quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A Utopia dos Salvadores da Pátria

Alguém, algum dia no passado, idealizou uma espécie de fórmula adequada de se viver em sociedade que, seguida à risca, conduzirá a humanidade para a felicidade num mundo justo e igual. Esse discurso encontrou guarida em corações aflitos e sonhadores que, a despeito do próprio senso crítico que foram obrigados a negar, passaram a acreditar num sonho bom de viver. Na verdade, na utopia do mundo perfeito que ele crê como sendo aquele que, o próprio, conceitualmente, define como ideal.

Não importa as opiniões contrárias. São de pessoas atrasadas, retrógradas, insensíveis, incompreensíveis, conservadoras e opressoras dos mais pobres, mais vulneráveis, dos hipossuficientes. Como eles possuem a fórmula, eles detêm a chave para transformar a vida de todos os abandonados pela sorte.

É desta esquizofrenia que, adicionando novos adeptos e escastelando-os em postos-chave das organizações empresariais, sociais e governamentais, se lançam como salvadores da pátria, da nação, do mundo. Lá se vão na missão altruísta de reformar todas as instituições transformando-as em mães da liberdade, da igualdade, da justiça e do amparo.

No sonho deste mundo ideal, tropeçam em si mesmos. Na arrogância que impõe ao outro um conceito que é seu e não admite a divergência, a oposição, um outro caminho ou conceito que outros, também, acreditam ser a fórmula da tal felicidade. Esquecem que o mundo, ou melhor, a humanidade não é simples, como simples não é o próprio ser humano e seus sentimentos, pensamentos e intenção de coração.

Não há experiência de pleno sucesso realizada em nenhuma nação do mundo que possa atestar, empiricamente, que esta ou aquela fórmula conduz a paz, a igualdade, a justiça e, enfim, a felicidade de todos. Por esta razão, todos podem se sentir como novos descobridores da fórmula ideal. E se posicionam. Há, no entanto, nações mais justas, mais livres e mais solidárias, porém, as mazelas, ainda assim, estão lá.

As melhores nações do mundo são aquelas que entenderam a complexidade do que é ser humano e do que é a vida em sociedade, e apenas ocuparam-se do suporte de suas caminhadas sem lhe impor esta ou àquela fórmula. Elas percebem o caminho que a própria sociedade deseja seguir e apenas lhes dão proteção e estrutura em sua caminhada. Ou seja, quem tem a "fórmula" é o próprio tecido social.

Porque os “salvadores da pátria” não percebem? Direita x esquerda; vanguardista x retrógrado; conservador x liberal são apenas armas utilizadas ao bel-prazer de quem quer ganhar a guerra na marra. Jamais conseguirão. Pelo contrário, produzirão mais conflitos, mais desigualdades, mais injustiças, mais mazelas, mais angústias e mais pessoas infelizes.

Observem: Dizem ser contra o preconceito racial (leia-se: preconceito contra negros) e não percebem que praticam atos preconceituosos contra os brancos; Dizem ser contra o preconceito pelas escolhas sexuais (leia-se: preconceito contra gays) e não se acham praticando preconceito contra heterossexuais; Dizem ser a favor da liberdade de expressão, mas, impedem que outros tenham livre opinião; Dizem ser contra o preconceito religioso ao mesmo tempo em que todo seu discurso está recheado de conceito anticristão.

Enfim, suas fórmulas nascem mortas, pois, formadas com base em conceitos que se autodestroem.


Não há fórmulas prontas, há caminhos. Independentemente do que cada um sonhe como mundo ideal, liberdade, tolerância e respeito são valores exigidos de todos que querem alcançar o alvo de uma sociedade mais justa, mais igual, mais solidária, enfim, mais humana.

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