terça-feira, 11 de outubro de 2016

Ressaca Cristã Após Eleição Municipal

Eleição encerrada, pelo menos por essas bandas (Salvador/BA), é preciso algumas considerações sobre o comportamento da comunidade cristã em seus vários segmentos durante o período da campanha eleitoral.

De antemão, saliento que sou favorável a indicação por nossa comunidade de pessoas para concorrerem a cargos eletivos. É um direito, como cidadãos que pagam seus impostos, e um dever dos cristãos, como servos de Deus, contribuir para melhoraria do ambiente moral, social e espiritual em nossa sociedade.

A primeira constatação, que não é nova, é o fato da desunião em nossa comunidade. Várias denominações e, dentro das referidas denominações, vários candidatos que se lançam de forma indiscriminada. Cada uma com suas intenções, e cada um defendendo seus próprios interesses. Na maioria dos casos, os interesses pessoais (dos líderes que indicam e dos indicados) se sobrepõem ao interesse da coletividade.

Percebe-se a quantidade de homens separados para o santo ministério que se lançam como candidatos à um mandato político. São ministros do evangelho que, a despeito de sua chamada espiritual, decidem deixar em segundo plano sua missão evangélica. Respeito a decisão de cada um sobre sua própria vida. Porém, entendo que a missão que nos foi concedida pelo Senhor é de maior importância que uma atividade política. Lembremos que ao pastorado é separado aqueles homens que se dedicarão ao ministério em "tempo integral". Dito isso, a eleição para um mandato político implica numa renúncia ao seu mandato espiritual.

Há ainda o problema das denominações não observarem a necessidade de separar as coisas espirituais das seculares, principalmente no ambiente espiritual que chamamos de templo e, consequentemente, seus cultos. Entenda-se espiritual como aquilo que se refere às coisas eternas, enquanto que secular é tudo que diz respeito às coisas terrenas. Nossa ação espiritual tem reflexo sobre a vida das pessoas para a eternidade, enquanto que nossa ação política tem implicações meramente terrenas.

O que se viu durante esta campanha foi uma mistura indevida e profana das coisas de Deus com coisas do mundo. Eventos evangélicos organizados apenas para colocar em evidência o candidato ou candidata, utilização de templos para guarda de equipamentos e materiais de campanha, esvaziamento de atividade importante como Escola Bíblica Dominical apenas para que alguns irmãos, "inocentes úteis," possam atuar como cabos eleitorais em atividade ilegal como "boca de urna".

Infelizmente, nossa luta por uma comunidade mais consciente está longe de ser alcançado, isto porque o sentimento dos eleitores, votando com a "pulga atrás da orelha" sobre os nobres interesses dos candidatos, refletem no povo cristão com a mesma "pulga" na orelha dos eleitores cristãos, sobre a sinceridade de quem indica e de quem é indicado em fazer o que se deve fazer com base nos interesses mais nobres de nossa atividade espiritual. A desconfiança é geral.

Como melhorar isso? Educação cristã massiva e rígido controle sobre aqueles que lideram a comunidade cristã e sobre aqueles que acessam nossos púlpitos. Já seria, pelo menos, um bom começo.

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