quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dinheiro ou Valores Morais?

"Entre Neymar e Dorival, Santos demite o técnico por insubordinação" (Noticia veiculada nos meios esportivos brasileiro).

Neymar, jovem jogador de futebol, na “altura” dos seus 19 anos, peitou o capitão e o treinador da sua equipe apenas porque recebeu a ordem de não cobrar um pênalti, haja vista a forma displicente que realiza tal atividade em campo. Neymar simplesmente se insubordinou contra as determinações de seus superiores imediatos, demonstrando deseducação, agressividade, prepotência e desprezo pelos outros. O mais surpreendente é a decisão tomada pela diretoria da equipe: demite o técnico por “insubordinação”, e avalizam, desta forma, as atitudes do “subordinado” Neymar.

O que será que levou a diretoria da equipe santista a tomar tal decisão? Bom, de um lado, a disciplina, o respeito à autoridade e aos outros, a educação, a obediência às regras do jogo, a solidariedade, a humildade, o trabalho em equipe, enfim, esses valores que são imprescindíveis para a vida em sociedade. Do outro, a prepotência, o orgulho, a indisciplina, a arrogância, a estupidez, a anarquia e o senso de poder fazer o que vier a cabeça, sem ligar para qualquer regra básica exigida para vida em comum. Então, podemos concluir, a decisão é incoerente. Depende dos valores de quem conclui. Para a diretoria do Santos, o que se levou em conta foram os $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$. Ora, de que lado está o dinheiro? Neymar, jovem promissor e exageradamente valorizado, como disse Zico em entrevista a um canal de televisão, “pérola bruta” do futebol brasileiro. Concordo, acima de tudo com a/o “bruta(o)”.

Esta querela, evidenciada atualmente no mundo fútil do futebol, me faz pensar nos valores que devemos moldar nossos jovens. Infelizmente, nesta esfera terrena, os expoentes seres extremamente materialistas que a habitam, deixam muito claro que, se tiver dinheiro, “as favas” com os valores morais. O problema aqui, é o fato de o futebol ser assistido e admirado por milhões de jovens, o que torna a decisão da diretoria do Santos, não apenas uma mera decisão administrativa, mas, sim uma lição incutida na mente e nos corações juvenis.

Como pais, não podemos concordar. É por esta razão que decidir fazer menção aqui. Vamos explicar aos integrantes desta sociedade que dinheiro é útil para suportar a vida, para ser um meio, não um fim, enquanto que os valores morais servem de baliza para a sociedade que queremos. Se os expoentes desta sociedade fazem a escolha pelo dinheiro, não podem reclamar dos jovens que entram no tráfico de drogas e dizimam famílias inteiras, porque se o fazem, a desculpa apresentada é o dinheiro; não podem reclamar da corrupção, pois as pessoas se corrompem pelo dinheiro; não podem reclamar da falta de saneamento básico, da falta de um serviço de saúde digno, da falta de segurança, da falta de uma boa educação, porque o dinheiro que deveria ser destinado para atendimento destas necessidades sociais, são desviados para o bolso de alguns; não podem reclamar do furto, do roubo, do assalto, pois quem os pratica, busca o dinheiro. Ora, se o dinheiro é tudo, “as favas” com as regras, as normas ou as leis.

Não vejo ninguém condenar veementemente tal atitude da diretoria do Santos, isto porque, ou pensam da mesma forma, ou se renderam a mediocridade e a insensatez. Nós temos a sociedade, o governo (veja os escândalos da Casa Civil do Governo Federal), as autoridades que merecemos, seja por ação ou por omissão.

Não devemos lançar o Neymar no limbo e na marginalização, todavia, é preciso ensiná-lo que a vida em sociedade implica em direitos e deveres, todos amparados no fundamento da decência, da educação e do respeito ao outro. Quem sabe, ensinando aos jovens, os adultos aprendam.

Um comentário:

Pr. Raimundo Campos disse...

Belo post caro Eliel. Acredito que a decisão da Diretoria do tal time só corroborou a atitude do mimado jogador e como disse um certo técnico: ajudou a "criar um monstro". Lembro-me que uma certa vez, quando conversávamos, você disse que, quando um fato chama a atenção da mídia, logo aparecem os "especialistas" de plantão. Foi o que aconteceu domingo no Fantático: dois psicólogos usaram de deduções óbvias para definir o comportamento do crack do Santos, mas ninguém deu uma solução que salvasse o jovem deste momento de deslumbramento. Temo que o futuro do talentoso rapaz esteja comprometido por causa da atitude "sifrada" da "lastimável" Diretoria.