim, tem o dever de defendê-los e preservá-los.

E aqui um adendo: É MENTIRA que os cristãos querem IMPOR sua visão de mundo e suas crenças aos brasileiros, através de leis do tipo pode e não pode. Se há uma coisa que os cristãos tem consciência é o fato de que o evangelho não pode ser recebido por IMPOSIÇÃO, como uma OBRIGAÇÃO. Nem Deus, com seu poder, soberania e legitimidade, nos obriga a aceitar e cumprir suas leis. Aderimos aos princípios do evangelho pela fé e de forma voluntária. Se foi assim conosco, vale para todos os demais.
 
De todo modo, os cristãos estão atentos. Desunidos, ainda, mas, atentos. Vamos participar destas eleições com mais consciência e maturidade política.

Nos visitar? Podem. Algumas de nossas reuniões são públicas. Acesso aos nossos púlpitos? NÃO. Esse lugar é para gente "consagrada" desenvolver o ministério que lhe foi confiado pelo Senhor. Educadamente recebemos quem nos visita, mas, não contem com nossos votos se vocês não comungarem da mesma doutrina e não se comprometerem a defender nossos princípios e valores.
 
Outubro vem aí... Novembro vem aí...
 
Quem viver verá.

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