terça-feira, 13 de outubro de 2015

Que Modelo de Governo Têm a Igreja Cristã?

Os governos humanos são construídos seguindo o conceito de que, o maior manda no menor e é servido ou sustentado por este. Na democracia, na ditadura, na monarquia, na teocracia ou em qualquer outro sistema, este princípio é base de funcionamento da engenharia social que não exita em utilizar-se da força se alguém ousa se insurgir contra.

Certa vez Jesus chamou a atenção para esta forma de organização social e deixou claro que esta não seria a maneira que organizaria a comunidade sob sua liderança. "E houve também entre eles contenda, sobre qual deles parecia ser o maior. E ele lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores. Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve. Pois qual é maior: quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve" (Lucas 22:24-27).

A religião, pelo menos aquelas organizadas em torno do Cristo, não poderia se estruturar contrariando este princípio estabelecido por Jesus: "o maior é quem serve". É desafiador, destaque-se, encontrar uma forma que contemple o mandamento do Senhor sem perder a organização necessária para funcionamento adequado da igreja local. Isto certamente conduziria a igreja para uma maneira cristã original de governo.

O conjunto de discursos e ações de Cristo, em relação aos seus discípulos, apontam para um caminho mais parecido com uma escola do que com uma empresa. "Convida" os estudantes com as mais variadas características, dá-lhes uma meta a alcançar, transmite-lhes conhecimento diuturnamente por meses, demonstra-lhes, empiricamente, a essência do seu ensino e, chegado o tempo, os envia-lhes para formar outros, agora não mais como estudantes, e sim, como multiplicadores de sua mensagem.

Observa-se que em todo o tempo, o relacionamento entre educandos (discípulos) e educador (Jesus) estava calcado nas maravilhosas palavras que motivavam quem ouviam e no Espírito que fluía da presença do Cristo, atestando que suas palavras eram sinceras e desprovidas da ânsia humana de ser servido pelos outros.

"Quem manda em você" é um estímulo a ponderação de como vivemos a cristandade nos templos das mais variadas denominações cristãs. Nossa relação com Cristo, segundo os preceitos bíblicos, deve estar acima de toda e qualquer relação ou vínculo com as instituições que, segundo se acredita, são a face terrena do reino de Deus na terra.

Este estímulo nos desafia a enxergar as distorções, tão "normais" dos dias atuais, que estabelece a forma de governo das igrejas cristãs e o relacionamento entre o líder da comunidade local e os discípulos de Cristo.

Quando ouvimos o evangelho e cremos, cremos no Cristo e decidimos, voluntariamente, segui-lo a fim de nos tornamos servos dos outros. Este serviço tem como plataforma principal para sua manifestação a comunidade cristã estabelecida nas denominações. Para uma perfeita organização de sua vida funcional, a Bíblia menciona que este serviço está delineado em vários dons especiais e ministeriais.

Os dons especiais são aqueles que seu uso não interfere, necessariamente, na ordem de funcionamento da igreja enquanto instituição local (profecia, cura, sabedoria, conhecimento, etc). Os dons ministeriais são aqueles que seu uso demonstra a face física da ação da igreja no meio da sociedade secular (pastor, presbítero, evangelista, diácono), e contribuem para um perfeito funcionamento da igreja enquanto instituição local.

Desta forma, nossa relação interna deve estar calcada em princípios como respeito ao indivíduo e seu respectivo dom (se o têm, claro), e a determinação de todos em, individualmente ou em conjunto, servir aos outros. O elo que deve atrair uns aos outros não é a subserviência calcada no medo, mas sim, aquela capacidade demonstrada e utilizada por Cristo na motivação dos outros através de palavras e atos que atestem humildade e sinceridade no que se crê, no que se diz e no que se faz.

Uma comunidade que funciona assim, pode perfeitamente invocar para si o testemunho de conhecer Deus e ter recebido d'Ele a missão de ser seu representante diante dos homens.

Quem conhece seu Senhor, não é enganado por falsos senhores. "Eu sei em quem tenho crido..."

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