sexta-feira, 30 de maio de 2014

A Copa do Mundo é Deles. O Brasil é Nosso!

Os estádios se enchem de torcedores, as tv's vendem caro as imagens das jogadas e dos gols, os jogadores são tietados como deuses do futebol e os jornalistas inflamam a galera para que mantenham o circo. O espetáculo tem que continuar...

De quatro em quatro anos, a famigerada FIFA organiza, em algum lugar deste vasto mundo, um torneio de futebol. Equipes de futebol se revestem de bandeiras nacionalistas e, em um mês e meio, disputam qual equipe é a melhor. A ideia, dizem, é promover o congraçamento entre as nações.

O futebol se tornou o esporte mais popular do planeta e, tendo alcançado a simpatia de bilhões de pessoas ao redor do mundo, atraiu aquelas raposas que não perdem a oportunidade de arranjar algum trocado. É justo que se conseguem atrair a atenção de tantas pessoas, que possam usufruir dos valores que alguns empresários estão dispostos a pagar para convergir esta atenção para seus produtos ou serviços.

O problema é a especulação em busca do dinheiro em detrimento da nobre ideia do congraçamento entre os povos. Tudo se resume a dinheiro. Cartolas da FIFA e da CBF, patrocinadores, jogadores de futebol, técnicos e jornalistas se reúnem em torno do mesmo objetivo. A roda tem que continuar rodando para que possam se manter sustentados pela roda.

O marketing que envolve o futebol tem dado certo, é preciso reconhecer, pois, apesar da péssima qualidade das partidas de futebol (resultado da quantidade de jogadores sem dom algum para o jogo (os chamados "brucutus")), narradores cegos, acompanhados de horríveis comentaristas e tendenciosos articulistas, recheiam o marketing do futebol e conseguem manter, e muitas vezes aumentar, a audiência.

Por esta razão, nações se submetem ao poder financeiro da FIFA em detrimento dos direitos e garantias de seus cidadãos, com o objetivo de realizarem a Copa do Mundo. Para atrair a simpatia, cartolas e políticos medíocres alardeiam supostos benefícios e melhorias que os nativos terão em sua qualidade de vida. Outro truque é estimular a busca pela "alegria" que o povo do país que a equipe campeã representa desfrutará. Alegria oriunda da ideia imaginária de ser "O Melhor do Mundo!" O time que a CBF explora o nome de Brasil já foi cinco vezes campeão. Qual o resultado prático dessa alegria? (Parece droga. Tem que tomar de tempo em tempo para manter o "barato", ou melhor, a "alegria").

Observem todos! Todo suposto benefício gerado pela Copa do Mundo é, sempre, no futuro. A palavra que mais usam é "deixará, ficará, se beneficiará, etc. Também usarei. "Quem viver verá!"

Olhem o Brasil. Milhares de pessoas deixarão de produzir (a economia da nação pára), outras milhares de pessoas terão o seu direito de ir e vir interrompido, leis que foram uma conquista do povo brasileiro foram revogadas (beber nos estádios, meia-entrada para estudantes, entrada gratuita para idosos, etc), espaços públicos serão controlados por uma empresa privada (FIFA) e o preço dos ingressos às arenas do futebol se tornaram um impeditivo para as pessoas de pouca renda se divertirem.

Façam a conta de quanto o Brasil perdeu (passado), está perdendo (no presente) e comparem com os benefícios alardeados (no futuro). Só no estádio de futebol de Brasília/DF, foram gastos R$ 2.000.000.000,00 (dois bilhões de reais). Vejam nossos hospitais, olhem a nossa segurança, percebam como e onde moramos, deleitem-se na educação que nos é oferecida e sintam o cheiro do saneamento básico que temos?

É justo?

"Mas, foi o governo brasileiro que se candidatou para sediar o torneio". É verdade. Só esqueceram de consultar o "povo brasileiro". "Mas, na época, todos gostaram da conquista do direito de sediar a copa". Divirjo. Quem concordou e comemorou foi o "marketing" político, os cartolas, jogadores, ex-jogadores e a imprensa esportiva. Os poucos brasileiros que se mostraram animados foram ludibriados pelo falso discurso do "não haverá dinheiro público na construção de estádios".

O torneio vai passar, os cartolas da FIFA irão embora com os bolsos cheios da nossa grana (livres de impostos e de prejuízos decorrentes de algum dano causado), os jogadores, idem (independente de ganharem ou não o campeonato), os cartolas brasileiros, idem, a imprensa, idem, o marketing esportivo, idem, e nós, brasileiros? Nós não temos para onde ir.

Ficaremos aqui juntando uns trocados para pagar a conta do desperdício e da corrupção, enquanto nossos serviços de saúde, educação, segurança e habitação permanecem como estão. É assim que funciona. Afinal de contas, a Copa do Mundo de Futebol é deles! O Brasil, é nosso!

Nenhum comentário: